Tentativas de reocupação do prédio da Cesp não tiveram êxito

155

Ednéia Silva

A demolição do antigo prédio da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) foi lamentada por alguns e comemorada por outros. Construído no início do século XX pelo empresário Eloy Chaves (1875-1964) para abrigar a sede da S.A. Central Elétrica de Rio Claro (Sacerc), o imóvel foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O prédio estava desocupado desde 1996, apesar das várias tentativas de reocupação do imóvel.

Fechado há 19 anos, o imóvel foi cogitado para receber a Fundação Municipal de Saúde, a sede do 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM/I) e a Câmara Municipal. Todas essas tentativas não tiveram êxito. A primeira tentativa de reocupação do prédio foi feita em 2006. Através do Decreto 51.085, o imóvel foi cedido para a Secretaria de Segurança Pública (SSP) com a finalidade de abrigar o 37º BPM/I. O projeto não avançou.

Demolição do antigo prédio da concessionária Cesp teve início no último domingo (6)
Demolição do antigo prédio da concessionária Cesp teve início no último domingo (6)

Em 2008, na gestão do ex-prefeito Nevoeiro Junior, cogitou-se a utilização do imóvel para abrigar o setor administrativo da Fundação Municipal de Saúde. Por meio de decreto municipal, o prefeito pediu a desapropriação do prédio. Foi feita licitação para reformar o imóvel. A obra, orçada em pouco mais de R$ 239 mil, incluía reforma do telhado, restauração do forro, piso e revestimento das paredes, reforma dos sanitários, pintura do prédio, restauração da parte hidráulica e elétrica. Os serviços foram iniciados, mas não foram concluídos. Dessa forma, a ocupação do prédio pela Fundação de Saúde não se concretizou.

Em março de 2010, as negociações para reocupação do prédio foram retomadas em reunião entre o prefeito Du Altimari, o deputado Aldo Demarchi e o engenheiro Edson Onishi, representante da Cesp. A prefeitura enviou ofício à empresa confirmando o interesse no imóvel. Essa tentativa também não deu certo.

Em julho de 2011, a Câmara Municipal de Rio Claro começou a negociar a liberação do prédio para se tornar a sede do Legislativo Municipal. A tentativa foi feita pelo então presidente da Casa de Leis, Valdir Andreeta. Em setembro do mesmo ano, a Câmara Municipal recebeu autorização para ocupar o prédio por tempo indeterminado. A autorização foi entregue pelo engenheiro Edson Onishi, representante da Cesp, em solenidade realizada no dia 15 de setembro. No entanto, isso nunca aconteceu porque a legislação impede a cessão por tempo indeterminado. Pela lei, é preciso que se estabeleça um prazo com a possibilidade de prorrogá-lo de maneira sucessiva.

Em dezembro do mesmo ano, o Legislativo manifestou interesse em comprar o imóvel e recebeu prioridade de compra pela Cesp. Com a mudança da Mesa Diretora do Legislativo, o projeto não avançou. Em fevereiro de 2013, a Câmara anunciou a revogação do decreto que autorizava a assinatura de convênio com a Cesp para cessão do prédio em favor da aquisição de uma sede própria para o Legislativo.

Em 18 de novembro de 2014 o prédio foi colocado em leilão com lance inicial de R$ 2.645.000,00, podendo ser pago à vista ou com entrada de 20% e saldo em 24 vezes. O imóvel foi arrematado por R$ 6.520.000,00 pela empresa Dipasa Empreendimentos, dona da rede de lojas Textil Abril.

Prédio foi demolido no último domingo (6)

Depois de anos fechado, o antigo prédio da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), localizado na Rua 4 esquina com a Avenida 4, no Centro, foi demolido. A demolição começou na manhã de domingo (6) e ainda não foi concluída. No local, será construído um novo prédio que irá abrigar a loja Textil Abril, hoje instalada na Rua 3 esquina com a Avenida 4.

O prédio estava em estado de abandono desde a desocupação em 1996. Em novembro do ano passado ele foi leiloado e arrematado pela empresa Dipasa Empreendimentos por R$ 6.520.000,00. Na época, a Cesp informou que o imóvel não era tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), o que impediria sua demolição.

Os trabalhos de demolição estão sendo coordenados pelo engenheiro Ivan Falcão de Domênico. De acordo com ele, a demolição foi aprovada pelo Condephaat e pela Prefeitura de Rio Claro. A aprovação do Condephaat foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 15 de julho deste ano (Diário Oficial Poder Executivo – Seção I – São Paulo, 125 [128] – 43).

“O Egrégio Colegiado deliberou aprovar, por unanimidade, o projeto de construção de edifício comercial em imóvel situado à Rua 4, 1.252, esquina com a Avenida 4, no município de Rio Claro. Esta autorização não isenta o interessado de obter aprovação de seu projeto nos demais órgãos competentes”, diz o texto da publicação (Processo 74.510/2015).

Domênico afirma que o prédio em questão não era tombado e não integrava o patrimônio histórico do município. Segundo ele, depois de quase 20 anos fechado, o imóvel apresentava problemas na estrutura, estava infestado de pombos, além de ter focos de dengue, muitos insetos e mato. O engenheiro conta que no local será construído um edifício comercial que terá seis metros de jardim na avenida e na rua, com café e bancos para uso dos frequentadores.

A prefeitura destacou que o imóvel em questão é particular e antes pertencia ao governo estadual e ficou por vários anos abandonados. Por ter penhoras trabalhistas relativas à Cesp, não pôde ser comprado pelo município. “A Diretoria Municipal de Patrimônio procurou os proprietários do imóvel para manifestar seu interesse na manutenção do prédio ou, pelo menos, de suas características arquitetônicas. Infelizmente, sem sucesso”, disse a administração municipal.

A prefeitura ressalta ainda que vem tomando várias medidas para preservar imóveis históricos do município. Como exemplo, citou as ações desenvolvidas no estádio Benitão, na Estação Ferroviária, no museu, nos monumentos do Jardim Público, prédio da antiga Unesp no Santana e da Escola Chanceler, entre outros. Procurada pela reportagem, a empresa Textil Abril não se manifestou sobre o assunto.

Qual sua opinião? Deixe um comentário: