Polícia faz operação contra tráfico de drogas em São Paulo no último domingo (21) e prefeito Doria diz que Cracolândia ‘acabou’ (FOTO; Eduardo Ogata/Secom)

Carine Corrêa

A Cracolândia voltou a ser prioridade da Prefeitura Municipal de São Paulo após uma megaoperação de combate ao tráfico de drogas que prendeu 51 pessoas no último domingo (21), na capital paulista. O prefeito João Doria (PSDB) disse nessa terça-feira (23) que irá construir prédios populares e uma unidade do Hospital Pérola Byington na Cracolândia.

No entanto, a preocupação de alguns órgãos do município, entre eles a Comissão de Segurança da OAB de Rio Claro – cuja presidência é ocupada pelo advogado Adriano Marchi – é com a falta de estrutura para receber supostos dependentes em uma Comunidade Terapêutica situada no município: “Fui informado sobre um convênio com entidades privadas que abrigarão alguns desses dependentes da Cracolândia. Uma Comunidade Terapêutica situada em Ajapi deve receber os usuários. O problema é que não há na Comunidade, até onde sei, um atendimento ambulatorial para tratar desses dependentes. Estão ‘migrando’ o problema para cidades do interior. Soube que treze dependentes já teriam sido transferidos, mas que esse número deve aumentar. Essas pessoas precisam de cuidados clínicos. Há médicos para atendê-las? Há ambulatórios? Soube que não há nem auxiliar de enfermagem. Se não der certo, quem vai garantir a volta dessas pessoas à cidade de origem?”, questiona Marchi.

Carol Gomes

Defensora do tucano João Doria, a vereadora Carol Gomes afirmou que o fim da Cracolândia deveria ter sido feita há muito tempo: “Precisou da coragem do governador Geraldo Alckmin, do secretário de Ação Social e do prefeito João Doria. Estão sendo amparados através do projeto Recomeço, que disponibiliza uma verba financeira para as clínicas cuidarem de dependentes que não possuem poder aquisitivo para pagar. Aqui em Rio Claro há apenas uma clínica que é contemplada pelo projeto Recomeço. Se a ação foi feita de uma forma humana, acredito que será super válida”, defendeu.

Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, não confirmou a vinda dos dependentes para Rio Claro. No entanto, a parlamentar Carol Gomes explicou que o projeto Recomeço encaminha as pessoas para outros lugares: “O Recomeço tem essa questão. Se você não tem clínica pública na cidade, o projeto encaminha para outro lugar. Por isso estão sendo espalhados pelo interior”, salientou.

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