Celebrado anualmente no dia 22 de março, o Dia Mundial da Água coloca em pauta a urgência de repensar a gestão e o consumo deste recurso indispensável para a vida. A data, estabelecida pela Organização das Nações Unidas, serve como um alerta global: embora a Terra seja composta majoritariamente por água, apenas uma pequena fração desse volume é doce e acessível para o consumo humano, tornando a preservação não apenas uma escolha ambiental, mas uma necessidade de sobrevivência.
A importância de proteger as fontes de água vai além do consumo doméstico. Ela é o pilar fundamental para a segurança alimentar, a saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas. No Brasil, país que detém uma das maiores reservas hídricas do mundo, o desafio é o combate ao desperdício, à poluição dos rios e ao desmatamento de matas ciliares, que são essenciais para a proteção das nascentes. A falta de saneamento básico e o uso irracional em setores industriais e agrícolas também pressionam a disponibilidade do recurso a longo prazo.
Preservar a água exige uma mudança de postura que une poder público, empresas e a sociedade civil. Iniciativas como o reflorestamento de bacias hidrográficas, o investimento em tecnologias de reuso e a fiscalização rigorosa contra o descarte de resíduos em mananciais são passos fundamentais. A educação ambiental também desempenha um papel crucial, ao conscientizar as novas gerações de que a água é um patrimônio coletivo e finito, cuja escassez pode gerar conflitos e crises humanitárias sem precedentes.
No nível individual, pequenas ações cotidianas, quando multiplicadas, geram impactos significativos na economia hídrica. Reduzir o tempo no banho, reaproveitar a água da chuva e estar atento a vazamentos são contribuições valiosas. O Dia Mundial da Água reforça que cada gota conta e que o futuro das próximas gerações depende diretamente da forma como cuidamos e valorizamos esse líquido precioso no presente.
RIO CLARO
Ao Jornal Cidade, Didier Gastmans, pesquisador na área de Recursos Hídricos e Coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos e Isótopos Ambientais da Unesp de Rio Claro, falou sobre a captação desse recurso tão fundamental no município.
“Sobre o abastecimento de água na cidade de Rio Claro, a captação é feita basicamente em dois pontos: o Ribeirão Claro e o Rio Corumbataí, que são direcionados às duas estações de tratamento de água existentes no município. O distrito de Assistência é abastecido por águas subterrâneas (poços tubulares). Diversos usuários particulares também fazem captação de águas subterrâneas para seu consumo, especialmente indústrias, postos de gasolina e usuários comerciais”, explica o estudioso.
Gastmans aponta ainda que esses sistemas de captação estão atuando em seu limite, uma vez que a captação é feita a fio d’água, ou seja, diretamente no curso do rio, sem nenhuma represa para acúmulo e armazenamento de água.
“Isso de fato representa um risco, especialmente em momentos de seca, em que as vazões dos rios diminuem devido à falta de chuva. E com os cenários climáticos incertos (diminuição das chuvas, maior intensidade, aumento de temperatura, etc…), esse modelo de captação é bastante vulnerável, pois além da diminuição dos volumes de água, a qualidade também pode ser afetada pela maior concentração de contaminantes, dificultando o tratamento.”.
O pesquisador pontuou ainda que novos sistemas de captação serão necessários para o atendimento da demanda.
“É inerente ao crescimento da cidade, até porque a localização geológica do município não é adequada para a perfuração de poços tubulares com grandes vazões”, disse.
DICAS CLÁSSICAS
Para finalizar, Didier Gastmans dá dicas simples e fundamentais quando o assunto é consumo consciente da água.
“São as clássicas: reaproveitamento da água de lavagem de roupas, fechar a torneira, banhos curtos, verificar a conta de água para ver se não há vazamentos, evitar a lavagem de pisos com mangueira, e por aí vai.”
