Estamos por acaso em tempos de festa? Com mais de 220.000 mortos, vítimas da pandemia de Covid- 19 no Brasil, não há o que comemorar, e sim motivos de sobra para lamentar essa tragédia que deveria sensibilizar a todos, inclusive a classe política.

Causou mais do que reprovação, repulsa, a festa organizada por um aliado do novo presidente da Câmara, Arthur Lira, para comemorar a sua vitória.

Festa com cerca de 300 pessoas, em uma mansão de Brasília, quase todas sem máscara, aglomeradas como se a pandemia não existisse.

O deputado Arthur Lira, através de sua assessoria, declarou que não foi ele que organizou o evento. Só que a sua presença demonstra concordância com um evento que não poderia acontecer nesse momento de forma alguma.

Na Câmara, durante a eleição do novo presidente, todos estavam de máscara, depois se esqueceram da existência da mesma. É como se dissessem: – Máscara para quê? O momento é de comemorar.

Quem promoveu a festa foi o empresário Marcelo Perboni, que está sendo acusado pelo Ministério Público de fraudar a fiscalização tributária. Ele nega.

Lira também tem suas pendências. É réu por corrupção em duas ações no STF (Supremo Tribunal Federal). Isso significa que, se o presidente e o vice tiverem que se ausentar do país ou pedir alguma licença por motivo de saúde ou outro, ele não poderá assumir interinamente a Presidência. A sua ex-mulher o acusou de ter sido espancada por ele. Fato grave.

Bolsonaro assumiu desde o início da campanha para a presidência da Câmara o lado de Lira, liberando verbas para deputados com o intuito de conseguir apoio ao seu aliado.

Bolsonaro, que em outras épocas criticou o jeito fisiológico de o Centrão fazer política, o famigerado “toma lá, dá cá”, aderiu a ele sem nenhum pudor, apostando que a vitória de Lira lhe serviria de escudo caso um pedido de impeachment, dentre os mais de 50 já registrados, pudesse florescer e ameaçar o seu mandato.

A escolha da deputada extremista Bia Kicis (PSL-DF) para presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara) repercutiu negativamente até entre alguns deputados governistas.

No seu currículo constam agressões verbais a ministros do Supremo, acusação de produzir fake news e outras manifestações que agradaram à ala ideológica do governo, chocando-se com a democracia de forma agressiva.

Bolsonaro vai para um tudo ou nada. Acuado, ele ataca e se vale de todas as armas que possui para manter o seu discurso avesso aos interesses do país, agradando ao seu público fiel, que já foi maior e que aos poucos vem encolhendo.

NOTA: Por falar em festa fora de hora, preocupa o fato de que negacionistas que resistem a seguir os protocolos de distanciamento social e uso de máscara possam insistir, e isso poderá acontecer, em realizar pequenos blocos clandestinos de carnaval, jogando a favor do vírus e se voltando contra a vida, tão desprezada por aqueles que agem assim.

(O colaborador é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação – [email protected])

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