A Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Material Reaproveitável de Rio Claro passa por um momento histórico: após contrato firmado com o poder público municipal na última semana, cooperados receberão pelo serviço que prestam à cidade e ao meio ambiente

Manter o ambiente onde vivemos limpo e sempre em ordem acaba sendo um desafio nos dias de hoje, com a correria cotidiana. Agora imagina manter limpa uma cidade? Auxiliar nesta prestação de serviço é um dos principais papéis da Cooperviva – Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Material Reaproveitável de Rio Claro, que conta atualmente com cerca de 35 cooperados e recentemente, após 20 anos, firmou contrato com o poder público municipal, ficando responsável pela coleta, triagem e armazenamento do material reciclável.

Mas antes disso, a situação da cooperativa sofreu um baque, pois perdeu no mês de julho deste ano sua fundadora e presidente, Dona Inair Francisca. Rosangela de Almeida Silva, membro da diretoria, fala um pouco do que vinha acontecendo no local.

“No momento, estamos numa situação um pouco complicada, pois acabou o contrato dos caminhões, estávamos deixando de fazer as coletas diariamente, estávamos sem o ônibus que transporta os cooperados também, mas felizmente por esse contrato firmado com a prefeitura nos últimos dias, as coisas vão melhorar para todos nós, estamos esperando resolver os detalhes. Eu espero que mude muita coisa e para melhor”, disse Rosangela.

A catadora aponta ainda a grande quantidade de mulheres que atuam na frente de trabalho da cooperativa.

“É o que a gente espera, pois somos na grande maioria, quase que 90%, mulheres, mães de família que precisam do trabalho, precisam do sustento que conseguem a partir do serviço feito aqui na cooperativa”.

E felizmente a contratação veio no dia 2 deste mês, após anos de batalha, como explica Valdemir dos Santos de Lima, que atua como apoio técnico da Cooperviva, e os desafios continuam, pois a organização do trabalho é fundamental para que toda cidade seja atendida – metade dela ficou para a Cooperviva e a segunda parte com a Associação Novo Tempo.

“A prefeitura realizou o chamamento público para catadores de reciclagem e a Cooperviva foi uma das contempladas, habilitada para ter autonomia da coleta, vamos receber pela coleta, vamos conseguir ter o pagamento pelo serviço ambiental conforme prescreve a legislação e um sonho de muitos e muitos anos, de décadas, e a isso faço uma menção à Dona Inair, que não está aqui hoje, mas consegue enxergar o resultado de tantas batalhas, reuniões com o MP, com o poder público, junto às secretarias, para conseguirmos ter esse momento que é um direito do catador. E estamos neste momento de transição”, fala Valdemir, emocionado.

O profissional técnico pede ainda apoio da população e entendimento neste novo momento que a cooperativa vive.

“Faço parênteses aqui para a população que sempre nos ajuda, nos ajudou, continue nos ajudando, nós vamos ressignificar esse sistema juntamente com a prefeitura. A autonomia agora é da Cooperviva, também na Associação Novo Tempo, a gente vai se reorganizar para sempre atender a todos da melhor maneira”, explica.

blank

Procurada para falar sobre o assunto, a prefeitura municipal de Rio Claro informou através de nota que “O contrato de prestação de serviços da Cooperativa com a prefeitura foi firmado no dia 02/10/2023. A cooperativa fica responsável pela coleta, triagem e armazenamento do material reciclável. A cooperativa está instalada em área cedida pela prefeitura e possui as instalações e os equipamentos necessários para desenvolver o trabalho. Ao longo destes 20 anos de existência, a Cooperviva vem recebendo vários auxílios do setor público. Além da parceria com a prefeitura, a entidade foi contemplada nesse período em projetos dos governos federal e estadual. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o trabalho realizado pela cooperativa é de suma importância para o município, uma vez que os integrantes atuam como verdadeiros agentes ambientais, evitando que material reciclável seja descartado no aterro sanitário que, assim, ganha mais tempo de vida útil. A Cooperviva também significa trabalho e renda para os catadores de material reciclável”.

Valdemir Lima reforça ainda o pedido de colaboração da população e enfatiza que essa nova organização, em virtude da contratação, tanto da Cooperviva quanto da Associação Novo Tempo, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), se deu na última semana após chamamento público.

“Ainda, essa reorganização será construída ao longo das próximas semanas em parceira com a Prefeitura e será necessário tempo para que possamos sanar as fragilidades históricas da coleta seletiva no município. A cooperativa existe há 20 anos, após ser formada por famílias que saíram do aterro sanitário, o chamado lixão, onde já sobreviviam da reciclagem que recolhiam. O trabalho realizado pelos cooperados sempre atendeu o município e agora seguirão fazendo, mas devidamente remunerados”, finaliza.

blank
Dona Inair, antiga presidente da Cooperviva

Atualmente a diretoria de Cooperviva é coordenada por Adriano Rogério Marcelino – presidente e filho de Dona Inair; Maria Roselina Pedro Gomes – vice-presidente; Rosângela de Almeida Silva – diretora financeira e Maria de Fátima de Oliveira – diretora operacional.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.