Novo diretor do PAT discorre sobre projetos a serem implantados na unidade de Rio Claro

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Antonio Archangelo

Depois de ser exonerado do Procon, Santoro ocupa a diretoria do Posto de Atendimento ao Trabalhador e do Banco do Povo
Depois de ser exonerado do Procon, Santoro ocupa a diretoria do Posto de Atendimento ao Trabalhador e do Banco do Povo

Esta semana, o Jornal Cidade entrevistou o novo diretor do Posto de Atendimento ao Trabalhador de Rio Claro, o advogado Sérgio Santoro (PMDB), confira a entrevista:

Jornal Cidade – Como foi assumir o Posto de Atendimento ao Trabalhador e a diretoria do Banco do Povo?

Sérgio Santoro – Entrei e ninguém me cumprimentou. Descobri que estavam assustados pela ‘minha fama’. Fiz uma reunião com eles e disse que nunca me veriam dar um berro, mas teriam que fazer as coisas do meu jeito. O problema que vejo é que as pessoas desprezam os funcionários mais simples, para mim é tudo igual. Assumi em 18 de abril. Primeiro, peguei um órgão totalmente, não vou falar abandonado, mas sem inovações. Fazia dois anos que não tinha diretor. E, no meu segundo dia, a primeira coisa que fiz: implantei orientação jurídica gratuita. A OAB não pode atender gratuitamente, na Avenida 5 não atendia mais. Ou contrata um advogado particular ou utiliza o sindicato da classe. Detectei isso e implantei, através de advogados voluntários, sem custos para o município, a orientação jurídica. Depois, criamos uma assessoria de imprensa própria. Começamos um trabalho muito forte de divulgação. Implantei o aplicativo de vaga para o celular. O PAT, que oferecia 35 vagas/dia em média, agora ultrapassou 100.

JC – Qual o motivo de tal êxito?

Santoro – O PAT nunca teve veículo, agora tem. Conseguimos um veículo e um motorista à disposição. Estamos visitando grandes empresas, que já estão utilizando os serviços. As grandes empresas não prestigiavam o PAT e isso está começando a mudar. Já temos grandes empresas que estão fazendo com a gente. Mandei pintar todo prédio, troquei o layout, fiz isso no terceiro dia. Em cima disso, abrimos um programa de rádio para divulgar e agora vêm os novos projetos.

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JC – Quais os novos projetos?

Santoro – Quero transformar o PAT em Defesa do Trabalhador em Rio Claro, baseado na experiência à frente do PROCON. O trabalhador poderá fazer denúncias. Iremos entregar no dia 3 de agosto nosso posto avançado de conciliação extrajudicial. Só existe em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, feito através de convênio com o governo do Estado e Secretaria do Trabalho. É uma grande meta. Vamos transformar numa defesa do trabalhador, que tenha direitos garantidos. O PAT Móvel também é um projeto que baseei no PROCON Móvel, onde o trabalhador poderá dar entrada na carteira de trabalho, dar entrada no seguro-desemprego. Tem gente que não tem dinheiro para pegar um ônibus e vir ao centro da cidade. Com previsão de entrar em funcionamento em agosto e ficará 5 dias em cada bairro, uma vez por mês. Em outubro faremos o primeiro feirão de emprego. A ideia é levar 5 mil pessoas e levar as vagas de empregos para os trabalhadores. A ideia é oferecer de 500 a 800 vagas/dia. Dinamizei o time de emprego, curso que dura doze semanas. Também retomamos a entrada no seguro-desemprego. Até então somente o Poupatempo estava fazendo o trabalho.

JC – Como vê as notícias negativas no setor?

Santoro – Complicadíssimo, tenho me deparado no PAT, chego às 8h e vejo a expressão no rosto das pessoas, é de cortar o coração. Vejo no rosto das pessoas, aluguel atrasado, contas atrasadas… Está complicado. Teve uma semana de junho que o PAT chegou a atender 553 pessoas, pela primeira vez. Pifou até nosso sistema se senhas. O PAT existe há 18 anos e nunca tinha atendido este número de pessoas.

JC – Tem perspectiva de melhoria no cenário de crise?

Santoro – Não vejo melhoras. O trabalhador infelizmente não tem informação necessária. No cenário global, estamos vivendo uma crise declarada de dispensa, medo em relação ao panorama político e social, que está influenciando as empresas. Nunca vi uma crise destas. Este ano não tenho perspectivas, em termos globais. Local, tenho uma esperança de melhora por causa deste trabalho de captação de vagas que estamos realizando. Recebo de 10 a 12 mensagens de consulta pessoal pedindo emprego. O que temos feito é ter uma seleção maior. Muita gente tem qualificação, mas não sabe se portar durante as entrevistas e perde a vaga. Brincos, tatuagem, roupa, e com isso assusta o contratador. Muitas não sabem fazer um simples currículo…

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