Jaime Leitão

Não é novidade que a Amazônia esteja em perigo, sendo devastada de maneira cada vez mais acelerada, como apontam dados a partir de pesquisas e observações de órgãos sérios, nacionais e internacionais, que prospectam a imensa floresta com satélites de uma precisão inquestionável.

O que é grave é a postura do governo Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles de transformar grande parte daquele ecossistema em pasto e área de mineração. Salles, em reunião ministerial em 22 de abril de 2020, sugeriu a Bolsonaro passar a boiada, aproveitando o foco da mídia e da sociedade na pandemia. Ricardo Salles nunca poderia ser em um governo sério ministro do Meio Ambiente, mas em um governo que nunca escondeu a intenção de utilizar terras indígenas para colocar milhares de cabeças de gado e explorar minério, não dá para estranhar que Salles ainda esteja à frente da Pasta.

A tendência é piorar, já que a partir de maio a operação Verde Brasil e da Garantia da Lei e da Ordem será retirada, sendo substituída, segundo o vice-presidente Hamilton Mourão, que é também presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, por funcionários do Ibama e do ICMBio. Como há poucos fiscais atuando, e devido à flexibilização da lei, ocorrida por decreto de Bolsonaro, a tendência é que o desmatamento continue firme e forte, deixando o Brasil cada vez mais à deriva da tendência mundial de diminuir a emissão de gases tóxicos na atmosfera, o que afeta não só o País, mas o ecossistema como um todo.

Apesar dos conflitos recentes entre Bolsonaro e Mourão, na questão ambiental sempre mantiveram uma confluência de ideias na intenção de transformar a Amazônia em uma grande área de mineração e também de turismo, tirando dos índios o direito de manter vivas as suas tradições e cultura, que estão sendo cada vez mais dizimadas.

Mourão afirmou que 11 cidades da região serão monitoradas, e que para isso deverão ser selecionados trabalhadores para atuar em caráter temporário.

Tudo indica que quase nada mudará em relação ao que se observa hoje tanto na Amazônia quanto no Pantanal por causa do apetite do governo de permitir a derrubada de árvores e incêndios que ameaçam a vida dos índios, da população ribeirinha e da riquíssima fauna.

O agronegócio também é prejudicado com essa postura antipreservação do governo, já que vários países sinalizaram que deixarão de comprar soja e outras commodities do Brasil.

Na contracorrente do mundo civilizado, o Brasil caminha em sentido oposto ao da busca de meios para evitar uma catástrofe ambiental irreversível. O negacionismo deste governo nos isola de uma maneira como nunca se viu. Estamos fora do mundo. Vivemos uma realidade paralela, graças à visão distorcida daqueles que só pensam em lucro fácil, sem medir as consequências terríveis dessa irresponsabilidade.

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