A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por intermédio da D.I.G. – Delegacia de Investigações Gerais de Rio Claro, com apoio de policiais civis da DISE, CPJ e da DDM, deflagrou a Operação “Dupla Face”, com o objetivo de desarticular esquema criminoso estruturado voltado à prática de jogos de azar on-line, comércio ilegal de medicamentos e lavagem de capitais.
No curso das investigações, os policiais apuraram que o grupo criminoso se valia de perfis em redes sociais para divulgar plataformas de apostas on-line, inclusive o denominado “jogo do tigrinho”, induzindo seguidores mediante promessas de ganhos fáceis, associadas à ostentação de padrão elevado de vida e à simulação de resultados positivos, com a finalidade de conferir aparência de licitude às atividades ilícitas.
As diligências investigativas também identificaram a comercialização irregular de medicamentos de uso controlado, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, sem autorização legal, bem como a atuação do grupo na dissimulação e ocultação de valores provenientes das infrações penais apuradas.
Segundo apurado havia divisão estruturada de funções entre os principais investigados, compreendendo a captação de clientes e promoção digital, a operacionalização das vendas ilícitas e a gestão financeira das movimentações. As apurações revelaram movimentação financeira superior a R$ 13 milhões, incompatível com a capacidade econômica formalmente declarada e com a origem lícita dos rendimentos.
Em decorrência da investigação e das medidas cautelares deferidas judicialmente, foram cumpridas buscas domiciliares em cinco endereços nos bairros Mãe Preta, São Miguel e Santa Clara 2, em Rio Claro e um em Araras, determinando o bloqueio de ativos financeiros até o montante aproximado de R$ 13,7 milhões, além do sequestro de dois imóveis e três veículos de alto valor, entre eles modelos das marcas Porsche e Mercedes-Benz. Durante o cumprimento das diligências, os policiais civis apreenderam um veículo da marca Porsche, de propriedade de uma das investigadas.
Também foi lavrado auto de prisão em flagrante de uma mulher de 27 anos, moradora do São Miguel, sendo apreendidas oito ampolas de tirzepatida. O referido medicamento é indicado para tratamento de diabetes tipo 2 e, portanto, exige registro junto à ANVISA. O uso, manuseio, transporte e comercialização de medicamentos desprovidos de registro sanitário — sobretudo quando de origem estrangeira — demandam rigorosos cuidados, os quais não foram observados no caso. Na delegacia foi arbitrada fiança de R$ R$ 3.250,00, correspondente a dois salários mínimos, que foram pagos e a investigada colocada em liberdade.
As medidas executadas pela Polícia Civil visaram à interrupção das atividades criminosas, ao aprofundamento da colheita probatória e à garantia da recuperação de ativos de origem ilícita. Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de associação criminosa, exploração de jogos de azar, crimes contra as relações de consumo, comércio ilegal de medicamentos e lavagem de dinheiro.