Nesta segunda-feira (20) amantes da música celebram o Dia do Disco de Vinil, uma data que resgata não apenas um formato clássico de reprodução sonora, mas também toda a experiência sensorial e afetiva que ele proporciona. Em tempos dominados pelo streaming e pela praticidade digital, o vinil segue firme como símbolo de autenticidade, qualidade e conexão com a arte.
Mais do que um objeto, o disco de vinil carrega histórias. Para colecionadores, cada peça representa uma descoberta, uma memória ou até mesmo um pedaço de identidade. Vasculhar lojas, garimpar edições raras e apreciar capas icônicas fazem parte de um ritual que atravessa gerações. Essa paixão crescente revela que, mesmo em um mundo acelerado, ainda há espaço para o som analógico, o toque físico e o prazer de ouvir música com calma e profundidade.
O Analista de Planejamento de Produção e produtor do programa de rádio História do Rock (Opção FM), Julio Marcondes, acredita que tenha perto de mil vinis. A maior parte da coleção do morador do Centro de Rio Claro é composta por rock e seus subgêneros: “Eu comecei a ouvir rock em 1983 quando o Kiss veio para o Brasil a primeira vez. Meu primo Marcelo mostrou umas fitas K7s e na hora surgiu o interesse pela banda e estilo. Por algum tempo ainda fiquei nas fitas K7s, pois não tinha aparelho que tocava vinil e também não tinha dinheiro, vivia de mesada mas depois que ganhei um aparelho da minha mãe, Dona Maria, aí fui juntando dinheiro e começou a coleção. Meu primeiro vinil foi da banda Twisted Sisters, “Come Out And Play”, que comprei na loja Big Dário”, conta.
Julio também revela uma história curiosa que aconteceu com ele na época em que os CDs chegaram e viraram sensação: “Quando saiu o CD eu fiz a besteira, que muita gente fez de trocar os vinis por eles. Vendi a coleção de vinil a preço de banana para pegar CD. Tudo bem, admito que foi uma época e um gosto. Vendi vários e depois com o tempo fui recomprando. Numa destas recompras eu comprei um vinil que era meu e não estava comigo há mais de 20 anos. Eu sei porque no começo eu colocava uma etiqueta com as minhas iniciais e o número do vinil na minha coleção. Isso foi bem legal, o disco rolou por anos e voltou para a minha casa”.
O colecionado afirma que apesar do grande número de vinis tem um ainda que ele sonha em ter: “A banda é o Sarcófago e o disco é o “Crush, Kill, Destroy”. Virou um item muito caro e não achei nenhuma edição em perfeito estado. Estou satisfeito com o que tenho mas se surgir uma oportunidade e ela for boa acho que não vou pensar duas vezes”, conta em tom bem humorado.
Perguntado sobre o que representa ter essa memória dentro de casa, Julio diz: “É algo totalmente nostálgico para mim, pois são coisas que marcaram alguma época em minha vida, acho que a música tem esse poder, de ir marcando as nossas vidas. Mas hoje com a praticidade e a qualidade, eu ouço mais música no formato digital. Muitas vezes estou ouvindo um álbum pelo streaming, mas acabo pegando o disco físico para ficar vendo a capa, o encarte e sentido que aquilo existe, é algo meio doido, coisa da minha geração. Mas eu penso que o mais importante é sempre ouvir música de boa qualidade, seja qual o estilo for, pois isso muda os nossos sentimentos e cria memórias”, finaliza.
Quem também é um apreciador do disco de vinil é Jhonny Ferreira, 58 anos. Há mais de três décadas ele é proprietário da loja Outras Histórias Sebo & Gibiteria, localizada na Rua 6 nº 1337, que reúne a cultura através da música, livros e quadrinhos. No local tem quase 2 mil discos de vinil, uma paixão que começou ainda criança: “O primeiro disco que eu ouvi eu tinha uns seis anos de idade. Não era nem LP, era aquele 78 rotações do Elvis Presley. Um disco um pouco menor, de 10 polegadas. Era girava em uma rotação maior e tinha uma música de cada lado”, conta.
Sobre a paixão que gira na vitrola, Jhonny não tem dúvidas e aconselha: “Éa melhor maneira de ouvir música. A mais longeva e charmosa forma de se ouvir música. Tem todo um ritual de você pegar o disco, colocar no toca disco, tirar o encarte, ler as letras, ver os músicos participantes no disco. Uma experiência única”, finaliza.