A ‘angústia’ de adolescentes e jovens saciada nas drogas

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Adriel Arvolea

Psicoterapeuta Ivan Capelatto observa que o consumo de álcool e drogas está relacionado à ‘angústia’(foto Ricardo Lima)
Psicoterapeuta Ivan Capelatto observa que o consumo de álcool e drogas está relacionado à ‘angústia’(foto Ricardo Lima)

Hoje em dia, menores estão tendo contato cada vez mais cedo com as drogas – lícitas ou ilícitas. Mas quais os motivos que levam adolescentes e jovens a esse comportamento: mero prazer, irresponsabilidade ou é algo inerente à idade? Em busca de respostas, o Jornal Cidade dá início à série de reportagens que aborda a problemática junto a especialistas e entidades.

De acordo com o psicoterapeuta Ivan Capelatto, na verdade, o consumo de álcool e drogas está relacionado com um movimento neuropsicológico humano chamado ‘angústia’, que é a sensação de ‘querer prazer e querer evitar desprazer’. Como as gerações mais novas já vivem e convivem com a dificuldade de suportar a frustração, passam a consumir, como as gerações mais velhas, álcool, drogas, ideias suicidas, entre outros agravantes.

“O mundo nem sempre é prazeroso, constrói perdas e frustrações e, hoje, as famílias, a escola e a sociedade não têm oferecido às crianças e aos jovens as chances de aprender a ‘suportar o desprazer, a frustração’. Assim, essa angústia (ilusão psíquica de estar em sofrimento) irá buscar saídas prazerosas, entre elas a química ‘mágica’ de mudar o registro cerebral e psíquico da dor, que é o que o álcool e algumas drogas, principalmente a maconha, proporcionam”, explica Capelatto.

Outro fato é que essa realidade não se restringe às classes menos favorecidas, como difundido socialmente. A questão de classes e de economia não distingue mais aquele que irá ou não usar drogas: o que distingue o pequeno em risco é o tipo de família em que vive. “Pais presentes que suportam com os filhos os efeitos dos limites e das crises resultantes de decepções na escola e no social têm a chance de não verem seus filhos buscando ‘remédios’ para aplacar a angústia”, avalia.

No entanto, a preocupação reside no alto risco de o menor levar o vício para a vida adulta. Tanto o álcool como outras substâncias têm o movimento do vício e a adição dessas substâncias como forma de viver é quase sempre presente na vida adulta. Caso os pais ou responsáveis suspeitem que seu filho use entorpecentes, o psicoterapeuta alerta para mudanças de comportamento que indicam o problema.

“Irritabilidade constante, diferença drástica de atitudes e condutas na escola, em casa e na rua; agitação motora, perda da atenção e da concentração nas aulas e nos trabalhos escolares, sono agitado, perda gradual da memória, perda da afetividade nos meios afetivos”, conclui.

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