Jaime Leitão

Quantas misérias temos diante de nós.  Em primeiro lugar, vem à tona a miséria da fome, da falta de recursos mínimos para sobreviver. Miséria que poderia não existir se os políticos tivessem uma visão altruísta, que aparece em campanha, e que depois desaparece até a próxima eleição.

Quando vejo Bolsonaro brigando com os governadores, penso nessa falta de altruísmo, de solidariedade vinda de alguém que foi eleito prometendo uma nova política, de combate feroz à corrupção.

Enquanto isso, morrem milhares de pessoas diariamente de Covid-19, miseravelmente tratadas, muitas sem ar, no chão ou em uma cadeira de hospital, sem a dignidade mínima que deveria ser um direito garantido de todo cidadão.

Um governo miserável em ideias, em projetos, em ações que contribuam para a diminuição abissal que há entre ricos e pobres, colabora para o avanço do vírus, para que sofra mutações variadas, deixando os cientistas esgotados, assustados, esperando desesperadamente por celeridade na vacinação.

Leio que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello – que provou nesse quase um ano no cargo que não entende nada nem de saúde nem de logística, apesar de Bolsonaro ter apresentado o general como um grande conhecedor de logística – poderá ser nomeado para um novo ministério, o da Amazônia.

Nada surpreende vindo desse governo catastrófico. Pazuello foi avisado, estando em Manaus, sobre a falta de cilindros de oxigênio que se avizinhava, e ele permaneceu lá na sua missão de propagar o kit cloroquina do chefe. A consequência foram dezenas de mortes, de pacientes que morreram sufocados.

Quanta miséria espalhada pelo país. Miséria daqueles que agem de forma contrária às necessidades de uma população com tantas carências. Quase metade dos brasileiros não tem acesso à água potável, sendo obrigados a tomar banho de água imprópria, bebendo da mesma e contraindo todo tipo de doença.

É triste não ver uma luz no fim do túnel. Toda vez que parece ser acesa, o presidente dá ordem para que seja apagada imediatamente.

Não sairemos dessa crise enquanto essa política histriônica, sem pé nem cabeça, permanecer ditando os destinos do País e de todos os brasileiros.

Esse governo vem se esforçando para destruir a cultura, a educação, a arte, tirando recursos desses setores fundamentais em um país civilizado. Só não está conseguindo totalmente o seu intento pela resiliência daqueles que acreditam no seu trabalho e na capacidade de superação que existe não é de hoje.

É muito triste ver tantas mazelas e misérias sem que o presidente demonstre qualquer emoção diante delas. O seu silêncio diante da morte de um ex-aliado, o senador Major Olímpio, por mais que já conheçamos o presidente, foi estarrecedor. Perturbou opositores e aliados. Às vezes penso que o presidente tem um comportamento próprio de um iceberg. Gelo e mais gelo.

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