Hoje, aos 26 anos, Adriano Nogueira mora em Lisboa, onde trabalha como pianista, pedagogo do piano, musicólogo e crítico de música

Vivian Guilherme

Foi aos quinze anos que Adriano Nogueira mudou-se de sua cidade natal, Rio Claro, para morar sozinho em Tatuí com outros estudantes. Isso aconteceu porque Adriano, ainda menino, já estava cansado das constantes viagens para o município paulista, local que abriga um dos principais conservatórios de música do Brasil. Um prodígio nos estudos do piano, o jovem foi aceito no Conservatório ainda aos 14 anos e frequentou aulas com Miriam Braga, Cristiane Blóes e Zoraide Mazzulli Nunes. Após um ano de viagens constantes, aconteceu o inevitável e, de Rio Claro para Tatuí, foi apenas um pequeno passo para ganhar o mundo.

Hoje, aos 26 anos, Adriano mora em Lisboa, onde trabalha como pianista, pedagogo do piano, musicólogo e crítico de música. Concluiu a Graduação em Ciências Musicais (Musicologia e Etnomusicologia), na Universidade Nova de Lisboa, em 2015. E, no momento, está na fase final do mestrado, na mesma universidade, onde se prepara para, em breve, defender a tese sobre formação de professores de piano clássico nos países de Língua Portuguesa.

Aprendizado

 “No Conservatório de Tatuí e na Universidade Nova de Lisboa construí os alicerces para a minha carreira profissional. A música, plasmada na minha personalidade, esculpiu a determinação com que hoje olho a vida, essencialmente porque tive de lutar para a ter e perdê-la seria perder-me”, acrescentou o rio-clarense.

Paralelamente à vida acadêmica, tem mantido o trabalho de pianista, em Portugal, com o apoio técnico de Anne Kaasa (Noruega) e Alexei Eremine (Rússia), com concertos solo e música de câmara, com Konstantinus Gianos (Grécia), Adriana Klwtsothra (Grécia), Assunção Soeiro (Portugal), Joana Vasconcelos e Sá (Portugal), entre outros.

Mais recentemente, desenvolveu um trabalho musicológico a partir do acervo de partituras do Museu Nacional da Música, em Lisboa, onde teve a oportunidade de descobrir inúmeras obras não divulgadas de compositores portugueses, europeus e, inclusive, brasileiros. Na sequência desta pesquisa, foi convidado pela instituição para realizar a curadoria de um ciclo de concertos que permitisse a apresentação gradual de algumas das partituras, muitas delas desconhecidas do grande público. Foi a partir desta oportunidade que se foi estruturando a atual série de concertos, denominada “Músicas do Acervo: compositores portugueses e seus contemporâneos”.

“Iniciei os estudos musicais aos 4 anos, nas aulas de musicalização infantil e de instrumentos de teclas. Desde que tenho memória, a música, a dança e o teatro sempre me maravilharam. Mas a música, essa dava um sentido a tudo o que fazia. Nunca houve qualquer tradição musical na minha família. Por isso, todo o meu percurso musical foi acontecendo a partir de um impulso interior, quase sempre em sentido contrário aos planos familiares”, comentou o músico, que também atua como professor de piano no Instituto de Música de Lisboa e na Academia de Música de Telheiras, além de crítico musical para revistas em artigos relativos a pianistas de países de língua portuguesa.

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