Nunca estivemos tão presos às séries. Algumas têm 3, 4, 5 temporadas ou até mais. Quando uma série aparece na Netflix como top 10, ouvimos de amigos a pergunta: – Você ainda não assistiu? Eu tento resistir ao máximo. Sempre preferi os filmes, já que duram geralmente não mais do que duas horas. Já as séries nos prendem de tal forma que ficamos muitas horas e dias vivendo uma espécie de realidade paralela.

Nos últimos dias, fui contaminado pelo vírus das séries. Assisti em dois dias “Missa da Meia-Noite”. Uma mistura de suspense com terror, que nos coloca diante de uma religiosidade que opera no inconsciente das pessoas, fazendo uma lavagem cerebral muito bem arquitetada. Vale a pena assistir.

Saio dessa série, entro em outra, indicação do meu amigo Fausto: “O Método Kominsky”, sobre um ator que durante a sua vida não conseguiu ser protagonista em filmes, mas que desenvolveu um método de ensino que fez com que jovens que sonhavam com o estrelato tivessem uma experiência profunda, representando personagens no pequeno palco da escola do prof. Kominsky, interpretado magistralmente por Michael Douglas, que também é o produtor da série.

Uma série humana, ao mesmo tempo dramática e cômica, que nos faz refletir sobre a existência e o envelhecimento de forma bem humorada e, em alguns momentos, dolorosa. Terminei, parti para a série sul-coreana Round 6.

Extremamente violenta, nos revela uma sociedade profundamente desigual, em um jogo mortífero, assustador. Tecnicamente perfeita, essa série, que vem causando muita polêmica, é um retrato de um país ou vários, onde a desigualdade é uma marca terrível. Serve também para enxergarmos o Brasil. Se você suportar, assista.

Mais uma série: a sueca “Amor e Anarquia”. Tem bastante humor e nos coloca diante de uma sociedade mais livre, mas que nem por isso é perfeita. Gosto de fuçar e encontrar filmes e séries não tão badalados. É uma experiência estimulante.

Essas quatro séries são da Netflix. Recomendo.

O colaborador é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

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