A Igreja deve se envolver socialmente, diz Bogaz

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Fabíola Cunha

Público durante ato em protesto contra a falta de um hospital público em Rio Claro, realizado na Igreja Matriz em dezembro
Padre Bogaz durante ato em protesto contra a falta de um hospital público em Rio Claro, realizado na Igreja Matriz em dezembro

Convidado do Jornal da Manhã dessa sexta-feira (20) na Rádio Excelsior Jovem Pan, o padre Antônio Sagrado Bogaz, da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, falou sobre a Campanha da Fraternidade lançada na última quarta-feira (18) em todo o país, que tem como tema Fraternidade: Igreja e Sociedade.

Segundo Bogaz, o tema “Eu vim para servir” visam aprofundar o diálogo e a colaboração entre a Igreja Católica e a sociedade a serviço do povo brasileiro. “A Igreja se preocupa com a sociedade porque está inserida nela, mas muita gente acredita que Igreja tem que ficar rezando na sacristia, preocupada com coisas espirituais, como se nossos irmãos fossem espíritos por aí; a Igreja vai mostrar que o objetivo é se envolver com questões sociais e humanitárias de nosso povo”, explica.

Uma das questões exemplificadas por Bogaz é a da mobilização pela construção de um hospital público em Rio Claro, que reuniu assinaturas e no último mês de dezembro instalou uma cruz na praça da Igreja Matriz para contabilizar os dias da omissão em relação à construção do hospital.  Além disso, Bogaz elencou outros problemas com que a Igreja quer se aproximar da população: “A pastoral da saúde tem se reunido, temos lutado muito contra e a favor de algumas coisas, como pelas crianças para terem creches; existe a luta pelo hospital, que na verdade é uma luta para que os pobres não morram na indigência, e essa luta reúne gente de boa vontade porque o poder público fala a mesma coisa, que está tudo ótimo. Então pagamos enormes impostos e, na hora de receber, recebemos migalhas e mentiras”, avalia.

Comentando a fala do arcebispo de São Paulo, dom Odílio Scherer, na abertura da CF 2015, quando disse que “a Igreja também se beneficia muito daquilo que é da própria sociedade, de maneira que a Igreja também pode nesse diálogo melhor passar aquilo que ela tem de riqueza, de mensagem”, Bogaz acredita que tem sido um grande desafio para as religiões alcançar os problemas sociais: “No sentido bastante politizado, é um grande desafio da religião o espírito de Deus com fé tocar os problemas sociais, as realidades sociais, existe tendência em muitas religiões de viver um espiritualismo que praticamente se torna uma alienação, o ‘ópio’; você precisa mudar sua vida e não ficar olhando pro céu”, opina.

Movimento

O movimento para construção de um hospital público define-se como “um grupo de cidadãos, religiosos de diversas denominações e representantes de movimentos organizados e associações, mobilizado pelo objetivo comum, que é a construção de um hospital público para Rio Claro e região. Já solicitamos esta obra através de um abaixo-assinado entregue para autoridades de todas as instâncias, tanto municipal, quanto estadual e federal; promovemos infindáveis reuniões com essas mesmas autoridades, não obtendo apoio de nenhuma delas”, relata.
Em dezembro de 2013 foram entregues 19 mil assinatura à Câmara Municipal, ao prefeito Du Altimari e ao então ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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