Rio Claro nas Paralimpíadas

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Vivian Guilherme

Fernando e Pedrinho na sede da Jumper
Fernando e Pedrinho na sede da Jumper

Quem não se emocionou e ficou sem fôlego ao ver a abertura das Paralimpíadas no Rio, quando o norte-americano Aaron “Wheelz” desceu uma rampa de 15 metros de altura em sua cadeira de rodas e executou um salto mortal de frente ao pular uma roda de fogo? Entretanto, o que poucos sabem é que Aaron é o primeiro do mundo nessa modalidade esportiva chamada WCMX, e que o segundo é o brasileiro Pedro Henrique Amorim Cunha Cruz, o Pedrinho.

Ainda bem menos gente sabe que Pedrinho estava em Rio Claro nessa semana e que ele utiliza cadeiras de rodas fabricadas aqui na Cidade Azul. Muito atencioso, Pedrinho contou ao JC que já morou na cidade por três anos, no tempo em que atuou junto à empresa Jumper no projeto de uma cadeira de rodas diferenciada, que pudesse suportar as manobras do WCMX. “O esporte consiste em andar em uma pista de skate com cadeira de rodas”, explicou o atleta, que disse também que a modalidade deve entrar oficialmente para as Paralimpíadas em 2020.

“Pretendo estar nas próximas Paralimpíadas representando o Brasil, a meta agora é treinar bastante e buscar o título de melhor do mundo”, acrescentou Pedrinho, que garantiu que o Brasil tem um diferencial que pode contribuir para a conquista: “Temos o melhor equipamento, sem dúvida. Nos campeonatos que disputei em todo o mundo, a nossa cadeira foi a única que não quebrou, temos um sistema de amortecedor que foi desenvolvido aqui em Rio Claro e que é um grande diferencial”.

Histórias de Vida

Fernando Mendes, que atua no departamento comercial da Jumper, sofreu um acidente em 2006, quando perdeu o movimento das pernas, e teve um ingresso muito rápido no esporte adaptado, participando de um time de basquete em cadeira de rodas em Rio Claro. Logo conheceu Pablo Moya Ruiz de Abreu, proprietário da Jumper, que deu início à ideia de esportes diferenciados de inclusão extrema, como o WCMX. “Somos pioneiros no Brasil nesse esporte e até começar a fábrica de cadeiras, que hoje é referência”, comentou Fernando.

Nascido em Caraguatatuba, Pedrinho sofreu um acidente de carro em 2005, quando voltava da faculdade, e perdeu o movimento das pernas. Ficou internado por três meses e nesse período conheceu o WCMX assistindo a vídeos na internet, publicados pela equipe da Jumper.

FABRICAÇÃO LOCAL

O embrião da Jumper começou em 2007, como um centro que captava pessoas acidentadas com algum tipo de deficiência, no intuito de promover o esporte como reabilitação. Percebendo a necessidade de equipamentos de alta performance para a prática de esportes, a empresa viu a oportunidade de fabricar cadeiras em nível nacional. Somente nas Paralimpíadas, as cadeiras da Jumper estão presentes na seleção brasileira de basquete com três jogadoras da seleção feminina e um jogador da seleção masculina. Além de atletas do tênis de mesa e atletismo.

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