Folhapress/ Francisco Lima Neto

A juíza Ana Cristina Paz Neri Vignola, em decisão liminar na sexta-feira (22), proibiu novos lançamentos de paraquedistas e voos em áreas urbanas de Boituva, no interior de São Paulo. A medida foi tomada depois da morte de um aluno de paraquedismo que caiu sobre a cobertura de uma casa no bairro Cidade Jardim, na última terça-feira (19). Cabe recurso, e a escola Wow Paraquedismo já recorreu da liminar.

A vítima é o empresário Andrius Jamaico Pantaleao, 38, morador de Diadema, na região metropolitana de São Paulo. Durante o voo, nem o paraquedas principal nem o reserva abriram.

Segundo trecho da decisão, há indícios nos autos de que os alunos de paraquedismo são liberados para o salto, inclusive sobre áreas urbanas, por isso, proibiu liminarmente todas as escolas de fazerem o lançamento de paraquedistas, bem como voos em áreas urbanas da cidade de Boituva. Em caso de descumprimento a multa diária é de R$ 50 mil.

“(…) para que se evite que pessoas, coisas, objetos e aviões caiam, literalmente, sobre a cabeça e residência dos munícipes, protegendo-se, dessa forma, a salubridade dos cidadãos boituvenses, ofertando-se mais segurança a todos”, escreveu a juíza na decisão.

Além disso, a juíza Ana Cristina Paz Neri Vignola suspendeu todas as atividades da escola Wow Paraquedismo, da qual Pantaleao era aluno, até a conclusão do laudo pericial que pode determinar as causas do não funcionamento dos paraquedas que causou a morte do empresário.

A juíza, que é de Porto Feliz e acumula a 2ª Vara de Boituva, também solicitou que o responsável técnico do Centro Nacional de Paraquedismo esclareça e comprove documentalmente a área de salto permitida para o Centro Nacional de Paraquedismo em Boituva, esclarecendo se o salto do empresário foi realizado dentro da respectiva área.

“Além disso, considerando a gravidade do fato sob apuração, informe se é possível e se há interesse na alteração da referida área, por iniciativa do próprio Centro Nacional de Paraquedismo, a fim de que seja alocada fora da região de maior densidade populacional do Município de Boituva”, questionou a juíza.
A Wow Paraquedismo disse que já foi notificada da decisão judicial e suspendeu as atividades.

“No entanto, o corpo jurídico da empresa já tomou as medidas legais cabíveis, no sentido de discutir a decisão do magistrado de Boituva”, declarou a escola.

A reportagem tentou contato com o Centro Nacional de Paraquedismo de Boituva via rede social e telefone fixo, mas não recebeu resposta.

O delegado Emerson Jesus Martins disse que apura se houve falha humana ou no equipamento, que foi apreendido para perícia. “Também precisamos saber porque ele saltou em área urbana.”

De acordo com a Wow Paraquedismo, Pantaleao havia concluído o curso teórico e realizado 45 minutos de treinamento em túnel de vento, “sendo que o obrigatório é de 30 minutos”.

Outras mortes

O empresário foi a quarta vítima durante salto de paraquedas em Boituva neste ano.

A paraquedista Bruna Ploner, 33, morreu em um acidente no Centro Nacional de Paraquedismo de Boituva, em 24 de abril. Ela filmava outro paraquedista quando colidiu contra o solo.

Em 11 de maio, dois paraquedistas morreram e outras 14 pessoas ficaram feridas após o avião em que estavam atingir uma torre de alta tensão e cair. Um dos mortos foi André Luiz Warwar, 53, e o outro foi o instrutor Wilson José Romão, 38.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.

Mais em Dia a Dia: