Eleitor pode votar em trânsito nas eleições gerais de outubro de 2014 (foto Elza Fiuza/ABr)

Adriel Arvolea

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Do eleitorado de Rio Claro, 39.344 (27%) têm o ensino fundamental incompleto; 6.537 (4,5%) sabem ler e escrever; e 2.431 (1,7%) são analfabetos. Juntos representam 34% do universo de 142.172 eleitores. Considerando a distribuição por sexo, as mulheres somam 25.395 desse público, sendo que 20.466 não concluíram o ensino fundamental. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral, de junho de 2014.

Na hora de votar, discute-se se a baixa escolaridade é um fator que pode influenciar de maneira negativa o eleitor, bem como o valor da escolaridade para o processo eleitoral na decisão de voto. Com relação ao eleitor com menor grau de instrução, a mestre em Ciência Política e doutora em Economia, docente junto ao Deplan -Unesp de Rio Claro, Angelita Matos Souza, acredita que a questão não está atrelada negativamente ao voto, mas que a baixa escolaridade é ruim para a vida e, de maneira geral, para o desenvolvimento de um país; já no campo do exercício dos direitos políticos não é passível de comprovação empírica que a baixa escolaridade influencie negativamente o voto.

“Em países desenvolvidos, com eleitores escolarizados, neonazistas têm surpreendido nos resultados eleitorais. Portanto, acredito que a correlação entre escolaridade e influência negativa sobre o voto é muito controversa e, no caso brasileiro, preconceituosa e antidemocrática. O eleitor com menor grau de instrução vota como todo mundo, segundo sua percepção de que as coisas vão bem ou não, percepção moldada pela própria vida cotidiana – está vivendo melhor ou pior – e pelos meios de comunicação de massa”, comenta Angelita.

A profissional reforça, ainda, que o eleitor, em geral, escolarizado ou não, parece ter mais dificuldades para formar opinião e definir seu voto para os representantes do Legislativo, mas para o Executivo costuma votar conforme o seu ‘bolso’, suas perspectivas para o futuro e, claro, repercutindo, em maior ou menor grau, a opinião veiculada nos meios de comunicação e propaganda eleitoral. “A compreensão do processo eleitoral, também, não muda muito, escolarizado ou não, o eleitor brasileiro tem uma visão muito pouco positiva dos políticos e não acredita muito que o voto fará grande diferença para elevar a qualidade da democracia, dos serviços públicos etc. Enfim, jamais partiria da hipótese da baixa escolaridade para a análise dos direitos políticos, civis e sociais no Brasil, ou seja, da cidadania”, conclui.

Eleições 2014

O 1º turno das eleições irá ocorrer no dia 5 de outubro e o 2º turno, no dia 26 de outubro. O pleito vai eleger o presidente e vice-presidente da República, deputados federais, senadores, governadores e vices, deputados estaduais; o governador e vice-governador do Distrito Federal e os deputados do Distrito Federal. De 15 de julho a 21 de agosto é o período para se habilitar ao voto em trânsito. Até 6 de agosto, quem estiver fora do seu domicílio eleitoral deve requerer a 2ª via do título.

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