Jaime Leitão

Até quando conviveremos com números estarrecedores de mortes por Covid, que estão próximos dos 3.000 diários?

Até quando veremos o presidente da República contestando medidas de restrição de governadores e prefeitos, que buscam desesperadamente maneiras de conter a disseminação desse vírus altamente letal?

Até quando se repetirão cenas dantescas como a do paciente que morreu no chão de um hospital sem conseguir respirar e sem leito e respirador para aliviar a sua agonia?
Até quando pessoas inescrupulosas manterão a rotina de caminhar e frequentar os mais diversos ambientes sem usar máscara, como se não estivéssemos em situação de calamidade extrema?
Até quando o Brasil será considerado um pária mundial, ou um vexame mundial, como afirmou o presidente da Câmara Arthur Lira, após saber da morte do senador Major Olímpio, mais uma entre as centenas de milhares de vítimas da Covid?

Até quando haverá medicamentos, oxigênio e respiradores, para uma última tentativa de salvar pacientes que se acumulam em corredores de hospitais superlotados?
Até quando médicos e demais profissionais da saúde resistirão à tensão e esgotamento provocados por cargas horárias intermináveis, em hospitais sem a mínima condição de prestar um bom atendimento a pacientes de todas as faixas etárias que não param de chegar em ambulâncias?

Até quando os coveiros terão que abrir covas e mais covas para enterrar em valas comuns vítimas da insensatez de quem já chamou essa pandemia devastadora de gripezinha?

Até quando continuaremos perdendo parentes e amigos vítimas dessa doença que sofre mutações em velocidade assustadora, sem que haja uma gestão competente com capacidade para detê-la?
Até quando ficaremos esperando que a vacinação saia desse ritmo de tartaruga bêbada e passe a chegar a um nível que possibilite vislumbrar um futuro menos sombrio e menos trágico no médio e no longo prazo?

Até quando ouviremos de amigos e parentes que moram no exterior expressões jocosas como: – Você é do Brasil, o seu país acabou. Ou: – Não chega perto de mim, nunca se sabe se você está transportando o vírus brasileiro.
Até quando deixaremos de passar vergonha com declarações do presidente e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que continuam defendendo métodos não comprovados cientificamente, como a cloroquina, para tratamento precoce da Covid?
Até quando as baladas continuarão a acontecer na contramão de fatos escabrosos de mortes de pessoas que não foram atendidas por falta de leitos, oxigênio e condições mínimas de sanidade?
Até quando irá essa matança?

Até quando?

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