Junto há mais de uma década, o casal Derio Sepulveda, 34 anos, e Priscilla Sepulveda, 38 anos, enfrentou uma das mais difíceis batalhas ao longo do relacionamento. Ambos foram diagnosticados há algumas semanas com a Covid-19 e a notícia trouxe não apenas medo, mas também muito aprendizado.

Curados e, depois de passarem por todo o processo de isolamento, ambos resolveram compartilhar a experiência nas redes sociais. O texto, escrito em conjunto, teve inúmeros compartilhamentos e a repercussão chamou a atenção do Jornal Cidade, que procurou os autores que aceitaram dividir os momentos que passaram também com os leitores.

“Nós estávamos trancados dentro de casa desde março. A última vez que saímos foi no dia 8, Dia da Mulher, quando eu e meu marido fomos almoçar fora. Na semana seguinte, com as notícias sobre a propagação da Covid, era da casa para o trabalho e fora isso somente supermercado. E uma coisa que é importante dizer: adotando todos os cuidados como higienização de sacolas que vinham da rua, sapato para fora de casa, álcool em gel por todos os cantos. Fiquei meio paranoica porque eu tinha muito medo do vírus e de repente ele entrou na minha casa”, relembra Priscilla.

O primeiro a apresentar sintomas foi Derio, que a princípio pensou que fosse uma sinusite e até dengue: “Fiquei febril em um domingo, depois dei uma melhorada. Já na quarta tive perda do olfato e paladar. Fui ao médico, fiz o teste rápido que deu negativo e só fui diagnosticado através da sorologia. Na minha opinião a pessoa tendo sintomas e o coronavírus sendo tão nocivo e agressivo deveria ser feita a sorologia sem pensar duas vezes. Eu sei que existe um tempo para ele ser realizado, mas um acompanhamento é necessário”.

Quatro dias depois do marido, Priscilla sentiu dores na garganta e uma forte dor de cabeça. depois veio a falta de ar e outros incômodos. Ela também estava com o vírus.

Com três filhos, o mais velho com 17 anos, o do meio com 15 e o caçula com sete anos, o casal se isolou no quarto da residência e precisou montar uma verdadeira operação para não contaminar os meninos.

“Sair do quarto só para preparar as refeições deles. Quando eu saía, de máscara e lotada de álcool em gel, eles se trancavam em outro cômodo. Com a comida pronta eu e meu marido só comíamos no quarto. Uma vez, pela porta, um dos meus filhos me perguntou quando ele poderia me abraçar. Foram 14 longos dias. Você dorme com medo de não acordar e acorda com medo de não dormir”, desabafa Priscilla.

Derio, que ainda tem o agravante de ter apenas um rim, disse que sentiu o maior medo de toda a vida, mas precisou ser forte: “Minha família estava ali. Eles também sentiam medo e eu fingi ser forte. Você conta os dias no calendário. Agradece por menos um e fica ansioso pelo próximo, já que o psicológico fica destruído”.

O casal agradece por terem tido a “forma mais leve” da doença e Priscilla faz questão de deixar o sentimento que permanece dentro dela mesmo estando recuperada. “Eu e Derio vencemos apenas uma batalha. Porque temos pais, irmãos, avós, sobrinhos, toda uma família. A gente precisa cuidar de um todo, porque a guerra ainda existe. Isso não é brincadeira, não são apenas números, são vidas. Se cuidem”, finaliza.