O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário diz que empresa alegou não ter recursos para pagar integralmente rescisão dos 223 demitidos

Antonio Archangelo

Na foto, a fachada da empresa Luizzi, que demitiu 223 funcionários da unidade em Rio Claro após queda de 70% em seu faturamento
Na foto, a fachada da empresa Luizzi, que demitiu 223 funcionários da unidade em Rio Claro após queda de 70% em seu faturamento

O diretor Osvaldo Spagnol, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário, afirmou na quinta-feira, 30, que a empresa Luizzi, localizada no final da Avenida Saburo Akamine, alegou não ter recursos para pagar parte da rescisão contratual dos 223 demitidos neste mês. “A empresa alega que não tem o montante da rescisão no momento. Colocamos nosso departamento jurídico à disposição e alguns já estão acionando a Justiça”, disse à reportagem ao confirmar a realização de homologações das demissões durante esta semana.

Ao comentar as demissões, no início deste mês, a empresa informou oficialmente que as demissões ocorreram em virtude da queda no faturamento, em torno de 70%. Esclareceu ainda que não irá se isentar de nenhum compromisso com os colaboradores que foram dispensados.

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Ontem, a empresa lembrou que tentou reduzir a jornada de trabalho e os salários dos funcionários para evitar as demissões, fato que não teria sido aceito em assembleia. A empresa cita, ainda, que pretende pagar as demissões em 10 parcelas aos funcionários demitidos que aceitarem o parcelamento. A primeira parcela deve ser paga no dia 11 de julho.

De acordo com o Ciesp/Fiesp, em maio, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 1,0% em relação ao mês anterior, na leitura com ajuste sazonal. Na série sem ajuste, acumulou retração de 8,9% em 12 meses.

De acordo com o levantamento do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), divulgado nessa quinta-feira (30), nos primeiros cinco meses deste ano a atividade da indústria caiu 10,1%.

Para o diretor do Depecon, Paulo Francini, a perda de fôlego do setor não parou, mas está diminuindo. “Sabemos que antes do crescimento existe a estabilidade, e antes existe a redução da queda. Nós estamos nesta fase.”

Protesto

Ainda de acordo com o sindicato, um outro sindicato esteve nas imediações da empresa na quinta-feira, 30, de manhã, para tumultuar. “Meia dúzia de gatos pingados estiveram lá. Poder não pode, mas estiveram”, disse o diretor sindical ao ser questionado sobre a legalidade de manifestação sindical de sindicato não vinculado à categoria. A homologação das demissões acontece na região central do município.

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