Folhapress

O comando da Polícia Militar de São Paulo afastou das atividades de rua um agente que algemou um suspeito a uma moto da corporação e, depois, arrastou o rapaz por uma ciclovia.

A ação do policial foi filmada por motoristas que passavam pela avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello, região do Ipiranga, zona sul da capital paulista, na manhã desta terça (30), e teve grande repercussão nas redes sociais.

Em uma dessas gravações, um homem compara a imagem do suspeito correndo atrás da motocicleta do PM à de um escravo sendo arrastado por cavalos nos tempos do Império. “Olha! Algemou e está andando igual a um escravo. Vai roubar mais agora”, afirmou o homem em meio a risos.

De acordo com a Polícia Militar, o comando determinou o afastamento do policial do serviço operacional e a instauração de um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar o caso.

Ainda segundo a corporação, a prisão do suspeito ocorreu durante a operação “Cavalo de Aço”, voltada à abordagem de motociclistas, realizada na mesma av. Anhaia Mello.

Por volta das 11h, um motoqueiro fugiu do bloqueio e passou a ser acompanhado por policiais militares. Durante a perseguição, o suspeito dispensou a mochila que carregava nas costas.

Um dos policiais parou para recolher o material, enquanto outro continuou na perseguição. Após perder o controle do veículo, o motociclista suspeito colidiu a moto em uma viatura do Samu.

Ele tentou fugir a pé, mas acabou preso metros depois. Após a detenção, ainda segundo a PM, o policial filmado conduziu o suspeito como mostrado nas imagens para próximo da motocicleta colidida.

Dentro da mochila, ainda segundo versão oficial, havia 12 tijolos de maconha. O suspeito declarou aos policiais que levaria a droga do bairro Vila Prudente para o Jardim Rodolfo Pirani.

Por fim, a PM informou que a ocorrência foi conduzida para o 56º DP (Vila Alpina), onde foi confirmada a prisão por tráfico de entorpecentes e direção de veículo sem permissão.

No distrito, segundo o registro oficial, o suspeito (um rapaz de 18 anos) preferiu ficar em silêncio e manifestar-se apenas e juízo. Informalmente, ainda segundo o registro, ele afirmou que receberia cerca de R$ 150 para transportar o entorpecente.

“A Polícia Militar repudia a forma como o detido foi conduzido, que afronta todos os protocolos da instituição, e reafirma o seu compromisso de proteger as pessoas, combater o crime e fazer cumprir as leis, sendo implacável contra pontuais desvios de conduta”, finaliza a nota da corporação paulista.

O ouvidor da Polícia, Elizeu Soares Lopes, disse que solicitou uma investigação por parte da Corregedoria da PM e disse que a Ouvidoria vai acompanhar o caso.

Para ele, as imagens são “estarrecedoras” e lembram expedientes adotados no tempo da escravidão.

“Não me vem outra imagem na minha cabeça a não ser essa. É um escárnio. A sociedade não pode tolerar um episódio desses, que fere todos os protocolos da PM e atenta ferozmente contra a dignidade da pessoa humana. Ali é uma atitude deliberada para degradar a imagem da pessoa. Submeter o cidadão a uma humilhação plena.”

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