A médica plantonista da emergência e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Araras, Renata Cressoni Corte, sempre usa as redes sociais para alertar, principalmente os jovens, sobre o aumento dos casos e internações provocadas pelo novo coronavírus na cidade.

Ela pede, também, para que não haja aglomerações, pois o número de pacientes de 25 a 40 anos e com quadros graves da doença internados só vem aumentando.

Em entrevista ao Jornal Cidade esta semana, ela frisou: “Quando vemos jovens apresentando quadros mais graves e até necessidade de intubação, percebemos, ainda mais, a gravidade da doença. E, nós da linha de frente, apesar de termos sido vacinados, nos sentimos expostos e fragilizados. Apesar de tudo, sabemos que temos que fazer o nosso melhor todos os dias”, disse.

Até o fechamento desta edição, nem a Santa Casa nem a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, apesar do pedido insistente da nossa reportagem, informaram quantos pacientes jovens estão internados nas UTIs da cidade, mas a médica reforçou que “o aumento é considerável”.

Ela atribui parte dessa explosão de casos a diversos fatores como: a nova cepa viral brasileira, as aglomerações de fim de ano e Carnaval e também a falsa sensação de segurança que havia entre a população mais jovem, de que o vírus só atingia idosos, o que era mais comum na primeira onda.

“Internamos dias atrás uma jovem de 28 anos. Ela apresentou piora no quadro respiratório. Nos emocionou muito, porque é uma jovem que não estava por aí em festas e aglomerações por já estar em tratamento médico. Temos fé que ela sairá bem,  mas a incerteza nos deixa tristes”, contou.

Renata, que tem dois filhos adolescentes, sente na pele o que tem visto na UTI nos últimos dias. “Sempre oriento os meus filhos para que tenham muito cuidado e evitem qualquer tipo de aglomeração, usando máscaras e tomando todos os cuidados necessários. Sabemos que o vírus está aí e pode nos surpreender em qualquer momento de descuido. Todo cuidado é pouco”, alertou.

Por fim, ela fez um desabafo à reportagem do JC, dizendo que a expressão usada pelos jovens “eu que lute”, também se encaixa no atual momento aos profissionais de saúde.

“De um lado, os profissionais, trabalhando por 12 horas em emergências e UTIs lotadas,  às  vezes sem vagas. E, do outro,  pessoas que negam o vírus e não acreditam na gravidade do que estamos passando. O que pode, em um futuro próximo, levar nosso sistema a um colapso, como já vimos em algumas cidades. Rezo para que isso não aconteça, para que os ararenses tenham consciência. A vacina está chegando, faça sua parte até que ela seja uma realidade para todos”, finalizou.