A primeira audiência pública para debater o PME está agendada para o dia 28 de maio

Antonio Archangelo

A primeira audiência pública para debater o PME está agendada para o dia 28 de maio
A primeira audiência pública para debater o PME está agendada para o dia 28 de maio

Em sua fala pela bancada do PMDB na noite de segunda-feira (18), conforme rege o artigo 84 do regimento interno da Câmara Municipal, o vereador pastor Anderson Christofoletti criticou a inclusão de temas transversais como a ideologia de gênero dentro da nova versão do Plano Municipal de Educação, o PME.

Ao citar a ideologia, Anderson disse que “os pais não sabem o que é ideologia de gênero”. “Ideologia de gênero é a verdadeira desconstrução da família tradicional (…), ela defende que não existe homem ou mulher biologicamente determinados de maneira natural. Que não se nasce menino ou menina, mas se nasce como uma folha em branco, então o masculino e o feminino são apenas produtos da cultura”, explicou o vereador.

“Então eu acho que Deus errou. Eu acho que a natureza está errada. Eu acho que alguma coisa está acontecendo. Porque no momento em que eu não posso mais identificar homem ou mulher de maneira natural. Eu acho que [até] os animais estão errados. Mas veja, o que iria acontecer com a desestruturação, simplesmente acabar com a família tradicional, a moral vai ficar livre, o indivíduo desaparece nas questões daquilo que é permitido ou proibido nas relações sexuais. Então o sujeito acorda, um dia, e vai dizer: hoje eu não quero ser homem, quero ser mulher. Ah, hoje não quero ser mulher, quero ter relações como homem. Amanhã ele vai falar que quer ter relações com crianças, quero ter relações com animais. Libera tudo. Será que é isso que os pais querem que as crianças assimilem dentro das escolas? Eu acredito que não. Para mim o PME, com todos os temas como metas, alfabetização, quadro 2, respeito dentro da sala de aula para que os alunos não batam em professores, são temas que temos que discutir, mas deixa a sexualidade com os pais, deixa a sexualidade para as famílias ensinarem e vamos manter esta família tradicional”, defendeu o vereador.

“A vontade dos pais é que a escola abra as portas para o conhecimento, mas que não mexa em questões religiosas, porque a ideologia de gênero, se formos segundo a teoria marxista que está sendo utilizada, vem afastar a religião. Uma vez que se afaste a religião, você perde os princípios de respeito éticos, que são a base, o alicerce da nossa sobrevivência em sociedade. Essa é minha opinião”, concluiu.

O Plano Municipal de Educação vem despertando críticas por parte de setores cristãos de Rio Claro. Desde a realização do último fórum, que foi interrompido após a chegada de mais de 400 fiéis para assegurar a retirada da meta 27 – que tratava da igualdade de gênero, o documento foi alterado pela secretária de Educação Heloísa do Carmo, que retirou a meta e diluiu seu conteúdo em outras estratégias.

PDT

Em nota distribuída na semana passada, o vereador Dalberto Christofoletti (PDT) também criticou o plano. Para ele, “o Plano Municipal de Educação é um importante instrumento de democratização do entendimento das prioridades educacionais, além de proporcionar avanços num tema tão importante para o nosso país. O plano vinha sendo debatido com um grupo bastante interessado, num exemplo estimulante de democracia direta. No primeiro grande embate no final do ano passado, que poderia gerar discussão edificante, a secretária da Educação Heloísa parou o processo, tomou para si o texto, modificou-o sem consulta e enviou o projeto para a Câmara.

A impressão que fica é de ‘carteirada’ da secretária da Educação ao abortar um debate que estava mobilizando a sociedade rio-clarense”, alegou o trabalhista.

PSOL repudia declarações de Anderson

Em nota encaminhada à imprensa, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) repudiou as declarações feitas pelo vereador Anderson Christofoletti (PMDB) durante uso da palavra na sessão ordinária realizada na segunda-feira (18).

“O PSOL vem a público repudiar a fala absurda, preconceituosa e homofóbica proferida na última sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Rio Claro pelo vereador Anderson Christofoletti (PMDB), em 18 de maio de 2015. Na ocasião, o vereador afirmou textualmente que o debate sobre orientação sexual nas escolas é oriundo de uma ‘ideologia de gênero’, que tem origem na ‘doutrina marxista’ e seria responsável por ‘destruir a família tradicional’, levando as crianças a serem educadas no sentido de aceitarem várias coisas que atentam contra a obra de Deus como naturais, até mesmo ‘sexo com animais’”, disse em nota.

“A fala descabida e obscurantista do vereador Anderson se inscreve no contexto de discussão do Plano Municipal de Educação (PME) de Rio Claro que, entre outros tópicos relativos à educação na cidade, defendia o debate sobre orientação sexual nas escolas, visando o combate à discriminação. Para não se indispor com parte do eleitorado, o Poder Executivo de Rio Claro já havia cedido aos discursos preconceituosos e retirado por conta própria o trecho relativo ao assunto, cessando o debate com a população. Também já havia promovido outras alterações arbitrárias na redação final do plano no sentido de evitar a conquista de mais direitos através dele, como não concretizando de fato o plano de carreira dos educadores do Quadro 2. Agora, além do autoritarismo do Executivo, a bancada fundamentalista presente na Câmara prontamente se insurge para tripudiar ainda mais os educadores, pais e mães de alunos e estudantes que desejam uma educação emancipatória e crítica, incluindo o necessário debate sobre a sexualidade com a juventude. (…) Para além de qualquer debate acerca do PME, a fala do vereador é explicitamente homofóbica: ataca diretamente a dignidade e humanidade da população LGBT, os direitos humanos e sociais e a liberdade de orientação sexual. Reafirmamos nosso repúdio às ideias retrógradas e desinformadas de Anderson Christofoletti, bem como o repúdio ao modo pouco democrático do governo municipal debater o PME, e continuaremos atentos para denunciar quaisquer novos atos de discriminação e autoritarismo vindos dele ou de outros políticos”, conclui a nota.

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