A internação do trabalhador rural Bruno Henrique Bertanha, 22 anos, no dia 27 de julho no PA do Cervezão e o comunicado da morte dele apenas dois dias depois levantaram uma suspeita à família do paciente. De acordo com a tia, ele deu entrada na unidade com confusão mental e um pouco de febre e foi levado direto para a ala dos suspeitos de Covid-19: “Foi feito um teste rápido nele e o resultado deu negativo. No dia seguinte ele foi fazer uma tomografia e, quando eu fui lá para ter notícias, fui recebida por uma assistente social que disse que o Bruno não havia retornado do exame, mas que estava bem. Voltei para casa e à noite recebi uma ligação do PA dizendo que era para eu ir até a Santa Casa assinar uns papéis, pois ele ia ser transferido para lá para tratar a pneumonia, já que não era Covid. Quando eu estava saindo me ligaram novamente me dizendo que tinha acontecido um engano e que o paciente era outro. Duas horas depois o telefone tocou de novo para me avisarem que o meu sobrinho estava morto”, conta Thamires Teixeira.

A família foi comunicada que não poderia ver o corpo, fazer o reconhecimento, nem velar Bruno: “Depois do sepultamento voltei ao PA do Cervezão para buscar os pertences do Bruno e simplesmente a assistente social disse que não sabia e que achava que tinha ido para doação, que ia verificar e me dava um retorno e até agora nada. A minha surpresa foi maior ainda quando no início dessa semana eu fui solicitar o prontuário médico dele na Fundação e me informaram que não tem prontuário, porque ele ainda está internado no PA. Liguei no PA, passei o nome dele e me disseram que ele foi transferido para a Santa Casa, sendo que sepultamos ele no dia 29. Agora, já que não pudemos ver o corpo, quem garante que foi o Bruno que enterramos? Queremos um respaldo por parte da prefeitura diante de tantas dúvidas e pedimos a exumação do corpo”, disse a tia.

A reportagem do JC entrou em contato com a Santa Casa de Rio Claro, que informou que Bruno Henrique Bertanha não deu entrada no hospital.

Publicidade

Em nota, a Fundação Municipal de Saúde esclareceu que: “No dia 29 de julho, o paciente foi encaminhado para realizar tomografia no pronto-socorro municipal, que fica ao lado da Santa Casa, e retornou ao hospital de campanha do Cervezão. No primeiro momento foi feito um teste rápido para Covid-19 que deu negativo e também foi coletada amostra para exame PCR, cujo resultado negativo saiu somente após o óbito do paciente. Até a chegada da confirmação de que o paciente não tinha Covid, foram adotados todos os cuidados pertinentes ao atendimento de um paciente com quadro suspeito da doença”. A Fundação também afirmou que está providenciando e vai entregar a cópia do prontuário de atendimento para a família.

Mais em Notícias:

‘Meu segundo lar’, fala motorista de caminhão

Estado de São Paulo abre parcelamento de IPVA atrasado