Jaime Leitão

Quem disse que Bolsonaro mudou? Mudou no máximo o tom do seu discurso, que se mostrou corrosivo em quase todas as cúpulas de que participou nesses dois anos e três meses de governo.

A arrogância é a mesma. Citou vários feitos em prol do meio ambiente, contra o aquecimento global, que ocorreram em governos anteriores, bem antes de ele assumir o poder e essa dinâmica de destruição ambiental, que tem na linha de frente o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, aquele que mandou passar a boiada na Amazônia, para transformar extensas áreas verdes em pastos e exploração de minério.

Bolsonaro pediu recursos, dinheiro, de forma indireta, para combater o desmatamento, justamente após o desmonte de uma estrutura de fiscalização e da demissão do superintendente da Polícia Federal na Amazônia, Alexandre Saraiva. Cerca de 400 funcionários do Ibama escreveram uma carta-protesto contra a falta de ação do governo na fiscalização da Amazônia, abrindo espaço para grileiros e predadores de toda espécie.

Quem acredita cegamente em Bolsonaro não se preocupa com o que ele fala nem faz uma checagem para verificar se o que ele diz tem alguma base na realidade.

Mudar o tom e manter uma política predatória em relação ao meio ambiente é incorrer em mais um erro grave, que poderá manter o País em uma situação bastante desfavorável, na contramão dos países que pretendem cumprir o acordo de redução de emissão de carbono na atmosfera para salvar o planeta de uma destruição que será irreversível se não forem tomadas providências com atitude, não com falas vazias. Não são?  

Os próximos dias e meses comprovarão se a fala do presidente tem respaldo em um conteúdo que se sustente em ações e intenções pró-Brasil, não contra, como tem sido em mais de dois anos de uma gestão extremada e extremista.

A visão antiglobalista de Bolsonaro e dos seus seguidores da ala ideológica não apareceu em cena nessa reunião de cúpula. Ficou guardada para uma próxima ocasião.

Um governo que até agora foi negacionista na questão ambiental e também em relação à pandemia dificilmente mudará de rota. Se mudar, será um milagre. Você acredita em milagre na política? Eu não.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.

Mais em Toque Rápido:

Reações variadas

A festa de Bolsonaro

A morte não tem nenhum humor