Caso ocorreu na trilha da Ponte do Esqueleto, onde Maria Eduarda foi lançada de uma ponte sem estar presa à corda de segurança
Entrevista com o repórter Carlos Gomide detalha a clandestinidade do grupo e a conversão do flagrante em prisão preventiva após queda na Ponte do Esqueleto
A investigação sobre a queda na Ponte do Esqueleto, que resultou na morte da jovem Maria Eduarda, de 21 anos, ganhou novos desdobramentos e detalhes sobre a atuação dos organizadores. Em entrevista à rádio JC FM de Rio Claro nesta segunda-feira (15), o repórter Carlos Gomide trouxe atualizações sobre o caso ocorrido no sábado (13), na divisa entre Limeira e Cordeirópolis. Três homens responsáveis pelo salto foram mantidos presos após a Justiça converter o flagrante em prisão preventiva.
De acordo com o jornalista, a Polícia Civil constatou que o grupo, que utilizava o nome “Entre Cordas” nas redes sociais, atuava de forma totalmente clandestina. A equipe realizava a cobrança de valores para a prática de esportes radicais há cerca de sete meses, mas não possuía CNPJ, alvará de funcionamento ou qualquer tipo de regulamentação empresarial. Maria Eduarda, que morava em Jandira e viajou de madrugada para a região, pagou R$ 280 pelo pacote, sendo R$ 150 pelo salto e R$ 130 pelas filmagens da atividade.
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Investigação por dolo eventual e situação jurídica após queda na Ponte do Esqueleto
A delegada responsável pelo caso, Dra. Andréia Levi, autuou os três operadores diretamente envolvidos no lançamento da jovem por homicídio com dolo eventual, entendimento que foi mantido pelo Poder Judiciário ao determinar a prisão preventiva por tempo indeterminado. A linha de apuração aponta uma falha grave de procedimento, uma vez que a corda que deveria realizar o pêndulo de segurança sequer foi acoplada à cadeirinha da vítima antes do arremesso, ficando caída sobre a estrutura de ferro da ponte.
O inquérito policial será conduzido formalmente pela delegacia de Cordeirópolis, sob a coordenação do Dr. Rodrigo Rodrigues, por se tratar do território oficial do fato. Outros dois instrutores e a responsável pela página na internet foram ouvidos no plantão policial e liberados, pois a autoridade entendeu que eles não tiveram participação direta na execução do salto que resultou na queda na Ponte do Esqueleto.
Estrutura abandonada há décadas e cobrança por fiscalização
A tragédia reabriu o debate sobre a situação da Ponte do Esqueleto, uma estrutura que está abandonada há décadas. Construída originalmente para a passagem de trens, a linha férrea nunca operou no local. O espaço pertence formalmente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e se encontra atualmente em um processo de transferência de posse para a Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União (SPU).
Diante do histórico de acidentes fatais no local, que inclui a morte de uma ciclista de Rio Claro em anos anteriores, o prefeito de Limeira anunciou que pretende acionar judicialmente a União. A administração municipal cobra providências definitivas de fiscalização ou a demolição completa do viaduto para impedir o acesso público e evitar que novas fatalidades aconteçam na região.