Anvisa autoriza Fugini a vender produtos fabricados a partir de 27 de março, com ressalvas

ANELISE GONÇALVES (RIO DE JANEIRO, RJ, FOLHAPRESS)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revogou, nesta segunda (10), a decisão que que suspendia fabricação, comercialização, distribuição e uso de todos os alimentos em estoque fabricados pela Fugini. A companhia pode vender produtos fabricados a partir de 27 de março, mas há ressalvas.

A agência manteve a suspensão de fabricação dos produtos que contenham os principais alimentos que causam alergias alimentares ou seus derivados. Polpas de tomate utilizadas como matéria-prima, fabricadas ou adquiridas até o dia 27 de março estão proibidas de serem vendidas.

A Anvisa tinha suspendido a venda de produtos pela companhia na data, após verificar “falhas graves” de higiene na fabricação dos produtos durante inspeção sanitária na fábrica da empresa em Monte Alto, São Paulo, a 350 quilômetros da capital.

A fábrica da Fugini passou por nova inspeção sanitária entre os dias 3 e 5 de abril, conduzida pelo CVS-SP (Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo) e pela Vigilância Sanitária Municipal de Monte Alto.

Os órgãos avaliaram as reformas no estabelecimento e as adequações nos procedimentos de acordo com as determinações da vigilância sanitária e o consideraram apto a retomar fabricação.

No entanto, a produção que contém ingredientes alergênicos ainda precisa ser adequada para impedir a contaminação. É necessária avaliação complementar da documentação de controle de qualidade dos produtos em estoque para obter mais informações sobre sua segurança e qualidade.

Relembre o caso da Fugini

No dia 27 de março, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de todos os produtos que estavam no estoque da Fugini.

Segundo a agência reguladora, os problemas estavam relacionados a higiene, controle de qualidade e segurança de matérias-primas e produto final, controle de pragas, rastreabilidade, entre outros.

Sobre o caso, a Fugini disse que a vistoria gerou uma ordem para alteração de alguns processos e procedimentos internos e que as modificações pedidas pela Anvisa já teriam sido realizadas.

No dia 30 de março, a empresa anunciou um recall dos lotes de maionese após uma vistoria da Anvisa constatar a presença de urucum vencido na fabricação de maionese.

A ação abrange todos os lotes de maionese fabricados entre 1º de janeiro e 21 de março de 2023, e nos lotes com numeração iniciada por 354, fabricados entre 20 e 31 de dezembro de 2022. A validade dos lotes vai de dezembro de 2023 a março de 2024.

Em comunicado, a companhia afirmou que houve um “erro operacional” e foi adicionado urucum vencido. O ingrediente representa 0,003% da formulação e não representa perigo à saúde, segundo a Fugini.

POLÍCIA: confira as ocorrências desta terça-feira (11) em Rio Claro

A Polícia Civil de Rio Claro registrou na última quinta-feira, dia 06, mais uma ocorrência de furto de fios e cabos no município. Desta vez foram levados 16 metros de uma residência que estava fechada para locação no bairro Parque Universitário. A vítima, um homem de 58 anos, também relatou a falta de duas torneiras, uma de jardim e outra de pia, além do medidor de energia elétrica. A ocorrência foi registrada às 19h35 desta segunda-feira (10) na delegacia da Avenida da Saudade, no plantão policial.

Furto também foi registrado às 6h20 da manhã de segunda-feira (10) em uma clínica de fisioterapia localizada no Bairro do Estádio, região sul de Rio Claro. A vítima, um homem de 41 anos, saiu da clínica na última sexta-feira (07) e retornou no início da manhã desta segunda-feira (10), onde encontrou o local totalmente revirado. Foram subtraídos medidor de pressão, estetoscópio, chave de fenda, mochila, energéticos e isotônicos, aparelho celular, notebook, aparelho de TV e caneta laser. Também levaram R$ 500,00 em dinheiro. No local foi deixada uma mochila e nela continha o logotipo de uma prefeitura, informação que consta na ocorrência.

E uma tentativa de furto de veículo aconteceu às 9h20 da manhã de segunda-feira (10), na Rua 1 com Avenida 16, região central de Rio Claro. A vítima, um homem de 32 anos, relatou que ao chegar perto do veículo, uma caminhonete Toyota Hilux cinza, placas de São Paulo e que pertence a empresa que trabalha, encontrou o autor do delito no seu interior e ele, ao perceber sua chegada, fugiu. A Polícia Militar foi acionada através do 190 e aprendeu uma chave de fenda deixada pelo criminoso. A ação foi gravada por câmeras de segurança.

Roubo no Jardim Mirassol

Roubo de bicicleta prata Aro 26 foi registrado às 18h de segunda-feira (10) no Jardim Mirassol, região oeste de Rio Claro. A vítima, um menor de 15 anos, iria levar a bicicleta que era de seu pai para arrumar, quando foi abordado pelo acusado que vestia calça, camiseta e tênis na cor preta. O assaltante ameaçou o adolescente, levou a bike e fugiu logo em seguida.

Golpe via WhatsApp

Caso de tentativa de golpe por meio do WhatsApp, seguido de falsa identidade foi registrado às 18h45 de segunda-feira (10) no Parque Universitário, região oeste de Rio Claro. A vítima, uma jovem de 22 anos, relatou que alguém tentando se passar por ela enviou uma mensagem a sua mãe, para que ela realizasse um depósito de R$ 560,00 via chave Pix. A operação não foi realizada, mas a denunciante teme que pessoas próximas possam cair em novas tentativas desse golpe digital.

Falecimentos: confira a necrologia de 11/04/2023

Fernando Luiz Pereira da Silva, Fernandinho – 60 anos. Faleceu dia 8, às 21h20, em Rio Claro. Deixou viúva Liesbete Aparecida das Neves Pereira da Silva, os filhos Bruno c/c Tamires, Jessica c/c Elder, 1 neto, irmãos e sobrinhos. Foi sepultado no Cemitério Memorial Cidade Jardim (Funerária João de Campos).

José Iraci Soares – 86 anos. Faleceu dia 8 em Rio Claro. Era viúvo de Lazara Balduino Soares, deixou os filhos Aparecida, Cicera, Messias, Wilson, Airton e Regina. Foi sepultado no Cemitério São João Batista.

Neldineia Raquel Bastelli – 42 anos. Faleceu dia 9, às 22h40, em Rio Claro. Deixou os pais Guerino Bastelli e Nelciely Aparecida Araujo Bastelli. Foi sepultada no Cemitério Memorial Cidade Jardim (Funerária João de Campos).

Pedro Nelson Traina, Nelson – 92 anos. Faleceu dia 8, às 17h10, em Rio Claro. Deixou sobrinhos. Foi sepultado no Cemitério São João Batista (Funerária João de Campos).

Encenação da Paixão de Cristo em Rio Claro reuniu 3.000 pessoas

A encenação da Paixão de Cristo, realizada em Rio Claro na noite de domingo, no Espaço Livre Centro, reuniu aproximadamente 3.000 pessoas. Inicialmente seriam duas sessões, na sexta e sábado, mas foi realizada sessão única no domingo em virtude da previsão de chuva.

A encenação da Paixão de Cristo voltou a ser realizada em Rio Claro após 8 anos e envolveu mais de 100 pessoas entre atores e figurantes.

A realização foi da Diocese de Piracicaba – Pastoral de Rio Claro, e Prefeitura de Rio Claro, por intermédio da Secretaria de Turismo. Com apoio da TV Oração.

O coordenador da encenação foi o padre João Carlos, da Paróquia Santana. O diretor da peça foi Tiago Megale e a produção geral de Vagner LLari. Nessa edição, Jesus Cristo foi interpretado pelo jovem João Paoli.

Limpeza e corte de matos são feitos em todas as regiões

Várias regiões de Rio Claro estão recebendo serviços de corte de mato e limpeza. Nos últimos dias, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos enviou equipes para a Estrada dos Costas, Jardim América e Bairro do Estádio.

Todo município é atendido com esse trabalho. A prefeitura trabalha por setores de maneira cíclica e ininterrupta.

A população pode ajudar fazendo o descarte correto de materiais. A prefeitura tem ecopontos em todas as regiões, coleta de lixo domiciliar em todos os bairros, coleta seletiva de lixo e cata bagulho.

Também é importante que os donos de terrenos particulares providenciem a manutenção e limpeza de seus imóveis.

Em caso de terreno particular aberto sujo e com mato, a prefeitura, quando está trabalhando na região, faz o serviço e manda a conta para o proprietário faltoso. Essa não é a situação ideal. O melhor é que todos mantenham seus terrenos o ano todo limpo, para que a prefeitura possa fazer a limpeza de áreas públicas mais rapidamente.

Rio Claro já vacina contra a gripe grupos prioritários

Quem pertence aos grupos prioritários para vacinação contra a gripe deve procurar um dos postos de vacinação para receber a dose contra a doença. A campanha começou nesta segunda-feira (10) e em Rio Claro, o atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30, nas unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família.

A campanha prossegue até 31 de maio e nesse período serão vacinados crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade, gestantes, puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde, idosos a partir de 60 anos, professores das escolas públicas e privadas, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas portadoras de deficiência permanente, profissionais das forças de segurança e salvamento e das forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbanos e de longo curso, trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade. A meta é vacinar 90% dos grupos elegíveis.

A vacina da gripe é uma das medidas de prevenção mais importantes para proteger contra a doença e tem como objetivo reduzir internações, complicações e mortes por conta da doença, além de diminuir sobrecarga nos serviços de saúde.

Falta de asfalto e poeira geram reclamações na Rua 21, no Wenzel

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Falta de asfalto e poeira geram reclamações na Rua 21, no Wenzel.

Quem passa todos os dias pela região do Jardim Wenzel encontra as ruas asfaltadas, mas, especificamente na Rua 21, o problema surge. De acordo com a leitora do JC, Eloísa Souza, que trabalha e reside próximo ao local, apenas metade desta via possui asfalto, situação essa que gera diversos problemas.

“A Rua 21 é apenas um quarteirão, estou por aqui há cerca de seis anos e a situação é a mesma ou às vezes até pior. Metade dessa rua é asfaltada, já a outra não, e o fluxo de veículos pesados e caminhões é bem intenso por aqui, na verdade é um desastre total”, relata a reclamante.

O espaço apontado fica entre a Avenida Saburo Akamine e a Avenida 40, onde um trecho dessa segunda também não tem asfalto, segundo a solicitante.

Souza conta ainda que a poeira que se levanta do solo é bastante prejudicial e os estabelecimentos precisam ser limpos constantemente. E aponta também alguns problemas da ordem de segurança.

“A poeira é bem intensa, prejudicial e a limpeza não dura nada, se é limpo de manhã, na hora do almoço está sujo novamente e não é por conta das empresas, pois é sujeira de poeira mesmo, da rua. Sem falar nos problemas ilícitos, todos na região ficam muito preocupados”.

A rio-clarense completa dizendo que já entrou em contato com membros do Legislativo, mas até o momento a reclamação não teve retorno. 

Questionada, a prefeitura municipal de Rio Claro informou que “o trecho em questão é uma ponta de rua, ou seja, trecho que há anos foi deixado sem pavimentação em via majoritariamente asfaltada. A prefeitura tem projeto para asfaltar as pontas de rua de Rio Claro e trabalha para viabilizar o investimento. Com relação às questões de segurança, sempre que observarem indivíduos em atitude suspeita, as pessoas devem acionar a Polícia Militar (190) ou a Guarda Civil (153)”.

Tarcísio autoriza estudos para privatizar Sabesp e todas a linhas da CPTM

CLAYTON CASTELANI (SÃO PAULO, SP, FOLHAPRESS)

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) autorizou nesta segunda-feira (10) a contratação e realização de estudos para privatização da Sabesp e das linhas de trens da CPTM que ainda estão com o poder público.

O anúncio foi apresentado durante o balanço dos cem dias de governo. Os estudos de viabilidade serão contratados pela Secretaria de Parcerias em Investimentos.

Ao falar sobre a Sabesp, o governo comentou que as pessoas “estão menos resistentes” e “mais acostumados aos serviços privados”.

Pesquisa Datafolha, porém, mostrou que a privatização da companhia de saneamento paulista é rejeitada pela maior parcela dos moradores do estado. De acordo com o levantamento, 53% dos entrevistados dizem ser contra a transferência da empresa para a iniciativa privada, enquanto 40% são a favor. A minoria (1%) declara ser indiferente, e 6% não sabem.

Tarcísio reforçou na abertura da apresentação que é preciso cumprir promessas de campanha para que as pessoas recuperem a fé na política.

A privatização da Sabesp foi uma das propostas do governador durante a corrida eleitoral ao Palácio dos Bandeirantes.

Sobre a CPTM, a privatização pretendida pelo governo é para o conjunto das linhas 10-turquesa, 11-coral, 12-safira, 13-jade, além da futura linha 14-ônix, que fará a ligação com Guarulhos, na Grande São Paulo.
Como a Folha de S.Paulo vem mostrando, as duas linhas atualmente concedidas à iniciativa privada, 8-diamante e 9-esmeralda, apresentam uma série de problemas, desde superlotações e atrasos a descarrilamento de trens com passageiros. Os trecos são operados pela empresa ViaMobilidade.

Na apresentação, as parcerias com a iniciativa privada ganharam destaque. Tarcísio mencionou iniciativas para atrair R$ 180 bilhões de investidores para o portfólio de projetos do estado. Além de projetos de mobilidade, como a ligação de trem entre São Paulo e Campinas, o governador destacou que o setor privado participará da construção do novo centro administrativo do governo do estado, na região dos Campos Elíseos.

Tarcísio também assinou nesta segunda a autorizações para a abertura de concursos para contratação 5.400 soldados da Polícia Militar de 2ª classe, além de 200 alunos oficiais.

Também no pacote de privatizações está a desestatização da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia).

Autor de ataque a creche em SC agiu sozinho, diz polícia

CATARINA SCORTECCI (CURITIBA, PR, FOLHAPRESS)

O homem de 25 anos que matou quatro crianças na creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau (SC), na quarta-feira (5), agiu sozinho, segundo conclusão da Polícia Civil após perícia no celular dele.

A investigação está sendo realizada pela Divisão de Investigação Criminal de Blumenau, da Polícia Civil de Santa Catarina.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na quinta-feira (6), o delegado Ronnie Esteves informou que o homem alegou que estava sendo ameaçado por uma pessoa e que teria praticado os crimes para não ser executado, versão que a polícia chamou de fantasiosa.

O celular foi analisado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Diretoria Estadual de Investigações Criminais.

O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, também afirma que até agora não foi encontrado nenhum indício de que o ataque tem relação com algum jogo de internet.

Segundo a polícia, o homem que atacou a creche morava com a mãe em Blumenau e trabalhava como motoboy, fazendo entregas.

Ele tem quatro passagens na polícia: em 2016 (por briga em casa noturna); em 2011 (por ter esfaqueado o padrasto); e outras duas em 2022 (por posse de cocaína e por ter esfaqueado o cão do padrasto).

Após matar as crianças, ele se entregou na guarda do 10º Batalhão de Polícia Militar, sendo preso e levado para o Presídio Regional de Blumenau. A reportagem ainda tenta contato com a defesa dele.

As investigações ainda estão em curso, com depoimentos de pessoas e análise de materiais. O dono da Cantinho Bom Pastor, Aparecido Albertoni Vicente, disse à reportagem que o espaço tem câmeras de segurança espalhadas na creche e que as filmagens já estão em posse da polícia.

De acordo com o delegado-geral, o investigado deverá ser indiciado por quatro crimes de homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de meio cruel, sem possibilidade de defesa e contra menor de 14 anos, além de quatro crimes de tentativa de homicídio, com as mesmas qualificadoras, em relação às crianças que ficaram feridas e precisaram ser levadas para o Hospital Santo Antônio -elas tiveram alta hospitalar na quinta-feira.

A pena para o homicídio simples é de 6 a 20 anos de reclusão, além de multa. Com circunstâncias qualificadoras, a pena pode aumentar de 12 a 30 anos de reclusão.

No sábado (8), funcionários da creche se reuniram para contar para a imprensa como foi o ataque. De acordo com a escola, o homem pulou o muro e entrou na creche no momento em que 25 crianças se reuniam no pátio para uma roda de conversa sobre a Páscoa.

Inicialmente, a direção da creche chegou a cogitar a retomada das atividades entre terça-feira (11) e quarta-feira (12). Mas, a data agora segue indefinida.

O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, decidiu na noite de sábado (8), após reunião com o secretariado, que a rede municipal de ensino deve fazer um recesso de uma semana, a partir desta segunda-feira (10).

“O período de férias será utilizado para organizar legalmente a contratação da segurança privada que atuará nas escolas e creches do município”, explicou ele.

A Cantinho Bom Pastor funciona há quase 15 anos no bairro Velha e atende desde bebês até crianças com 12 anos de idade.

Crescem casos de ataques em escolas: especialistas dizem o que fazer

Antes incomuns no país, crimes têm aumentado

Por Léo Rodrigues (Repórter da Agência Brasil, Rio de Janeiro)

Há doze anos, um jovem de 23 anos invadiu a escola onde havia estudado no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, e produziu um massacre que chocou o país: armado com dois revólveres, ele disparou contra os alunos, matando doze deles e cometendo suicídio em seguida. Na época, o episódio assustador foi tratado pela imprensa como de fato era até então: algo fora do comum no Brasil. Há alguns anos, no entanto, a ocorrência de diversos casos similares tem exigido atenção das autoridades e gerado preocupação em pesquisadores, que apontam caminhos para enfrentar esse cenário. 

Anteontem (5) uma creche em Blumenau (SC) se tornou alvo de um homem de 25 anos que tirou a vida de quatro crianças. Nesse caso, investigações preliminares não apontaram nenhum vínculo do agressor com a instituição. Há menos de dez dias, outro ataque causou uma morte e deixou cinco pessoas feridas na Escola Estadual Thomazia Montoro, no bairro Vila Sônia, em São Paulo. O crime foi cometido por um de seus alunos, de 13 anos. 

Nos últimos anos, outros episódios similares que tiveram grande repercussão no país também foram promovidos por estudantes ou ex-estudantes, como os registrados em Aracruz (ES) no ano passado e em Suzano (SP) em 2019. 

Ataques pelo país

De acordo com mapeamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre casos de ataques em escolas por alunos ou ex-alunos, o primeiro episódio foi registrado em 2002. À época, um adolescente de 17 anos disparou contra duas colegas dentro da sala de aula de uma escola particular de Salvador. O levantamento da Unicamp deixa de fora episódios de violência não planejados, que podem ocorrer, por exemplo, em decorrência de uma briga. 

Foram listadas 22 ocorrências desde 2002, sendo que em uma ocasião o ataque envolveu duas escolas. Em três episódios, o crime foi cometido em dupla. Em cinco, os atiradores se suicidaram na sequência. Ao todo, 30 pessoas morreram, sendo 23 estudantes, cinco professores e dois funcionários das escolas. 

Do total de casos, 13 (mais da metade) estão concentrados apenas nos últimos dois anos. 

Extremismo de direita

A preocupação com a situação levou o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara, a coordenar a criação de um grupo formado por 11 pesquisadores de universidades de diversos estados do país. No final do ano passado, eles elaboraram um documento analisando o cenário e propondo estratégias concretas para a ação governamental. 

Segundo os pesquisadores, esses casos devem ser classificados como extremismo de direita, pois envolvem cooptação de adolescentes por grupos neonazistas que se apoiam na ideia de supremacia branca e masculina e os estimulam a realizar os ataques. Esses grupos disseminam um discurso que valoriza o preconceito, a discriminação, o uso de força e que encoraja direta e indiretamente atos agressivos e violentos. Para os pesquisadores, medidas de prevenção só serão eficazes se atuarem sobre esse cenário.   

“É necessário compreender que o processo de cooptação pela extrema-direita se dá por meio de interações virtuais, em que o adolescente ou jovem é exposto com frequência ao conteúdo extremista difundido em aplicativos de mensagens, jogos, fóruns de discussão e redes sociais”, registra o documento. 

A presença de símbolos associados a ideologias de extrema-direita tem sido recorrente nestes atos violentos. O autor de um ataque realizado em fevereiro deste ano com bombas caseiras em uma escola em Monte Mor (SP), que não resultou em mortos ou feridos, vestia uma braçadeira com a suástica nazista. Artigo similar foi usado no massacre que deixou quatro mortos e diversos feridos em duas escolas de Aracruz em novembro do ano passado. O jovem responsável pelo episódio de violência usava sobre a manga de sua roupa camuflada uma braçadeira com um emblema que era usado por nazistas alemães. 

Siege mask

No recente ataque registrado na Vila Sônia, em São Paulo, assim como no de Aracruz no ano passado, o autor vestia ainda uma máscara de esqueleto. Usada pelo personagem Ghost da franquia de jogos Call Of Duty, ela é conhecida como siege mask e se popularizou em fóruns de gamers extremistas para depois se tornar um aparato de identificação de simpatizantes neonazistas em todo o mundo. É hoje uma marca em atos da extrema-direita. 

Ela aparece, por exemplo, em janeiro de 2021 na invasão do Capitólio, edifício que abriga o Congresso dos Estados Unidos, por uma multidão descontente com a derrota do ex-presidente Donald Trump nas eleições presidenciais do país. Esteve presente também nos atos antidemocráticos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro desse ano. Imagens de câmeras de segurança captaram a imagem de um homem utilizando a máscara em meio ao grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que depredaram o Palácio do Planalto e defendiam uma intervenção militar para depor o recém-iniciado governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Segundo sustentam alguns pesquisadores, a siege mask foi adotada por grupos de extrema-direita por suas semelhanças com a caveira que era usada como emblema pela Totenkopf, uma divisão da SS, organização paramilitar ligada ao Partido Nazista que atuou diretamente no Holocausto. Essa máscara também está associada com o massacre realizado por uma dupla que deixou oito mortos em 2019 na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Um dos responsáveis pelo crime a utilizava em fotos compartilhadas nas redes sociais. 

“Sensação de pertencimento”

A educadora Telma Vinha, coordenadora da pesquisa realizada pela Unicamp, observa que há um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens brancos geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. “Não são populares na turma. Eles têm muitas relações virtuais, mas não tanto presenciais. E nutrem uma falta de perspectiva, de propósito em termos de futuro”, pontuou em entrevista levada ao ar no dia 30 de março pela TV Unicamp. 

A pesquisadora também afirma ser comum a existência de transtornos mentais não diagnosticados ou sem o devido acompanhamento. Esses quadros podem se desenvolver ou se agravar pela dificuldade de relacionamento nas escolas, o que pode ocorrer, por exemplo, com os que são alvos de bullying. Alguns também vivem situações prolongadas de exposição a processos violentos em casa, incluindo negligências familiares e autoritarismo parental, o que contribuem para desenvolver um perfil de agressividade no âmbito doméstico. 

Telma observa que a cooptação tem ocorrido por meio de jogos online, onde há chats paralelos. Dali, se deslocam para fóruns e redes sociais onde há incentivo de violência e discursos misóginos e racistas. No ambiente virtual, esses jovens podem experimentar uma sensação de pertencimento a um grupo que não possuem na escola. O crescimento dos ataques também tem sido relacionado como um possível desdobramentos da pandemia de covid-19. Isso porque o consumo de jogos eletrônicos cresceu durante os períodos de isolamento social, o que deixaria os jovens mais expostos à cooptação por grupos que propagam discursos de ódio.  

Segundo a educadora, na maioria das vezes, não se tratam de crimes passionais, motivados unicamente por vingança ou raiva desencadeada por um tratamento recebido. Os autores planejam fazer o maior número de vítimas, pois têm como objetivo a busca por notoriedade pública e reconhecimento da comunidade virtual.

“Mesmo agindo de forma isolada, acreditam que fazem parte de um movimento, se sentem parte de algo maior”, explica.

Ela também ressalta que o Brasil não está vivendo um fenômeno isolado, mas que casos com características muito similares também estão sendo registrados em outros países. 

Nos Estados Unidos, onde massacres produzidos por jovens em escolas ocorrem há mais tempo e com mais frequência, um levantamento realizado pelo jornal Washington Post mapeou 377 incidentes desde 1999. Considerando somente 2021 e 2022, foram 88, quase um quarto do total. 

No Brasil, de acordo com o mapeamento da Unicamp, os ataques registrados desde 2002 aconteceram em 19 escolas públicas, entre estaduais e municipais, e em quatro particulares. Segundo Telma, os perfis das instituições são distintos. Por isso, não há razão para responsabilizá-las. Ela conta que já conheceu professores que se perguntavam se fizeram algo de errado.

“Não há nada que explique porque aconteceu em determinada escola e não em outra. Pode acontecer em qualquer lugar. Tem escolas localizadas em regiões mais violentas dos que as que foram atacadas. Ataques ocorrem em escolas com diferentes níveis de estrutura”, pondera. 

Caminhos 

Após os últimos ataques, o governo paulista se apressou em anunciar algumas medidas, entre elas a alocação de policiais dentro das escolas e a ampliação de investimento em um programa de mediação de conflitos nas unidades de ensino. Em Santa Catarina, o prefeito de Blumenau prometeu a criação de um protocolo de prevenção para evitar novos casos.

A repercussão dos casos recentes também levou a adoção de medidas em outros estados. O governo do Rio de Janeiro anunciou a criação de um Comitê Permanente de Segurança Escolar com representantes da Segurança Pública e da Educação para atuar na prevenção às situações de violência nas escolas públicas e privadas.

Por sua vez, o governo federal criou um grupo interministerial para analisar propostas de políticas públicas. 

Edição: Heloisa Cristaldo

Violência nas escolas: Cordeirópolis implanta “botão do pânico”

Em entrevista à rádio Jovem Pan News, o prefeito de Cordeirópolis, Adinan Ortolan, e a secretária municipal da Educação, Angelita Ortolan, explicam como funciona o SOS Escola, um “botão do pânico” disponível nas unidades municipais e particulares desde a última quinta-feira (06).

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À esquerda, o prefeito de Cordeirópolis, Adinan Ortolan, e ao seu lado, à direita, a secretária municipal da Educação, Angelita Ortolan.

Bombeiros encontram corpo que pode ser da 3ª vítima de naufrágio em Bertioga

FRANCISCO LIMA NETO (SÃO PAULO, SP, FOLHAPRESS)

O Corpo de Bombeiros encontrou um corpo que pode ser da terceira vítima do naufrágio de um barco que ocorreu em Bertioga, litoral de São Paulo, na noite de sexta-feira (7).

Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo da Polícia Militar, o corpo foi localizado por volta das 21h30 de domingo (9), quando encalhou na prainha Branca, e pode ser de Edson Yoshinaga, 65, a última vítima que ainda está desaparecida desde o acidente.

A família já foi avisa e orientada a comparecer ao IML (Instituto Médico Legal) para fazer o reconhecimento.

O naufrágio ocorreu a cerca de 1 km do canal de Bertioga, próximo ao centro da cidade. A embarcação, com 12 pessoas a bordo, naufragou no fim da noite de sexta-feira. Um homem de 68 anos já havia sido encontrado morto na manhã de sábado (8).

A segunda vítima localizada foi identificada como sendo Júlio César Vicente, 63.

Testemunhas afirmam que os sobreviventes foram encontrados agarrados a pedaços de madeira e isopor. Todos estavam com cheiro de combustível da embarcação, exaustos e com hipotermia.

Segundo o relato, o socorro veio após um dos dois tripulantes conseguir nadar até a praia.

O naufrágio ocorreu a cerca de um quilômetro da praia. O grupo voltava da ilha Montão de Trigo, onde haviam ido pescar. Segundo os relatos, a embarcação virou pouco antes de meia-noite, e os pescadores partiram para o resgate à 1h10.

Defesa Civil alertou ainda na quinta-feira (6) para a ocorrência de fortes chuvas e ventos em todo o litoral paulista.

Jornal Cidade RC
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