FOTO: Chiara Tedeschi

Quem passa em torno do Horto Florestal entre a Avenida Nossa Senhora da Saúde e a Avenida 7A, no bairro Vila Bela, em Rio Claro, dificilmente deixa de reparar numa área que tem 11000m2, e é tomada por frondosas árvores. Já o som que se ouve por ali é de cantos estridentes produzido por várias espécies de pássaros, que são companhias cada vez mais comuns dos rio-clarenses que caminham pelo local, que tem uma bela vista da cidade.

Mas, o lugar de calmaria ganhou um novo capítulo na última semana envolvendo os moradores e a prefeitura. Conforme noticiou o JC na quinta-feira (15), a vizinhança realizou uma manifestação  para que o local, que pretendia ser doado pelo então prefeito Juninho da Padaria (DEM) para a construção da nova ETA (Estação de Tratamento de Água) permaneça como área de lazer da população e não para outros projetos do DAAE (Departamento Autônomo de Água e Esgoto), uma vez que a área foi considerada inadequada para abrigar a Estação, devido às dimensões e a rejeição dos que frequentam o local.

Mais uma vez, os moradores do entorno mostraram que a união faz a força, e que vale a pena lutar pelo espaço, que integra de forma diferenciada a área residencial e a floresta. No local, ocorrem jogos de futebol, piqueniques, aulas de yoga, passeios de bicicleta, entre outras atividades.

Segundo uma das coordenadoras do projeto, a geóloga Paulina Setti, as famílias, de vários bairros, usufruem de momentos agradáveis de lazer, com a proximidade da natureza, o que não é possível em muitas outras regiões do município.

“Os moradores da Vila Bela são unidos e organizados, porque amam seu bairro. Existem várias iniciativas interessantes, que poderiam servir de exemplo a outras partes da cidade”, comentou ela.

Uma destas ações possui perfil no Instagram, chamado @mutirao_do_einstein. Einstein, que deu nome ao grupo, não é o gênio da ciência, e sim,  um pastor australiano, mascote da turma. Os integrantes do grupo se encontram aos sábados de manhã para limpar a pracinha de brinquedos de madeira, que fazem a alegria das crianças. Eles cuidam também do trecho que compreende a subida da Avenida Nossa Senhora da Saúde, desde a Avenida Ulisses Guimarães, além do campo de futebol e o caminho de entrada da Floresta, onde, segundo os frequentadores, pessoas insistem em parar carros para depositar lixo das mais variadas origens.

O campo de futebol atualmente  tem sido limpo e cuidado pelos próprios jogadores, uma turma animada que se encontra às segundas, quartas e sextas, no fim da tarde, e é composta por  pessoas de várias regiões da cidade.

“O pessoal do futebol adotou a área e recolhe garrafas, copos, papel, mantendo o campo sempre limpo. Um dos jogadores, que é morador da Vila Paulista, conseguiu um ponto de água, comprou uma mangueira e cuida das mudas recém plantadas na lateral do campo”, citou Paulina.

Árvores antigas

As árvores do entorno foram plantadas por moradores ao longo de 20 anos. Eles dizem amar morar num bairro arborizado. E na busca por mais verde, há também um grupo chamado ‘Replantio’, coordenado também por moradores, mas que conta com voluntários de várias  regiões da cidade. Eles se reúnem nos fins de semana para  plantar mudas de espécies nativas.

“Por aqui, ouve-se o som dos pássaros, caminha-se sob as sombras de árvores. Há pouco movimento de carros, o que faz com que crianças e adultos andem de bicicleta, skate, de carrinho de rolimã, e caminhem em um bairro onde o contato com a natureza é sua principal marca”, explicou ela.

 Moradores pedem que área seja institucionalizada como praça ou parque

No Vila Bela, frequentada e amada por tantas pessoas, como constatou o JC, os moradores solicitam que a área que inclui o campo de futebol seja institucionalizada como uma praça ou parque, inclusive com melhorias, como instalação de equipamentos de ginástica e mudanças na estrutura da parte destinada ao futebol.

Solicitação que está em consonância com o projeto recém-lançado pela Prefeitura chamado ‘Programa Viva Meu Bairro’, no qual o Executivo propõe ações de melhorias, após conversar com moradores e verificar as necessidades.

Nas conversas com a administração municipal, moradores fizeram inclusive considerações sobre as características de bairros residenciais nas grandes cidades do mundo, como Nova York, Londres, Paris, Toronto, entre outras.

“Em todas as cidades, existe um zoneamento que garante a existência de algumas áreas exclusivamente residenciais, onde se valoriza a qualidade de vida e tranquilidade dos moradores que desejam viver nestas condições. São áreas muito arborizadas e tranquilas, onde o comércio, quando existente, se restringe somente às grandes artérias o que, no caso da Vila Bela, seriam a Avenida Ulisses Guimarães e a Avenida 8A”, explicou a professora.

Foi pensando nisso que os profissionais delegados do Conselho Regional de Educação Física de São Paulo, os professores e doutores Américo Valdanha, Sebastião Gobbi e Alexandre Drigo criaram uma carta aberta contra a destruição do equipamento e de prática de esporte e atividade física. 

No documento, eles dizem que “a Prefeitura precisa dialogar com a população de forma a potencializar o uso do espaço para além da prática espontânea, ofertando programas de intervenção profissional para prática orientada, dentro do contexto das expectativas dos moradores e frequentadores.”

Chiara Tedeschi
Chiara Tedeschi
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