Jaime Leitão

Essa pandemia que não acaba, toda essa angústia causada por ela, nos deixa em um estado que vai da angústia ao desânimo, passando pela tristeza.

Perder amigos e parentes pela Covid-19 nos tira do chão. Ontem mesmo recebi mensagem de uma prima que mora em Batatais trazendo a tristíssima notícia da morte de um primo, o Silvinho, que, depois de vários dias internado em um hospital de Ribeirão Preto, não resistiu e veio a óbito.

Doeu mais ainda ver um vídeo em que ele aparece recebendo oxigênio e dizendo que estava melhor e que logo iria sair do hospital. A minha lembrança desse meu primo é de quando ele vinha com os seus pais, na infância, na adolescência, nos visitar. Agora estava com 51 anos.

Para suprir um pouco esse vazio, as notícias de municípios que estão à beira de um colapso por falta de leitos para pacientes de Covid, é necessário buscar na música, na leitura, na arte em geral, caminhos para sairmos por alguns momentos desse clima estranho, dessa sensação de mundo vindo abaixo.

Visitar os principais museus do mundo, virtualmente, é uma possibilidade que em outras épocas não era possível. Museus como o Louvre, o Prado, o Museu Picasso, o MoMa, em Nova York, e tantos outros, nos deixa mais leves, apesar de tudo.

Ler ou reler obras clássicas, como os romances de Honoré de Balzac, por exemplo. Estou lendo Pai Goriot, desse extraordinário escritor francês. Mas por que não ler Machado de Assis, Jorge Amado, poetas como Charles Baudelaire, Rimbaud, Cesário Verde, Paul Verlaine?

Filmes disponíveis no YouTube , filmes e séries na Netflix. Precisamos sair um pouco da tensão causada pelas notícias terríveis que nos chegam a todo momento.

Em vez de sairmos por aí, a esmo, nos arriscando a contrair esse vírus letal, por que não explorar o lado mais criativo da tecnologia, aquele que nos proporciona viajar por praticamente todas as partes do mundo, entrando em museus, galerias, nos locais que nunca imaginamos visitar um dia, pelo menos não todos eles?
Viajar pela poesia de Drummond, João Cabral, Vinícius de Moraes, pela pintura de Van Gogh, Miró, Leonardo Da Vinci.
Não, o mundo não está acabando. Por esse motivo, temos que cooperar e evitar que o desespero tome conta de nós, nos fazendo ter atitudes impensadas como sair por aí sem usar máscara, ignorando a gravidade dessa situação.

Negar o óbvio é uma atitude insana. Não me canso de repetir isso. Por acaso estou errado?

Temos muito a explorar a partir de buscas na internet. Para que ficar reclamando de tédio por estar em casa? A nossa imaginação pode se abrir a novas descobertas. E essa é a grande oportunidade. Não podemos desperdiçá-la.

Bom final de semana.

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