Cirurgia de Parkinson traz esperança para pacientes com a doença

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Sueli Aparecida Seneme foi diagnóstica com Parkinson aos 40 anos de idade, doença que afeta os movimentos da pessoa. Hoje, aos 64, está vivendo com mais qualidade de vida após se submeter a um tratamento cirúrgico. Operada no último dia 26 de abril, quatro meses depois se sente renovada e disposta para fazer tarefas que antes eram impossíveis.

“Antes da doença, eu vivia uma luta diária. Cada dia que passava eu tinha esperança de melhorar, mas sempre piorava. Não foram fáceis esses anos. Eu vivia na cama, não conseguia andar, não tinha estímulo para nada. Agora, voltando à rotina, aos poucos, já consigo fazer almoço, lavar louça, varrer a casa e até ir ao supermercado”, destaca Sueli Aparecida.

O Parkinson é uma doença neurológica que afeta os movimentos da pessoa. Causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio, além de alterações na fala e na escrita. A grande arma da medicina para combater o Parkinson são os medicamentos, mas que, no caso da paciente, estavam no limite. Desta forma, o neurocirurgião Dr. Antonio Carlos Vieira sugeriu a cirurgia, a primeira a ser realizada em Rio Claro.

“A Sueli foi uma paciente bem indicada para realizar o procedimento. Estávamos com uma resistência terapêutica alta, chegando ao limite dos medicamentos que estava usando. Conseguimos fazer uma programação com os eletrodos que se encaixou perfeitamente a ela, com melhoras dos sintomas em 90%”, explica o profissional.

Não existe cura para a doença, porém ela pode e deve ser tratada, sendo a cirurgia indicada para casos específicos. “Infelizmente, não são todos os casos que se encaixam no protocolo da cirurgia. Os casos selecionados estão relacionados à falha terapêutica, pela qual os medicamentos já não fazem mais efeito. Os pacientes precisam apresentar, por exemplo, cognição plenamente estabelecida para resposta positiva à cirurgia”, reforça.

Conforme explica Dr. Antonio Carlos, trata-se de procedimento de alta complexabilidade, pelo qual são implantados dois eletrodos nos hemisférios cerebrais, nas regiões definidas por exames de imagem. “Os eletrodos são conectados a um gerador (marca-passo) que irá emitir uma corrente elétrica fazendo com que a região seja estimulada. Consequentemente, conseguimos diminuir por completo ou atingir um percentual alto da redução dos sintomas da doença, como tremores e lentidão. No entanto, Parkinson é incurável, o que acontece é o controle da doença e, também, a redução dos medicamentos”, reforça o neurocirurgião.

Para quem sofre da doença, desde que se enquadre no protocolo médico, a cirurgia está disponível na rede pública e particular de saúde. “Há centros que são atendidos pelo SUS que disponibilizam a cirurgia. Na rede particular e convênio, o procedimento é oferecido”, conclui.

No caso de Sueli Aparecida Seneme, a cirurgia foi um sucesso. As dificuldades enfrentadas nos últimos vinte anos deram lugar a dias mais prazerosos e com a retomada da vida da paciente, resgatando a autoestima e o desejo de toda mulher: o de viver bem ao lado de sua família.

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