Ednéia Silva

Um jovem morto a cada duas horas. Essa é a realidade brasileira para a faixa etária de 15 a 29 anos. São 82 mortes por dia, o que dá um total de 30 mil por ano. Desse total de jovens assassinados, 77% são negros. Por conta desses números, a Anistia Internacional lançou no último dia 9 a campanha “Jovem Negro Vivo” contra homicídios de jovens negros no país. A campanha tem como objetivo dar visibilidade a esses números e chamar a atenção da sociedade e das autoridades para o problema.

A assessora municipal de Integração Racial, Kizie de Paula Aguiar, comenta que a questão da violência contra a juventude, principalmente a negra, é um problema sério que precisa ser combatido com políticas públicas. Segundo ela, o município precisa ainda avançar muito nesse aspecto, apesar de ter melhorado em oportunidades, abertura e participação.

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Uma das apostas nesse sentido é a criação do Plano Municipal de Igualdade Racial, que está sendo elaborado com base no modelo nacional. Kizie informa que o Conerc (Conselho Municipal da Comunidade Negra) vem discutindo o assunto com o objetivo de levantar pautas, principalmente com relação à juventude.

Para Kizie, é preciso mais ações afirmativas e protocolos de atendimento voltados para os jovens para que eles possam fugir do círculo vicioso da criminalidade. No entanto, a assessora destaca os avanços como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) voltado para capacitação profissional de jovens.

Kizie destaca ainda a mudança de mentalidade de vários segmentos. Segundo ela, antes era preciso bater à porta das pessoas para falar sobre consciência negra, hoje existe procura por essas informações. A assessora ressaltou o trabalho realizado pelas escolas Victorino Machado e Carolina Serafim sobre o tema.

A Escola Victorino Machado promoveu roda de conversa, dança afro e exposições de vários tipos de trabalhos realizados pelos alunos desde a literatura até o artesanato. A questão racial foi abordada de forma franca e houve até perguntas sobre a Chácara dos Pretos. A Escola Carolina Serafim discutiu questões polêmicas como os negros na mídia e o homicídio dos jovens negros.

Sobre o racismo, Kizie comenta que a lei existe há 11 anos, mas existe muita dificuldade em garantir seu cumprimento. Segundo ela, o que se vê são ações pontuais. Para ela, é preciso criar políticas públicas de educação racial para sensibilizar e informar sobre o tema. Em Rio Claro o caso mais notório foi o de Benedito Santana de Oliveira, que morreu após ser agredido por três homens suspeitos de participarem de grupo neonazista. Dois suspeitos estão presos na penitenciária de Itirapina. Kizie acredita que a prisão somente foi mantida porque o idoso morreu e também devido à mobilização da sociedade e da comunidade negra.

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