Demarchi e Valdanha receberam doações de empreiteiras investigadas na Lava-Jato

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Antonio Archangelo/Coluna PolítiKa

Na montagem, foto de vários empreiteiros presos como Ricardo Pessoa (UTC) e Dalton Avancini (Camargo Corrêa)
Na montagem, foto de vários empreiteiros presos como Ricardo Pessoa (UTC) e Dalton Avancini (Camargo Corrêa)

De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prestação de contas final dos candidatos a deputado estadual de Rio Claro, José Aldo Demarchi (DEM) e Américo Valdanha (então PCdoB), em 2014, evidenciam que os parlamentares receberam doações de empreiteiras investigadas em âmbito da Operação Lava-Jato.

De acordo com a prestação de contas final do deputado eleito Aldo Demarchi (DEM), do total de R$ 1.298.719,50 de receitas, R$ 114.000,00 são oriundos de doações à direção municipal da sigla pela Camargo Corrêa Construções Industriais S/A, comprovadas pelo recibo eleitoral 251220700000SP000046. Outras cinco doações, de R$ 17 mil, feitas pela UTC Engenharia S/A à direção estadual do Democratas e repassadas a Demarchi.

Em nota, a assessoria do deputado Aldo Demarchi alega que, “conforme está discriminado na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral e disponível para consulta pública, as doações recebidas de duas empresas investigadas na chamada operação Lava-Jato foram repassadas pela Direção Estadual/Distrital e Direção Municipal-São Paulo do Partido Democratas”, afirmou.

Outro candidato rio-clarense que recebeu doações de empresas investigadas, mas que não foi eleito, é o professor Américo Valdanha, cuja prestação de contas aponta para o recebimento de R$ 20.079,36 em duas doações da “UTC Engenharia S/A”, oriundas da direção estadual do PCdoB. Ao todo o candidato declarou receitas para a campanha no total de R$ 67.791,98.

Em nota, Valdanha disse “que parte dos recursos apresentados na prestação de contas, que minha campanha para Deputado Estadual recebeu da Direção Estadual do Partido a que estive filiado (PCdoB), na última eleição, teve por origem a empresa UTC Engenharia S/A. Aproveito para informar que os candidatos que concorrem em uma eleição emprestam seu nome ao partido [por] que concorrerão. Os candidatos têm conhecimento de toda doação que recebem, e isto eu sabia, inclusive as que viriam do Partido (PCdoB). Quando concorri à eleição de vereador, tinha conhecimento e controle da origem das doações, nesta campanha que a gestão parcial dos recursos foi em nível Estadual do PCdoB, soube que a doação Institucional que veio do Partido seria contabilizada, como toda doação que recebi. Informo ainda que minha prestação de contas, que foi aprovada pelo TSE, foi preparada pelo Diretório Estadual de São Paulo. Apenas neste momento, da assinatura para encaminhamento ao TSE, tomei conhecimento da origem inicial dos recursos à Direção Estadual do Partido”.

Cabe lembrar que, no dia 20 de julho, a Força-Tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava-Jato obteve a condenação de seis executivos das empresas Camargo Corrêa envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e participação em organização criminosa. Na ocasião, também foram oferecidas denúncias contra representantes da Galvão Engenharia, Engevix, Mendes Junior e OAS.

Também respondia a este processo o presidente da UTC, Ricardo Pessoa. As acusações contra ele foram desmembradas para outra ação penal a pedido do MPF, em virtude das tratativas com o réu para um acordo de delação premiada.

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