Olha, se você estiver na estrada e por acaso cruzar com um Volkswagen TL Amarelo Safari pode ter certeza que ele é o ‘Quindim’ – um carro fabricado em 1973 e que no currículo, tem muita, mas muita história para contar. E isso é o que não vai faltar nesta edição do ‘Meu Carro, Meu Xodó’.

Uma das paradas do ‘Quindim’ foi na Argentina com o seu proprietário, o carioca Rafael do Nascimento Santos, de 43 anos, e seu co-piloto aventureiro Felipe Outeiro Pinto. Ele fez o trajeto de aproximadamente 5000 quilômetros, no total, partindo da Cidade Azul para para Curitiba, passando por Porto Alegre, Chuí, cidades do Uruguai, Buenos Aires, retornando por Foz do Iguaçu e Londrina.

“Fomos para a Autoclássica, que é o oitavo maior evento do mundo relacionado ao antigomobilismo. A viagem foi uma aventura e tanto e claro, super planejada. Atravessamos o Uruguai em um dia de viagem até Colônia de Sacramento, para fazermos a travessia do Rio da Prata, rumo a  Buenos Aires, por barco. Foi incrível. Por onde ele [o carro] passava, era um evento à parte”, relembra.

Na volta, Felipe passou por um trajeto ainda mais longo e sem paradas. Segundo ele, foram 1.300 quilômetros rodados, com chuva de Buenos Aires até Foz do Iguaçu, região oeste do estado do Paraná. De lá, rumaram para Londrina e seguiram até chegarem de volta à Rio Claro. “O carro não apresentou nenhum problema. Fomos trocar o óleo após 500 quilômetros rodados, depois da viagem”, comenta.

Desde que adquiriu o veículo, em 2016, o engenheiro já passou por vários lugares, vendo paisagens de tirar o fôlego como a Serra do Rio do Rastro, no sul do estado de Santa Catarina, a Serra da Graciosa, no Paraná, e várias cidades do Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“No trajeto, muitos motoristas de caminhão não entendiam o que um TL amarelo estava fazendo no meio do porto de Paranaguá onde só tinha caminhão de cargas pesadas. Uma aventura e tanto, mas sempre buscando a confiabilidade do carro, já que  cada viagem curta, era um quilômetro a mais que podíamos percorrer na próxima, e na próxima”, diz.

Entrando para a família

O carro chegou às mãos do engenheiro há seis anos, quando ele teve que colocar o seu Karmann Ghia para restaurar, e precisava de outro para rodar. Ao JC, contou que a esposa não o deixaria usar o carro dela, em hipótese alguma. O fez comprar outro, mas jurava que ele ia chegar com algo mais convencional. Engano dela.

“Um Celta, um Uno talvez, porém ao me ver chegar com o Quindim , ela ficou transformada e disse que aquilo não era um carro. Mas eu argumentei: para o Detran é, sim. Tem documento, tem placa. E é isso. Fiz uma pequena restauração, pintura e ‘bora’ para o asfalto”.

Sobre o apelido carinhosamente dado de ‘Quindim’, uma reunião foi feita entre os familiares para escolher um nome bonito,  “Porém no primeiro evento em que fui, chegou um amigo e disse: ah, esse carro parece um Quindim, de tão amarelo. Aí pegou! Não foi nada planejado. Colocou e ficou. E não tem como negar, com a cor dele”, fala sorrindo.

Detalhes do ‘Quindim’

O carro foi totalmente restaurado em várias mãos. A  funilaria e pintura foram feitas em Rio Claro pela Funekas. A tapeçaria em couro exclusiva foi projetada em Belo Horizonte. E, o mais importante, a mecânica e a suspensão, sempre mantidas em dia por Filipe Outeiro (CID Motor) para encarar qualquer viagem.

Ao longo da restauração, vários detalhes exclusivos foram desenvolvidos para o Quindim, sendo todas as peças cromadas trabalhadas no estilo engraving pelo artista sorocabano Everton da Kustombike e pinstripes nas colunas, além de tampa de porta luvas feito pelo artista de Porto Ferreira Silvão.

O objetivo, de acordo com o empresário, nunca foi deixar o carro original. Porém, a customização se encontra nos detalhes, sendo vista apenas pelos que se aventuram a enxergar mais de perto, assim como além da gravura das peças cromadas, os desenhos remetem ao lúpulo da cerveja.

A próxima viagem do ‘Quindim’ já está sendo planejada pelo dono. “As longas distâncias eu planejo fazer pelo menos uma vez ao ano. E, as pequenas, sempre que eu consigo uma folguinha. E cada rolê acaba sendo uma aventura. Esse é um dos objetivos. Tirá Lo da garagem sempre que possível”.

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