As aulas acontecem às terças e sexta-feiras pela manhã, das 8h30 às 9h30.

O mês de abril começou e junto dele a sociedade volta às atenções quanto à luta pela conscientização da Doença de Parkinson. Progressiva e incurável, a doença de Parkinson afeta o sistema nervoso e partes controladas pelos nervos. Dentre os sintomas mais comuns está o tremor em uma das mãos, mas a enfermidade também se manifesta por meio da rigidez e da lentidão nos movimentos.

O intuito da campanha é ampliar a conscientização sobre a doença é promover o diagnóstico precoce e a busca pelo tratamento adequado. Em Rio Claro, há 18 anos que um projeto de sucesso tem levado melhoria na qualidade de vida de dezenas de pessoas diagnosticadas com Parkinson por meio da prática regular de atividades físicas.

É o Proparki (Programa de Atividade Física para Pacientes com Doença de Parkinson), um programa de extensão ofertado gratuitamente pelo Departamento de Educação Física do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, criado pela Profa. Dra. Lilian Teresa Bucken Gobbi (In Memoriam) através do Laboratório de Estudos da Postura e da Locomoção (Leplo), também fundado por Gobbi.

O Prof. Dr. Diego Orcioli da Silva é o atual coordenador-geral do projeto e do Leplo, que atualmente atende a cerca de 35 pacientes de Rio Claro e região. Membro do Proparki desde o início, naquela época enquanto aluno da graduação, colaborou com Gobbi no desenvolvimento das pesquisas e melhorias no programa até que em 2025 assumiu a gestão do programa.

“A maioria, 90% são de pessoas idosas. Vemos muitas evoluções de termos físicos e motores nos pacientes. O Parkinson, majoritariamente, atinge a parte motora do corpo. Então há bastante benefícios na força muscular e melhoria na capacidade de andar e no equilíbrio. Mas temos observado um ganho que vai além, que é a parte psicológica. Essa parte social, com vários idosos interagindo, traz benefícios que melhoram a questão da ansiedade, depressão, motivação. Quando eles têm contatos entre eles, verificam que não estão sozinhos e que conseguem viver uma vida relativamente normal”, declara Orcioli.

O professor explica que o Proparki segue o calendário letivo da Unesp Rio Claro. As atividades acontecem de março a junho e de agosto a dezembro. “Quando a pessoa descobre que tem Parkinson, parece que é o fim do mundo para a pessoa. Quando chegam até a gente, chegam depressivos e vemos essa melhora fazendo a atividade”, acrescenta. Uma novidade recente no programa é uma neuroestimulação a laser em parceria com uma universidade dos Estados Unidos, uma iniciativa que está sendo estudada pela equipe e poderá ser ampliada.

Equipe do Proparki, da Unesp Rio Claro

De acordo com o mestrando Pedro Paulo Gutierrez, que atua na coordenação do Proparki ao lado de Orcioli na Unesp Rio Claro, o exercício físico, além do tratamento medicamentoso, é bastante indicado para o tratamento da doença de Parkinson porque ele consegue atenuar a questão dos sinais e sintomas da doença.

“Por exemplo, pessoas com doença de Parkinson têm muitos problemas no andar, então trabalhar locomoção com eles é extremamente importante para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. A doença acomete a mobilidade. Muitos sinais do Parkinson, sintomas motores, são disfunções no andar. Então trabalhamos o andar, flexibilidade, equilíbrio. Muitos também têm problemas de equilíbrio, caem recorrentemente, então diminuir a quantidade de quedas dessas pessoas é muito bom para eles e melhora muito a qualidade de vida deles”, comenta.

Giulia Torres Rodrigues, graduanda em Educação Física, também colabora no programa de extensão. A cada aula que é realizada, ela executa a aferição da pressão das pessoas idosas que participam do Proparki, além de dar apoio aos estagiários nas atividades físicas. “Por serem idosos, ainda mais com o Parkinson, a gente tem esse cuidado. Então, quando a gente vê que eles estão com uma pressão alta, a gente pede para dar um descanso, esperar 10 minutinhos, aferir de novo pra gente ter essa segurança para eles poderem aproveitar a aula da melhor forma e ninguém se sentir mal ou ter algum empecilho no meio do caminho”, explica. Para interessados em participar do Proparki, é necessária a apresentação do atestado médico do diagnóstico da doença de Parkinson no momento da inscrição.

Qualidade de vida

Olga Sueli Pereira Cristianini, de 71 anos, é a aluna mais antiga do Proparki, fazendo parte do programa desde a sua inauguração. Em depoimento ao Jornal Cidade, ela afirma que graças às atividades físicas realizadas no projeto que têm qualidade de vida.

Olga Sueli Pereira Cristianini, de 71 anos, é a aluna mais antiga do Proparki
Olga Sueli Pereira Cristianini, de 71 anos, é a aluna mais antiga do Proparki

“Trouxe melhorias em tudo. Qualidade de vida, uma saúde mais recuperada. É muito bom. No início da doença eu tinha uma dificuldade para andar porque as pernas congelavam. Hoje não mais. E assim, eu faço os exercícios aqui e faço em casa para ajudar. Para os professores, muito obrigado pela dedicação. Para quem tem o problema do Parkinson, procure fazer exercício, vir aqui ou fazer musculação, e tomar os remédios em horário certo que isso é muito importante. E para os amigos do Parkinson, Deus abençoe a todos”, declarou.

XIV ENCONTRO PROPARKI

O Proparki realiza no dia 15 de abril, no Anfiteatro II do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro (em frente à biblioteca), o XIV Encontro Proparki. O evento é aberto para toda a comunidade, a partir das 19h. Na oportunidade, ocorrerão palestras e atividades voltadas à compreensão e conscientização da doença de Parkinson.

Mês da Conscientização da Doença de Parkinson

Em 1980, o floricultor holandês J.W.S. Van der Wereld desenvolveu uma espécie de tulipa vermelha que, anos mais tarde, viria a representar a luta pela conscientização em torno da doença de Parkinson. A lei que designa a espécie com o nome do médico inglês James Parkinson, responsável por descrever, pela primeira vez, a enfermidade foi sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva – assim como a própria lei que institui abril como o Mês da Conscientização da Doença de Parkinson.

Em 1817, o médico britânico James Parkinson publicou a primeira descrição detalhada do distúrbio, na época chamado de “paralisia agitante”, o que levou a comunidade científica a dar o nome do médico à doença. A escolha do mês remete ao Dia Mundial da Doença de Parkinson, em 11 de abril, data de aniversário de James Parkinson. Há também a celebração no dia 4 de abril como o Dia Nacional do Parkinsoniano.

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