Denis Camargo, Cida e Paulo Cézar Carvalho Martinez no balcão da farmácia. Proprietária do estabelecimento fala sobre o fim do programa Farmácia Popular

Ednéia Silva

O Ministério da Saúde anunciou que a partir de janeiro de 2016 vai encerrar o programa Aqui Tem Farmácia Popular nas drogarias conveniadas. O anúncio causou preocupação aos consumidores que fazem uso contínuo de medicamentos. Isso porque o programa oferece descontos de até 90% no preço dos remédios. Com o fim da isenção, muita gente pode não ter condições de manter o tratamento de saúde.

A comerciante Cida, proprietária da farmácia Droga 5, explica que o programa oferece medicamentos gratuitos para o tratamento de asma, hipertensão arterial, colesterol e diabetes. Outros medicamentos são oferecidos com desconto de até 90%, inclusive fraldas geriátricas. São remédios para o tratamento de dislipidemia, osteoporose, Mal de Parkinson, rinite, glaucoma etc.

Cida explica que o programa representa um grande ganho para o consumidor, que pode retirar gratuitamente ou com desconto nas drogarias remédios como Captopril, Losartana, Glifagi XR, Metformina, Sinvastatina, Hidroclorotiazida, Atenolol, Salbutamol, Glibenclamida e Enalapril. Segundo ela, todos os medicamentos têm grande procura, mas os de maior saída são Losartana e Metformina, usados para o tratamento de pressão e diabetes. Os medicamentos podem ser retirados nas farmácias credenciadas mediante a apresentação de CPF, receita médica válida e documento com foto.

Denis Camargo, Cida e Paulo Cézar Carvalho Martinez no balcão da farmácia. Proprietária do estabelecimento fala sobre o fim do programa Farmácia Popular
Denis Camargo, Cida e Paulo Cézar Carvalho Martinez no balcão da farmácia. Proprietária do estabelecimento fala sobre o fim do programa Farmácia Popular

A comerciante explica que os medicamentos não são de alto custo, mas geram gasto para o consumidor porque deixarão de ser gratuitos. Segundo ela, os produtos de maior valor são as fraldas geriátricas. Hoje o governo paga 60% do valor e o usuário custeia 40%. Sem programa, se não houver outra forma de distribuição, terá que arcar com 100% do valor do produto, o que pode pesar no orçamento familiar.

Por meio do programa, ela calcula que o consumidor economize entre R$ 100,00 e R$ 150,00 por mês. “É uma pena acabar com o programa que é de grande valia para a população”, lamenta Cida. Ela acredita que o governo ainda vai reconsiderar a decisão, porque o programa é muito importante para a população.

Essa também é a esperança de Edna Ferreira, que faz uso do programa Aqui Tem Farmácia Popular para comprar fraldas geriátricas para a mãe, que sofre as sequelas de um AVC. Por dia ela usa de quatro a seis fraldas e já teme os reflexos do fim do programa no orçamento da família. “O gasto vai dobrar porque hoje pago menos da metade do valor. Sem o desconto, vou ter que pagar o valor integral”, comenta. O valor de cada pacote varia conforme a quantidade, o estabelecimento e a marca do produto.

O Ministério da Saúde confirmou o fim do programa e explica que o orçamento de 2016 prevê um corte de R$ 578 milhões tendo impacto direto na oferta de remédios com desconto. A pasta admite que a medida irá sobrecarregar as redes municipais e estaduais de saúde e afirma que está trabalhando para reverter a situação.