Jaime Leitão

A política é dinâmica. E muitas vezes surpreendente. A própria eleição de um deputado tão inexpressivo e polêmico como Bolsonaro atesta isso. E em um período caótico, como o atual, com uma crise de proporções gigantescas tomando conta do cenário, novos personagens podem surgir e assumir um protagonismo também surpreendente.

Até dias atrás, poucos conheciam o novo presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Apoiado por Bolsonaro, ele vem surgindo com uma força que poderá fazer dele um sério concorrente ao Planalto em 2022.

Ao contrário de Bolsonaro, ele aparenta ter um perfil equilibrado e, mais do que isso, sabe costurar acordos e pode ser um articulador das reformas, principalmente da tributária.

Não é polêmico como o presidente da Câmara Arthur Lira, que faz muito barulho e reivindica cargos, sem que apresente caminhos factíveis para enfrentar a crise do desemprego e da confusão no Ministério da Economia, capitaneado por um “Posto Ipiranga” que não tem e nunca teve a tal eficiência tão propagada por Bolsonaro antes da eleição.

Com o desgaste de Doria, nessa guerra que não termina com Bolsonaro, abre-se um espaço para um nome que não estava na lista de possíveis presidenciáveis até há pouco.

Vera Magalhães, em sua coluna no “Globo” de segunda-feira, dia 08, afirmou: “Escreva aí: não vai demorar para Bolsonaro brigar com Rodrigo Pacheco, porque ele sabe farejar adversários e vai ver que Pacheco tem uma avenida para disputar a Presidência, diz uma conhecida raposa de Brasília”.

E as raposas experientes da política não costumam errar. Lira, pelo que tudo indica, quer abocanhar cargos, de primeiro, segundo e terceiro escalões, para a sua base. E será fiel a Bolsonaro se o seu grande apetite for satisfeito. Fiel ao presidente até um certo ponto.

Já Pacheco, pelo que se diz nos bastidores, tem uma argúcia e uma capacidade de protagonizar reformas ou mesmo estar na linha de frente de um novo auxílio emergencial, que servirá de trampolim para impulsionar a sua carreira política.

Vivemos em um clima de caos generalizado, propício ao surgimento de novos nomes. Novas raposas? As velhas raposas não se distanciaram do galinheiro, mas sabem que já não têm fôlego para manter o protagonismo ou recuperá-lo.

É difícil prever o que irá acontecer até a eleição de 2022. Mas penso que é bem possível que uma das pedras no caminho da reeleição de Bolsonaro seja Rodrigo Pacheco. Sergio Moro, Mandetta, Huck não parecem ser pedras tão ameaçadoras, estão mais para pedregulhos. E a esquerda? Ainda é um mistério a ser desvendado nos próximos meses. Como eu afirmei, a política é dinâmica, e quem está em primeiro plano hoje pode desaparecer no horizonte de uma hora para outra.

O colaborador é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação.

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