SEM VIOLÊNCIA: famílias dizem que querem encontrar uma solução pacífica para o caso

Sidney Navas

SEM VIOLÊNCIA: famílias dizem que querem encontrar uma solução pacífica para o caso
SEM VIOLÊNCIA: famílias dizem que querem encontrar uma solução pacífica para o caso

Mais de sessenta pessoas, entre adultos de ambos sexos e idosos, sob a alegação de que estão fartas de esperar para ser contempladas por uma casa própria, decidiram invadir o Conjunto Habitacional Santa Lúcia, no Boa Vista II, localizado no final da estrada de Jacutinga.

Eles agiram durante a noite de domingo (31) e disseram não ter enfrentado muita resistência, já que, segundo a versão apresentada, boa parte dos imóveis estava sem portas. Já outros tiveram que ser tomados à força. A reportagem do JC conversou com alguns invasores, que por sua vez contaram que estão dispostos a resistir, mas que não querem confusão e esperam encontrar uma saída pacífica para o problema.

Maria José Soares dos Santos, por exemplo, observa que ela, o marido e os três filhos não tinham mais condições de arcar com o aluguel e que novos parentes estão prestes a chegar. “Meus familiares que moram em Aracaju, no Sergipe, devem se juntar a nós muito em breve”, explicou.

Eva Vieira apresentou a mesma justificativa, dizendo que o aluguel de sua casa, no valor de R$ 470,00, compromete a renda familiar. “Aqui todos nós somos trabalhadores e não invasores, como dizem as autoridades. Acontece que estamos cansados de esperar por uma casa popular. Eu mesma estou inscrita em programas habitacionais há mais de três anos e até hoje nunca fui contemplada. Temos direito à nossa moradia”, frisou a dona de casa.

CLIMA TENSO

No total, o conjunto habitacional abriga um pouco mais de 150 imóveis, que já vinham sofrendo com a ação de vândalos, conforme notícia publicada no último mês de maio pelo Jornal Cidade. O clima é de tensão e muito medo. No final da tarde dessa segunda-feira (1°), a movimentação de viaturas na região deixou as famílias ainda mais aflitas. Elas temem por uma ação truculenta por parte das autoridades policiais.

A Prefeitura Municipal, por intermédio de sua assessoria de imprensa, esclarece que o empreendimento está sob a responsabilidade da construtora RPS, que por sua vez já teria solicitado a devida reintegração de posse. A Secretaria da Habitação também informa que já esteve no conjunto habitacional para orientar as famílias a desocuparem os imóveis invadidos o mais rápido possível, uma vez que invasores perdem o direito a participar dos programas habitacionais do município.

De acordo com a Secretaria da Habitação, já foi feito processo de seleção para definir as famílias que irão morar no Boa Vista, chamado de Santa Lúcia. Em breve essas famílias participarão de sorteio para saberem em que casa irão morar. A Caixa Econômica Federal enviará à prefeitura a lista dos selecionados a partir dos critérios previamente definidos e da investigação financeira feita pelo banco. São famílias cadastradas que passaram por todas as etapas do processo de seleção e atendem às exigências socioeconômicas do município.

O Residencial Santa Lúcia tem 182 casas, está sendo viabilizado por meio do programa “Minha Casa, Minha Vida” e é direcionado à população mais necessitada, com renda familiar de zero a R$ 1.600,00. O investimento é de R$ 9 milhões.