A primeira semana de outubro de cada ano deixa ansiosos físicos, médicos, químicos, economistas, escritores, defensores dos direitos humanos, que mesmo que não admitam, esperam por essa láurea que tem todo um simbolismo, além do gordo prêmio em dinheiro, que é o Nobel.

Na sexta-feira, dia 8, o Nobel da Paz foi para dois jornalistas de países em que são perseguidos sistematicamente por governos totalitários, nas Filipinas e na Rússia.

A jornalista filipina Maria Ressa sofre censura e ataques do presidente filipino Rodrigo Duterte, por denunciar os crimes cometidos por ele contra a liberdade de expressão e os direitos humanos.

Ganhou também o Nobel da Paz o jornalista russo Dmitry Muratov. O combativo jornal, fundado por ele, já teve seis jornalistas assassinados.

Uma imprensa amordaçada, sem poder veicular fatos verdadeiros, representa ameaça constante à democracia, que, por pior que seja, é melhor do que qualquer modalidade de governo que preza o autoritarismo e a violência e combate de todas as formas o pensamento livre e democrático.

O Nobel de Literatura premiou o escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, radicado no Reino Unido desde os 18 anos e que, apesar de estar distante do seu país de origem, continua próximo da realidade feroz que expõe os seus habitantes a todo tipo de violência. Os romances do escritor desnudam o colonialismo que submeteu os países africanos ao longo dos séculos a toda forma de vileza e crueldade.

O Prêmio Nobel não premia escritores só pelo seu valor literário, mas também pela capacidade dos autores de retratar e desnudar, utilizando a ficção, sistemas de governo completamente avessos à igualdade e à liberdade de sua população.

O Nobel de Fisiologia e Medicina foi um dos mais comentados. Atribuído aos cientistas David Julius e Ardem Patapoutian, esse prêmio representa uma revolução nos estudos sobre o toque e sensações ligadas ao sistema nervoso, o que poderá abrir espaço para descobertas de novos medicamentos para principalmente combater dores crônicas. Quem não tem dor? Certa vez, li uma reportagem que afirmava que em média sentimos cerca de quarenta tipos de dor por dia, das mais leves às mais agudas. Esse prêmio é bastante significativo e representa uma esperança para quem tem com a dor um convívio constante e extremamente incômodo.

O colaborador é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

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