Lourenço Favari

Baterista Mauricio Zottarelli, radicado em Nova York, fala sobre sua carreira profissional, o início musical em Rio Claro e destaca que, diferente do que foi apresentado no filme “Whiplash – Em busca da Perfeição”, o jazz é prazer 

Mauricio Zotarelli
O baterista Mauricio Zottarelli deu uma canja no AR Studio, do músico Anderson Rossetti (Fotos/Matheus Pezzotti)

Em visita a Rio Claro, o baterista Mauricio Zottarelli, radicado em Nova York, falou sobre a carreira e sua trajetória na música, especificamente dentro do gênero jazz. O jornalista Matheus Pezzotti participou da entrevista e foi responsável pela sessão de fotos com o músico.
Quem pensa que jazz é sofrimento e abdicação, conforme apresentado no enredo do filme de 2014, “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, que conta a história de um jovem baterista, está enganado. Basta conversar com Zottarelli para entender que, antes de tudo, o gênero musical oferece prazer não somente aos ouvintes, mas também ao músico empenhado em oferecer o que há de melhor no estilo.

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Nascido em Santos, ele cresceu em Rio Claro, local onde iniciou sua atividade musical. “Quando eu tinha uns dois ou três anos meus pais dizem que eu já tinha uma bateria pequena. Até os 13, 14 anos eu batucava pela casa. Já gostava de ritmo, mas nunca tinha pensado em tocar bateria mesmo”, frisa. Ele recorda que a primeira vez que tocou de fato uma bateria foi em uma apresentação ao vivo no colégio onde estudava. “Eu derrubei a baqueta no meio de um solo, porque não sabia muito bem como segurar, nunca tinha tocado no instrumento antes. Mas foi aí que tudo começou”, conta com bom humor.

A partir deste momento, Zottarelli iniciou sua trajetória musical e tocou com diversas bandas na cidade, entre elas a Vancouver, Forfé, Beatless, além da conhecida banda Hímen Blues. “No começo era rock de que eu gostava. O movimento do rock brasileiro foi forte no final da década de 80 e isso foi muito marcante para os jovens da época. O jazz e a música brasileira mesmo vieram bem depois”, destaca.

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DE CABEÇA
IMG_1313Com intensa atividade musical em Rio Claro, logo que se graduou em Ciência da Computação, Zottarelli decidiu arriscar e tentar carreira profissional. “Fui largando aos poucos o escritório e priorizando a música. Depois que eu peguei o diploma, eu pensei: eu tenho meu plano B, agora vou investir na música”, disse.
Em 1999 se mudou para os EUA depois de ganhar uma bolsa de estudo para cursar a Berklee College of Music, em Boston. “Eu fui para lá quando eu tinha 23 para 24 anos de idade. Foi muito legal ter terminado a faculdade antes de partir. Eu fiz amigos para a vida inteira e um pouco do que aprendi na faculdade eu uso até hoje”, destaca.

JAZZ
“Sempre escutei, por influência do meu pai, mas nunca prestei muito atenção. Depois que as coisas foram se encaixando. Tinha tanta coisa que eu tava perdendo musicalmente e o pessoal da Hímen Blues era muito antenado. E quando você começa a estudar um pouco, começa a ver a onda do jazz, da música clássica e brasileira”, explica sobre a transição de gênero musical.

NOVA YORK
Aclamado pela crítica especializada e ganhador de vários prêmios, o músico vive em Nova York desde 2006, quando terminou o curso na Berklee College of Music.
“As primeiras vezes que eu toquei em Nova York eu não contei para ninguém que eu estava em Boston, porque é umas três horas e meia de carro. E se você fala que é de fora ninguém te chama para tocar. Ou seja, minha ida para Nova York foi meio por acaso”, comenta.
Desde então se tornou um dos profissionais mais requisitados da cena musical novaiorquina, com participações em mais de 70 álbuns como baterista e percussionista.

DISCOS
IMG_1192Zottarrelli tem dois discos solos gravados. O primeiro deles é intitulado “7 Lives” e o segundo recebeu o nome de “Mozik”. O último trabalho dele, de 2014, é o álbum experimental “Glasses, no Glasses”, que gravou com os músicos Leo Genovese e Amanda Ruzza. “A sonoridade deste trabalho é mais funk rock com elementos de música eletrônica e é bem experimental”, diz.

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NOVIDADE
Ele adiantou que está trabalhando no novo disco solo, ainda sem título, que pretende seguir a linha de seu primeiro álbum. “Estou terminando de escrever. Até o final do ano acabo de gravar tudo e no ano que vem lanço”, finaliza ao revelar que, além de composições próprias, deve incluir a canção “Ponteio” de Edu Lobo entre as faixas do trabalho.

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