Entidade que socorre animais em situação de maus tratos é referência em Rio Claro e precisa de ajuda para gastos com os pets resgatados. Somente com uma clínica veterinária parceira valor da dívida é de R$ 110 mil

Entidade foi reconhecida como de utilidade pública na Câmara Municipal após projeto do vereador Serginho Carnevale

A Associação Beneficente “Instituto Anjos de Focinho”, entidade que existe em Rio Claro desde 2016 para prestar ajuda e acolhimento a animais em situação de maus tratos na cidade, precisa de ajuda. A ONG, que depende exclusivamente de doações, fez um balanço dos valores que estão em débitos com fornecedores que prestaram serviços aos pets retirados das ruas, como cirurgias, alimentações, atendimento veterinário em geral, entre outros, e o valor ultrapassa os R$ 110 mil.

De acordo com a diretora Paula Wenzel, a instituição está negativada na Nota Fiscal Paulista, e para poder voltar a receber os recursos destinados através do programa, precisa regularizar os débitos acumulados nos últimos cinco meses. Há pelo menos quatro meses que os resgates foram suspensos pelas voluntárias, uma vez que não há condições financeiras para possibilitar o trabalho a novos e demais animais.

“Hoje a ONG está com uma dívida de R$ 110 mil com nossa clínica veterinária parceira. Isso aconteceu por que a clínica, com o intuito de nos ajudar foi segurando os pagamentos, na hora de pegarmos o valor de uma vez só veio essa quantia tão alta. Tivemos que pedir tudo de uma vez pois estamos inativas na NF Paulista, que é uma das melhores fontes de renda para a entidade. Por questão burocrática, precisamos da contabilidade correta para conseguirmos ficar ativas na Nota Fiscal”, explica.

Com a percepção do montante, as voluntárias foram tomadas por um sentimento de desespero. “Não sabemos o que fazer. A Nota Fiscal era o que mais nos apoiava. O pessoal vai fazer as compras e direciona a NF para nós, e hoje não. Estamos lutando e procurando formas de conseguir arrecadar esse valor”, acrescenta. A diretora do instituto Anjos de Focinho reforça, porém, que essa quantia da dívida é ainda maior.

“Temos esse valor somente com uma clínica parceira. Fora isso temos gastos com casas de ração, farmácias, hotel de cães, fisioterapia, exames. Na ponta do lápis ultrapassa os R$ 110 mil. Vamos pagando no final do mês e há os estabelecimentos que seguram os pagamentos para nós”, explica. Somente nos últimos 30 dias, por exemplo, foram R$ 3 mil somente com exames em laboratórios.

O gasto mensal da entidade gira em torno de R$ 20 mil a R$ 30 mil. “Os resgates estão suspensos. São muitos pedidos de ajuda, não conseguimos dar conta”, lamenta Paula. Pela segunda vez neste ano, a ONG foi contemplada no programa de repasses do IPTU com a Prefeitura. “Foi o que nos ajudou nos dois primeiros meses do ano, mas fora isso sobrevivemos somente com doações”, afirma.

Atualmente o instituto busca tutores para mais de 20 animais ainda sem um lar definitivo. Todos estão em lares temporários de voluntárias. Somente com a pitbull Nala, há uma atenção especial, visto que a cachorra é paraplégica e precisa de tutores dedicados. “Mais do que tudo precisamos que conheçam a ONG e nosso trabalho. O primordial é sermos vistas na cidade, acompanhar nossas redes sociais e a partir disso ajudar. Tem quem manda PIX de R$ 10,00. Fazemos eventos e estratégias para arrecadar os recursos. Esses animais precisam ser adotados. Não conseguimos fazer resgates com esses animais sob nossa tutela”, finaliza.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos a oferecer informação de qualidade e credibilidade. Apoie o jornalismo do Jornal Cidade. Clique aqui.

Mais em Dia a Dia: