João Paulo durante gravações do filme. Foto: Pandora Filmes

Sem dúvida nenhuma, 2020 foi um ano diferente para o cinema mundial. Diferente, neste caso, pode ser substituído por difícil, já que a pandemia afetou desde a produção de obras cinematográficas, até o lançamento das mesmas, fazendo com que a indústria sofresse. Mesmo com essas dificuldades, o ano foi de glórias para o cineasta rio-clarense João Paulo Miranda Maria.

Desde 2015, João trabalhava em seu primeiro longa-metragem, o “Casa de Antiguidades” e, em 2020, conseguiu finalizá-lo e apresentá-lo pela primeira vez. O “nascimento” do filme teve uma repercussão positiva enorme, projetando o nome de João Paulo Miranda Maria entre o meio do cinema. As conquistas, no entanto, não surgiram do nada e foram frutos de muito trabalho.

“A realização de um longa-metragem é algo muito complexo, de muitas fases, que as pessoas não imaginam. A filmagem em si levou apenas quatro semanas, porém todo o processo de escritura e preparação levou anos. Depois, a montagem na Europa, com efeitos visuais e sonoros, durou mais oito meses. Realmente foi um processo longo, ainda mais por se tratar de meu primeiro longa-metragem, numa estrutura profissional de produção e distribuição. São muitas dificuldades, tanto para abrir espaço e entrar no mercado, como também de realizá-lo numa linguagem original de grande risco. O tempo todo surgem obstáculos para provar uma visão artística. Por esta razão, há a necessidade dos festivais para reconhecer quais são as obras originais que merecem um maior apreço artístico. Foi aí que meu filme foi o único latino-americano que fez parte da Seleção Oficial de Cannes; assim como em outros festivais e prêmios que o filme já carrega. Isto ainda não é o lançamento, pois o oficial só ocorrerá quando ele estiver disponível no circuito comercial. Até o momento o filme apenas foi apresentado em festivais, ganhando o reconhecimento artístico. Digamos que ele nasceu em 2020 e que, a partir de agora, ele será visto e apreciado, tendo sua vida própria, pois o filme fica pra sempre”, comenta o cineasta.

A repercussão e o sucesso de “Casa de Antiguidades”, não surpreenderam, exatamente, o criador do filme, mas mesmo assim o fizeram se sentir realizado pela obra criada: “Não vejo como uma surpresa, pois eu já estava em busca disto, mas querer é uma coisa e poder é completamente outra… Quando eu fazia curtas-metragens estava concorrendo com realizadores desconhecidos, como eu. Agora, com longa-metragem, é uma concorrência muito maior, pois é um espaço de disputa entre todos os conhecidos e já consagrados. Abrir um espaço pela primeira vez com longa-metragem é muito difícil. Haviam me dito que, nos últimos 20 anos, nenhum vencedor da categoria oficial de curtas de Cannes havia conseguido voltar com um longa selecionado. Saber que meu filme estaria em competição oficial este ano é algo muito importante! Pra mim, foi o ano de transição completa, onde à partir de agora sou um cineasta reconhecido entre grandes nomes e não mais como apenas uma promessa, agora é um fato. E como outros desafios na minha vida, este momento de transição veio no ano mais singular de todos”.

Essa mudança de patamar na indústria do cinema a partir do longa-metragem, fez com que João Paulo Miranda Maria conseguisse espaço para buscar voos cada vez maiores na carreira e abriu portas para o sucessor crescer ainda mais no futuro. “Depois da estreia do filme no Festival de Toronto e de San Sebastian, a famosa revista Variety fez uma matéria com 17 importantes críticos internacionais, divulgando uma lista de apostas para o Oscar 2021. Aí foi a grande surpresa de ver meu filme nesta lista entre os cinco potenciais nomeados… Depois desta repercussão internacional, acabei assinando acordo com a maior agencia de Hollywood, a CAA, a representa grandes estúdios, atores e diretores. Eles me apresentam roteiros e possíveis parceiros para projetos mais ambiciosos”, explica João Paulo.

O sucesso não faz com que o cineasta se acomode, mas sim exatamente o contrário. Com isso, João Paulo Miranda Maria já dá os passos para suas próximas obras e para crescer ainda mais na carreira: “Até agora estou desenvolvendo três novos projetos. Um que será ainda filmado em 2021 (Deusa das águas) e trata-se de um projeto em realidade virtual para museus que filmarei no Maranhão. Também estou escrevendo os roteiros de meus dois próximos longas-metragens: um que será realizado na Amazônia e outro nos EUA. Cada vez mais vejo meu trabalho como uma missão de vida, tenho grandes pretensões em contribuir para a história do cinema e deixar minha marca. Assim, à cada novo passo quero chegar ainda mais alto, oferecer algo mais profundo e forte. Tenho muitas coisas a dizer sobre meu país e sobre o mundo e estou apenas começando”.

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