Foto – Joao Ferreira Santos

O projeto Pró-Arara, coordenado pelo Instituto Brasileiro de Proteção à Natureza (IBPN) e liderado por Rogério Caldas, tem promovido uma transformação histórica nos céus de Araras. A iniciativa surgiu com o objetivo de repovoar a cidade com araras-canindés, espécie que deu origem ao nome do município e que, por muitos anos, esteve ausente da região. Moradores mais antigos lembram que era raro ou praticamente impossível avistar essas aves sobrevoando Araras.

O Pró-Arara foi idealizado pelo IBPN em parceria com a Prefeitura Municipal de Araras. A partir dessa articulação, foi criada uma área específica para soltura de fauna em uma região próxima à divisa com Rio Claro. Paralelamente, foi implantado um centro de reabilitação de animais silvestres no município, estrutura considerada fundamental para o tratamento e recuperação de espécies vítimas de tráfico, cativeiro ilegal e maus-tratos.

Desde o início das atividades, mais de 200 araras-canindés foram soltas na região. Todos os indivíduos passaram por processos de resgate e reabilitação antes de retornarem à natureza. Atualmente, as aves voltaram a ocupar seu espaço natural e reassumiram o papel de símbolo vivo da cidade, sendo cada vez mais comum vê-las voando em bandos ou em casais sobre áreas urbanas e rurais.

Durante entrevista à Rádio JC FM, os biólogos Gabriele Arthur Ercolin e Lucas Ribeiro Correa, ambos do Instituto Brasileiro de Proteção à Natureza, falaram sobre o projeto e a presença das aves na região.

“Nos últimos anos, a presença das araras também se expandiu para cidades vizinhas. Em Rio Claro, elas já são visitantes frequentes de praças e áreas verdes, principalmente na região central, encantando moradores e reforçando a importância da integração regional na preservação ambiental”, apontam.

A expectativa dos coordenadores é que, com o passar do tempo, as araras estejam ainda mais presentes, voando livremente por toda a região.

DESAFIOS

Sobre os desafios, os biólogos explicam que, mesmo diante do cenário positivo, ainda há muito a se fazer.

“Apesar desse avanço positivo, as araras-canindés ainda enfrentam diversos riscos. Muitos desses animais não têm medo de humanos e se aproximam com facilidade, o que tem levado parte da população, mesmo sem má intenção, a oferecer alimentos inadequados, comprometendo a saúde das aves. Além disso, o contato físico excessivo, como permitir que subam nos ombros ou fazer carinho, acaba tornando esses animais ainda mais dóceis e vulneráveis, aumentando o risco de serem capturadas e colocadas em gaiolas. Proteger as araras vai além de admirá-las: envolve uma postura ética de respeito à fauna silvestre e aos limites da convivência, entendendo que o melhor cuidado é permitir que esses animais vivam livres, seguros e desempenhando seu papel no ambiente natural”, explicam.

ALIMENTAÇÃO

“O que fazemos quando vemos um animal silvestre em vida livre?”. A resposta é simples, dizem os biólogos: “podemos contemplá-los. Se der tempo, no máximo, algumas fotos!

“É um privilégio podermos contemplar esses animais, podemos observá-los, por isso precisamos cuidar e erradicar essa ideia de alimentação errônea. Se faz mal para o o pet, também fará mal para um animal silvestre. Caso a pessoa fique preocupada, pois esse animal sempre busca alimento naquele local, faça da maneira correta, ofereça frutas, castanhas, sementes, colocando o alimento sempre no alto, incentivando a arara a pegar no alto, não a descer no chão, pois é melhor para a ave, evitando riscos de atropelamento ou ser atacado ou cães, por exemplo”, orientam.

OCORRÊNCIAS

Outro ponto de preocupação é a morte de araras e de outros animais por eletrocussão. Os acidentes ocorrem principalmente em transformadores e redes aéreas de alta tensão. Segundo o IBPN, já existem padrões internacionais de redes elétricas mais seguras para a fauna, aplicados em outras regiões do Brasil, mas a adoção dessas medidas ainda avança de forma lenta. Além da perda de animais, cada ocorrência pode provocar quedas de energia, afetando moradores e gerando prejuízos econômicos.

Para fortalecer a proteção das aves, o instituto orienta que casos de morte por eletrocussão sejam registrados na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal do Estado de São Paulo, através do link – https://www.webdenuncia.sp.gov.br/depa. O registro formal é considerado essencial para que as ocorrências fiquem documentadas e para ser possível cobrar providências dos responsáveis.

POSSIBILIDADE

O projeto Pró-Arara demonstra que a recuperação da fauna silvestre é viável mesmo em ambientes urbanos, desde que haja planejamento técnico, estrutura adequada e engajamento da sociedade. A volta das araras-canindés aos céus de Araras e de Rio Claro simboliza não apenas a preservação de uma espécie, mas também o resgate da identidade regional e o fortalecimento do compromisso coletivo com o equilíbrio ambiental.

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