Café JC entrevista o diretor do Instituto do Rim de Rio Claro

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Fabíola Cunha

A entrevista com o médico Sidney Portilho do Nascimento foi feita pelos jornalistas do Grupo JC Fabíola Cunha e Lucas Calore
A entrevista com o médico Sidney Portilho do Nascimento foi feita pelos jornalistas do Grupo JC Fabíola Cunha e Lucas Calore

Funcionando desde 1985, o Instituto do Rim de Rio Claro trata atualmente 130 pacientes, além de dar suporte aos pacientes renais da Santa Casa de Misericórdia, onde está instalado. Sidney Portilho do Nascimento, nefrologista e diretor do local, falou ao JC sobre aspectos da área.

Jornal Cidade – Quais tratamentos são realizados no Instituto?

Sidney Portilho do Nascimento – Basicamente, hemodiálise. Nós damos suporte para a Santa Casa atender doentes com nefrite, infecção de urina, insuficiência renal sem necessidade de hemodiálise. Hoje em dia, estamos com 130 pacientes fazendo hemodiálise, e mais os internados.

JC – Quais os principais problemas de saúde que levam à hemodiálise?

Sidney Portilho do Nascimento – Hipertensão arterial, depois diabetes e depois nefrite crônica (inflamação renal). A hipertensão é o mais importante: não é proibido ter essa doença, proibido é não cuidar, porque o fluxo do sangue muito forte vai sobrecarregar os ‘filtrinhos’ do rim. Há 1,5 milhão desses pequenos filtros em cada rim, mas morre um hoje, outro amanhã, e vai desgastando o órgão. Diabetes é a mesma coisa: o açúcar em excesso passando nesses filtros inflama e destrói um por um.

JC – E quais os sintomas de uma insuficiência renal?

Sidney Portilho do Nascimento – Pelo menos metade das pessoas não sabe que tem doença no rim, porque não tem sangue na urina, dor no rim, não altera frequência que precisa urinar. Mais pra frente os sintomas são de intoxicação: náusea, vômito, anemia leve, porque o rim não está filtrando o sangue. Aí a pessoa procura o médico.

JC – É comum check-ups anuais em ginecologistas, cardiologistas etc.?

Sidney Portilho do Nascimento – Os cardiologistas comumente pedem exame de rim, fígado, tireoide, exames preventivos. Os de rim são simples: Urina 1 e Creatinina. Ele encaminha se vir algo alterado. Os cardiologistas cuidam dos hipertensos; geralmente, os endocrinologistas cuidam dos diabéticos, então sabem ver quando o rim já está comprometido. Eu não tenho pacientes que passaram em frente ao consultório e falaram: ‘Deixa eu dar uma olhadinha no nefrologista’. Eles foram encaminhados.

JC – Quais as medidas para prevenir doenças renais?

Sidney Portilho do Nascimento – Ingerir bastante líquido, cuidar da hipertensão e diabetes. Pessoas com 60 anos ou mais não devem tomar anti-inflamatórios. Também, não se deve exagerar o consumo de proteína animal. E quem já tem problema renal não pode consumir carambola, é a única fruta proibida para quem já tem comprometimento.

JC – Qual a frequência da hemodiálise?

Sidney Portilho do Nascimento – Três vezes por semana. Ela é indicada quando os rins estão com capacidade de 15% ou menos para diabéticos e 10% ou menos para os outros. Se a doença é crônica, eles vão ser dependentes da diálise. Existe um estigma muito grande porque há 15 anos quem fazia não tinha qualidade de vida, mas hoje não é assim, ela melhora as pessoas, elas trabalham, podem viajar. A hemodiálise é bem regulamentada no Brasil, temos um paciente que viaja com frequência para Brasília, porque com antecedência conseguimos uma vaga para ele fazer o tratamento lá e ele pode visitar o filho quando quiser.

JC – Há pacientes em tratamento no Instituto que estão na fila para o transplante de rim?

Sidney Portilho do Nascimento – A maioria está inscrita, sim. Muitos não querem e têm muitos que não podem, por outras doenças. Não tem idade limite, depende de como está a saúde da pessoa, mas acontece de muitas pessoas com 80 anos nem entrarem na fila, preferem não fazê-lo.

JC – Qual a expectativa de espera na fila para esse órgão?

Sidney Portilho do Nascimento – Para receber um rim de doador vivo, geralmente da família, seis meses desde a comprovação da compatibilidade. Se for de pessoa falecida, não há tempo médio, depende da decisão das famílias para doar. A fila desse tipo é por idade e por compatibilidade, então se surge um rim aqui em Rio Claro para transplante e tem uma pessoa apenas há seis meses em diálise em outra cidade que é totalmente compatível, esse rim vai pra ela. E quem está há mais tempo em diálise, mas não é tão compatível continua esperando.

 

sidney portilho

Diretor do Instituto do Rim de Rio Claro, Sidney Portilho do Nascimento, médico especializado em Nefrologia pela Faculdade de Medicina de Catanduva, nasceu em Indiaporã (425 km de Rio Claro, norte do Estado de São Paulo). Atua como clínico e diretor técnico do Instituto, que atende pacientes pelo SUS e convênios.

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