MBL lança filme com a versão do grupo para o impeachment

Na guerra de narrativas relacionadas ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, as esquerdas até agora parecem levar vantagem, com a versão de que o ato foi um “golpe”, apesar da derrota sofrida nas urnas em 2018.

Propagada pelo PT e seus aliados e turbinada por filmes como Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, e O Processo, de Maria Ramos, a narrativa do golpe ganhou eco na academia e na arena artística e cultural, no Brasil e no exterior, como se o processo legal não tivesse seguido todos os ritos institucionais, de acordo com as regras do jogo.

Agora, três anos depois de o Senado aprovar o impeachment, em 31 de agosto de 2016, um novo filme pretende mostrar o outro lado da história. Realizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), o documentário Não Vai Ter Golpe mescla a trajetória do grupo e da garotada que o formou, sem qualquer experiência política, com as manifestações pelo impeachment, realizadas desde o fim de 2014, logo após as eleições, até a queda definitiva de Dilma, em 31 de agosto de 2016.

Com pré-estreia marcada para esta segunda=feira, 2, em São Paulo, e exibição em plataformas de streaming a partir do dia 5 (Net Now, iTunes, Google Play, Vivo Play e Looke), o filme apresenta uma retrospectiva em muitos momentos emocionante dos protestos que levaram milhões de pessoas às ruas em todo o País, sem apoio da oposição, então capitaneada pelo PSDB, e sob a desconfiança de muitos analistas, que não acreditavam no sucesso do movimento.

‘Infantaria’

Dirigido por Alexandre Santos e Frederico Rauh, cofundadores do MBL, o filme faz referências à Lava Jato e à crise política e econômica da época e expõe o forte sentimento antipetista que proliferava na sociedade. Mostra também os bastidores e os momentos mais difíceis dos protestos, como as divergências com o grupo Revoltados Online, que defendia uma intervenção militar, e o Vem Pra Rua, que no início resistia a adotar o impeachment como bandeira.

Em algumas passagens, o filme realça o papel desempenhado pelo MBL, que se tornou uma espécie de “infantaria” da direita no País, ao adotar um modus operandi até então exclusivo dos militantes mais aguerridos da esquerda, com ênfase em ações públicas envolvendo seus seguidores.

Entre os feitos exaltados pelo filme, incluem-se a convocação da primeira manifestação contra Dilma, realizada em 1.º de novembro de 2014 em São Paulo, Porto Alegre e Goiânia, e a realização de um acampamento no gramado localizado em frente ao Congresso, em outubro e novembro de 2015, que durou cerca de 40 dias e chegou a ter mais de 70 barracas e a reunir centenas de seguidores.

Com duração de 2 horas e 15 minutos e custo estimado em R$ 300 mil, o filme se viabilizou, segundo o MBL, por meio de doações feitas ao longo do tempo e contribuições de filiados, sem o uso de dinheiro público. Embora correto do ponto de vista técnico, relativamente bem montado e com legendas para facilitar o entendimento das falas, trata-se de uma produção semiprofissional, quase caseira, que se reflete de forma emblemática nas cenas em que os líderes do MBL aparecem bem à vontade na casa que abriga o grupo, na Vila Mariana, na zona de sul de São Paulo, onde muitos deles moravam naquele período.

Mea-culpa

É, no final, porém que o filme aponta para o futuro, ao trazer uma espécie de mea-culpa do MBL sobre a sua contribuição para a polarização política do País. A autocrítica reforça uma posição anunciada recentemente pelo grupo, de ampliar a aproximação com os canais políticos tradicionais e se afastar do presidente Jair Bolsonaro, de quem nunca foi muito próximo, apesar do apoio dado nas eleições.

Com a nova postura, o MBL se tornou alvo de ataques em série disparados por bolsonaristas nas redes sociais. As hostilidades chegaram às vias de fato durante uma manifestação em defesa do ministro Sergio Moro, da Lava Jato e da reforma da Previdência, realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, em 30 de junho, quando um grupo de bolsonaristas agrediu integrantes do MBL.

“Vivemos num País dividido e insensato. Parece uma guerra sem trégua, em que os mais barulhentos dão o tom”, diz o locutor do filme. “Temos culpa nisso? Em parte, sim. São as dores do crescimento.” Em seguida, afirma que o MBL não sabe o que será do futuro, mas agora sabe o que não quer. O futuro do grupo, porém, deverá depender mais de saber o que ele pretende ser do que o que não pretende. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Vizinhos sentem mau cheiro e encontram homem morto em Araras

Ramon Rossi

Um homem, 30, foi encontrado morto dentro de casa no Parque das Árvores, região norte de Araras, na tarde do último domingo (1º). A vítima foi achada por que vizinhos sentiram o mau cheiro vindo da casa dele e desconfiaram de que havia algo de errado.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados até o local, mas encontraram o morador já em avançado estado de decomposição sobre a cama, envolto por um cobertor, como se estivesse dormindo. De acordo com informações obtidas pelo JC, a morte pode ter sido por causas naturais.

O corpo foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Limeira/SP e o laudo da perícia com a conclusão da morte deverá sair nos próximos dias.

Antes de estrear nos cinemas, filme “Coringa” é ovacionado no Festival de Veneza

Marcos Guilherme Veloso – Oficina Geek

O longa “Coringa”, produzido por Martin Scorsese (Taxi Driver) e dirigido por Todd Phillips (Se Beber Não Case), teve sua primeira exibição oficial durante o Festival de Veneza, onde foi aplaudido de pé por oito minutos ininterruptos. Segundo os críticos que já assistiram ao longa, a atuação do protagonista Joaquin Phoenix (Gladiador) deve lhe render o Oscar de melhor ator.

“Coringa” foi descrito como uma obra prima trágica e violenta e até apontado como um marco para a história do cinema, “haverá antes do Coringa. E depois do Coringa” disse um dos espectadores. Com 85% de críticas positivas (segundo o agregador Rotten Tomatoes), houve quem criticasse o longa, apontando-o como culturalmente vazio, ou com uma fraca crítica social.

A obra é a última produção da Warner/DC em 2019 e promete entregar um Palhaço do Crime tão incrível e memorável como o visto em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), que apresentou Heath Ledger como Coringa e rendeu ao ator o primeiro Oscar para um personagem inspirado em quadrinhos.

O filme não terá a presença do Batman nem de nenhum outro herói e também não adaptará nenhuma HQ ou obra em que o Coringa apareceu. É um filme completamente original, que apenas pega pequenas referências das histórias, como o Asilo Arkham e a presença de Thomas Wayne, pai de Bruce Wayne. O ator Joaquin Phoenix revelou que não se inspirou em outras versões do personagem, “me pareceu mais como uma criação propriamente nossa”, disse o ator.

O longa ainda conta com Robert De Niro (Os Bons Companheiros) e Zazie Beetz (Deadpool 2) no elenco, e estreia nos cinemas do Brasil no dia 3 de outubro.

Publicação localiza a família de rio-clarense internado em Jundiaí

Foi solucionado o caso do paciente internado em um hospital da cidade de Jundiaí desde julho. No dia 30 de agosto, o serviço social da unidade médica fez um apelo nas redes sociais na tentativa de localizar os familiares de Cleysson Cristiano da Silva de 36 anos já que a única informação que eles tinham era de que ele seria de Rio Claro. Diante de inúmeros compartilhamentos os parentes foram localizados e fizeram contato com a equipe do hospital e agora já acompanham o caso de perto. Cleysson vivia em situação de rua e no dia 16 de julho deu entrada no hospital trazido pelo SAMU após ser atropelado por um motociclista na Rodovia dos Bandeirantes.

Bolsonaro: vou à ONU nem que seja de cadeira de rodas; quero falar sobre Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a cirurgia que fará no próximo final de semana não o impedirá de discursar na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 24 de setembro, em Nova York. Se for preciso, Bolsonaro disse que irá até “de cadeira de rodas ou de maca”, porque quer falar sobre a Amazônia ao restante do mundo. Tradicionalmente, o Brasil abre o evento. Esta será a primeira participação de Bolsonaro como presidente da República.

“Eu vou comparecer à ONU, nem que seja de cadeira de rodas, de maca. Eu vou comparecer porque eu quero falar sobre a Amazônia. Mostrar para o mundo com bastante conhecimento, com patriotismo, falar sobre essa área ignorada por tantos governos que me antecederam”, disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira, 2.

A cirurgia do presidente está programada para o próximo domingo, dia 8 de setembro. Nesta segunda, Bolsonaro confirmou que a ideia é que ele compareça à cerimônia de comemoração do 7 de setembro, em Brasília, e, ao fim do dia, siga para São Paulo, para se internar para a preparação da cirurgia. Segundo Bolsonaro, o motivo da “pressa” é porque ele deve estar Estados Unidos para a Assembleia Geral no dia 22 de setembro.

Bolsonaro considera que citar a Amazônia no discurso é uma chance que possui para falar ao mundo sobre o assunto. “Eu vou deixar essa oportunidade?”, questionou.

O presidente voltou a criticar uma suposta ingerência externa na Amazônia, que, na visão dele, tem sido vendida para outros países. “A Amazônia foi praticamente vendida para o mundo. Eu não vou aceitar esmola de país nenhum do mundo com o pretexto de preservar a Amazônia, sendo que na verdade ela está sendo loteada e vendida”, disse. 

Sobre a cirurgia, ele avaliou que todo procedimento desse tipo “é um risco”, inclusive por envolver anestesia geral, mas que essa será a “menos invasiva” em relação às últimas três que realizou após a facada. “Essa é a que oferece menor risco, mas eu que estive do outro lado da morte vou passar por um momento igual novamente.”

Com ventos devastadores, Dorian está a caminho da Flórida

O furacão Dorian ganhou força neste domingo, dia 1º, e passou à categoria 5, a mais alta, segundo o Centro de Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês). Por volta das 12 horas locais (13 horas em Brasília), os ventos atingiram 289 km/h e arrasaram algumas ilhas das Bahamas – segundo meteorologistas, é a tempestade mais forte já registrada nesta região do Caribe e a segunda mais forte já formada no Atlântico.

O Dorian seguia no domingo a caminho da Flórida, mas até a última atualização não havia previsão de quando ou onde o furacão tocaria o solo, o que pode nem mesmo acontecer. Meteorologistas acreditam agora que ele possa fazer uma curva rumo ao norte, em direção aos Estados da Geórgia e Carolina do Sul. 

No entanto, no início da noite de domingo, algumas previsões haviam recolocado novamente o Dorianbem próximo do litoral da Flórida. Por precaução, toda a região foi colocada em estado de emergência, a partir desta segunda-feira (2) até quarta-feira. 

Moradores passaram o fim de semana enchendo sacos de areia para servirem de barreiras de proteção. Autoridades fizeram exercícios de preparação para a chegada do furação.

“Os habitantes dos Estados de Geórgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte devem continuar a monitorar o progresso do Dorian e obedecer todos os alertas emitidos pelas agências de emergência”, dizia a mensagem do NHC no Twitter. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, que é proprietário de vários clubes de golfe e hotéis localizados na Flórida, disse que o Dorian “parecia um monstro gigantesco” e cancelou uma viagem à Polônia para se concentrar nos preparativos para a tempestade. “É um dos maiores e mais fortes (e realmente grandes) que vimos em décadas”, escreveu o presidente.

A Guarda Costeira americana informou que embarcações comerciais que navegam pelo Atlântico devem deixar o sul da Flórida o mais rápido possível. Várias escolas cancelaram as aulas de hoje e o Aeroporto Internacional de Orlando chegou a anunciar a interrupção de suas operações, mas voltou atrás no domingo. 

Enquanto os EUA se preparam para o furacão, o Dorian começou ontem a deixar um rastro de destruição nas Bahamas. Hubert Minnis, primeiro-ministro do país, disse que os ventos fortes e as inundações deveriam danificar 21 mil casas e afetar a vida de pelos menos 73 mil pessoas nas ilhas. 

O maior perigo é aumento súbito do nível das águas. Neste caso, autoridades das Bahamas esperam que o mar suba de 5,5 a 7 metros Aliados a chuvas de até 60 centímetros, as inundações seriam devastadoras. 

“Quero que vocês se lembrem: lares, casas, estruturas podem ser substituídas. Vidas, não”, disse Minnis, em entrevista coletiva no fim de semana. “A situação é muito perigosa nas Bahamas”, confirmou o diretor do NHC, Ken Graham.

As ilhas de Ábaco e Grand Bahama, que estão na rota do furacão, são importantes destinos turísticos. No entanto, segundo autoridades locais, mesmo depois dos alertas de emergência e de um intenso trabalho de retirada, 26 turistas ainda permaneciam em locais de risco. “Será um desastre para as Bahamas”, disse Phil Klotzbach, pesquisador da Universidade do Estado do Colorado. “Ábaco será completamente arrasada.”

Feriado

O furacão Dorian chegou em um momento inconveniente para a indústria do turismo no Estado da Flórida. Os americanos estão em pleno feriado do Dia do Trabalho, quando há um aumento do número de visitantes. Apesar dos riscos, porém, a Disney confirmou apenas o fechamento do Blizzard Beach Water Park. Por enquanto, a empresa, que é dona de vários parques temáticos localizados na rota do furacão, disse apenas que “está monitorando” a situação e manterá o restante dos parques abertos (Com agências internacionais).

Rio Claro Basquete enfrenta nesta segunda (2) o São João da Boa Vista

Após três partidas fora de casa, o Rio Claro Basquete volta a atuar no Ginásio Felipe Karam nesta segunda-feira (2), às 20h, contra São João da Boa Vista.

Nas três partidas longe de casa, o Leão venceu São João, São José e perdeu para o Bauru, contabilizando até o momento na competição três vitórias e quatro derrotas. O adversário desta segunda soma até agora sete derrotas e apenas uma vitória no estadual.

O grupo B tem a liderança do Corinthians, em segundo o Paulistano, em terceiro São José e em quarto Bauru. Vale destacar que todos os times do grupo avançam para os playoffs.

Para o confronto, o técnico Fernando Penna terá todo o elenco à disposição, com: pivôs Gerson, Ansaloni e Lucão, ala/pivô Soleira, Pastor e Márcio Dornelles, e armador Jeferson Campos, Alef, Léo Pegaia, Korie Lucious, Cameron Tatum e Enzo Ruiz, além dos atletas da base Eduardo Sanches, Fernando e Bruno.

O treinador fala da importância de conquistar um bom resultado no confronto de amanhã e nas próximas partidas para se reabilitar no estadual.

“O jogo é fundamental para a nossa sequência no campeonato e para entrosar ainda mais o time. Teremos uma semana com três jogos em sete dias, na última partida tivemos o retorno do Ralfi Ansaloni, que é mais um jogador importante e que vai no ajudar. Temos que dar o melhor nesses jogos, fazer os últimos ajustes para conseguir a classificação na melhor posição e se possível ficar entre os quatro primeiros colocados para ter a vantagem de decidir os playoffs em casa. Nosso principal objetivo é esse e, para conquistá-lo, temos que vencer esses dois jogos dentro de casa contando sempre com o apoio do nosso torcedor, que é de suma importância para esse nosso projeto”.

Os 13 times estarão divididos em dois grupos que jogam em turno e returno dentro de seus grupos, sendo que os dois primeiros de cada grupo avançam diretamente às quartas de final. As demais equipes se enfrentam nas oitavas em um playoff (o terceiro de um grupo contra o sexto do outro, e o quarto contra o quinto) para definir mais quatro classificados. Quartas de final, semifinais e finais também serão disputadas pelas equipes em playoffs, série melhor de três partidas.

Morre Alberto Goldman, ex-governador do Estado de São Paulo

Morreu neste domingo, 01, o ex-governador de São Paulo e deputado federal Alberto Goldman. Ele estava internado desde o dia 19 no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O líder tucano tivera uma hemorragia durante uma operação no crânio. Ex-comunista, Goldman aderiu á social-democracia e se tornou um de seus maiores nomes no País.

Nascido em 12 de outubro de 1937, em São Paulo, filho de Dora, uma dona de casa, e de um alfaiate polonês, Wolf Goldman. Seu avô paterno tinha uma pequena loja de tecidos em uma cidade da região de Lublin, no interior da Polônia – recentemente, ele viajara ao país e tentara encontrar os antigos jazigos da famílias, mas o cemitério havia sido destruído e nada sobrara da memória dos Goldman no lugar. Nem uma lápide. “Impressionante. Os nazistas levaram os vivos e os mortos também.”

Nascido em 12 de outubro de 1937, Goldman era engenheiro formado pela Escola Politécnica, foi deputado estadual por dois mandatos (1971-1978), deputado federal por seis mandatos (1979-1986 e 1991-2006), Ministro dos Transportes (Governo Itamar Franco), secretário de Estado, vice-governador e governador de São Paulo

Alberto Goldman deixa esposa, cinco filhos e quatro netos.

No Brasil, seu pai começou a trabalhar como alfaiate e, depois, com o irmão montou uma confecção de roupas masculina. Moravam no Bom Retiro, no centro de São Paulo, bairro que então concentrava a população judaica de São Paulo. Alberto Goldman cursou a Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, onde se formou engenheiro civil. Ali começou a militância política. “No primeiro ano da Poli me filiei ao partido. A base era grande.” Era 1955.

O partido era o Partido Comunista Brasileiro, o PCB. “Minha mãe havia sido militante do partido comunista na Polônia. E meu pai não era propriamente militante, mas era próximo.” O menino conviveu com discussões em casa, durante a guerra, sobre os acontecimentos no mundo. “Fui me aproximando dessa posição.”

Participou do movimento estudantil. Quando deixou a faculdade não se vinculou a nenhuma outra base do partido, mas permaneceu ligado ao grupo da comunidade judaica do Bom Retiro ao lado de militantes como Max Altman e Jacob Wolfenson. “Era um pessoal muito bem formado.” Trabalhava então em uma empresa de engenharia que ele abriu depois de sair da faculdade.

Ligou-se aos Comitês Municipal e estadual do partido, uma militância clandestina. “Participava das reuniões e discussões.” Tinha já três filhos quando, em 1969, após o Ato Institucional-5 (AI-5) , foi procurado em seu escritório de engenharia pelo dirigentes do partido Moacir Longo e Hércules Correa dos Reis, ambos cassados pelo regime. “Em nome do comitê estadual, eles me comunicaram que o partido queria que eu fosse candidato a deputado estadual.” Os militares haviam acabado de cassar em 1968 o deputado estadual Fernando Perrone (MDB), que era o homem do partido na Assembleia Legislativa.

“Resisti durante meses. Não queria entrar nisso. Era um loucura, pois era a pior época para isso (entrar na política).” Quando decidiu ser candidato, teve de enfrentar a oposição do pai. “Meu pai fazia campanha contra mim, achando que eu havia enlouquecido. E acho que ele tinha razão”, lembrava décadas depois. Era o começo de uma carreira que não teria mais fim. “Tento, tento e não consigo deixar a política”, dizia o ex-governador.

Goldman só aceitou se candidatar porque acreditava que não seria eleito. “Mais do que isso. Eu não acreditava que seria registrado no tribunal eleitoral.” Quando o desembargador Adriano Marrey recebeu o processo para decidir pelo registro da candidatura, disse: “Tem aqui uma série de informações do Dops, mas para mim informações do Dops não valem nada.”

Depois do registro da candidatura, o engenheiro teve de enfrentar a campanha. Goldman lembrava que então a repressão contra o partido não era forte. Mesmo assim, durante a campanha, teve os passos vigiados pela polícia política. “Onde eu ia eles me acompanhavam.” Fazia comícios na porta de fábricas, com um caixote e um megafone para discursar contra o governo. Usava um Fusca para se deslocar. Elegeu-se em 1970 pelo MDB com o apoio do partido. Recebeu 17.226 votos.

“Fui eleito pelo trabalho do partido. O partido tinha bases em vários lugares, como entre os ferroviários, na Lapa, na zona norte e na Vila Formosa. E no estado, na área da Sorocabana e em Santos. E nas associações de amigos de bairro e em sindicatos, como o dos metalúrgicos e da construção civil.” Foi o oitavo mais votado em sua legenda, o MDB.

Depois de eleito, passou a manter encontros com integrantes do Comitê Central em casa e em restaurantes. Os contatos eram esparsos. “Comecei a fazer os discursos que tinha de fazer e meus colegas achavam que eu ia ser cassado.” Com o tempo a repressão se abateu sobre a estrutura do partido, que buscava uma política de frente democrática contra a ditadura militar.

Após as primeiras prisões em 1972, Goldman pensou que seria logo preso. Aproveitou um convite do Departamento de Estado americano para acompanhar as eleições presidenciais entre o republicano Richard Nixon e o democrata George McGovern para ficar 20 dias fora do país. “Quando voltei estava mais calmo.” Era o início da ação da repressão contra o partido. “Por algum fator que não sei explicar, nunca fui cassado”.

Atravessou a década de 1970 com certeza que continua sob vigilância. Foi avisado por Ivahir Rodrigues Garcia, delegado de polícia e deputado estadual, que tinha os passos controlados. “Sou teu colega aqui. Você tem duas funcionárias aqui, uma delas é agente do Dops.”, disse o delegado. Goldman nunca manteve nada arquivado, Mantinha nomes e endereços na memória. “Sabia que era vigiado e que a qualquer momento podia ser apanhado.”

Em 1974, é reeleito deputado estadual com 75 mil votos. Tornara-se o segundo mais votado do estado em meio avalanche de votos dada ao MDB. “Fazia palestras em universidades. Passei a ser uma referência de oposição ao regime. Sempre procurei fazer meus discurso, muito duros, mas nunca ultrapassando uma linha e evitando as agressões pessoais.”

Tornou-se líder da bancada do MDB, que tinha então dois terços da Assembleia Legislativa paulista. “Eu podia aprovar o que quisesse e derrubar o que quisesse.” Conviveu com o governador Paulo Egídio Martins (Arena), que lhe mandava os projetos antes, iniciando uma relação que se transformaria em amizade pessoal.

Em 1975, após a prisão e morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI), do 2.º Exército, o governador Paulo Egídio chamou a bancada do MDB ao palácio dos Bandeirantes para um encontro com o presidente Ernesto Geisel. Disse então para o Geisel: “Presidente, estão matando gente em São Paulo.” Geisel ouviu o relato de Goldman, com a bancada do MDB em torno dos dois. “Eu sei”, disse.

Meses depois, após mais uma morte no DOI – a do operário Manoel Fiel Filho – o presidente removeria do comando do 2.º Exército o general Ednardo D’Ávila Mello. Para acalmar a linha dura, cassaria dois deputados comunistas – Nelson Fabiano e Marcelo Gatto. “Na hora que sabia de uma informação de uma prisão, ia para os jornais denunciar. Era a forma de anunciara que a pessoa havia sido presa para preservar a vida dele.” Foi assim com o dirigente comunista Marco Antônio Tavares Coelho, preso no Rio e trazido para São Paulo. “Isso preservava a vida das pessoas.”

Em 1977, propôs a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, invadida pela polícia de São Paulo para impedir um congresso estudantil. Presidiu a comissão que interrogou o então secretário da Segurança, o coronel Erasmo Dias. Ia então para Buenos Aires para encontrar com integrantes da direção do partido no exílio. Em 1978, elegeu-se deputado federal. Elegeu-se com 102 mil votos e seria reeleito em 1982 pelo MDB.

Em 1986, após a legalização do PCB em 1985, torna-se líder do partido na Câmara dos Deputados e integrante do Comitê Central do partido. Candidata-se pelo partido e, pela primeira e última vez não é reeleito. “Meu voto era muito PMDB. E na lei de então prevalecia o nome do partido.”

Se torna secretário de coordenação de programas do governo de Orestes Quércia (PMDB) em 1987 e, em seguida, deixa o PCB e retorna ao PMDB. Depois seria secretário de administração. Em 1990, apoia a candidatura de Luiz Antonio Fleury Filho ao governo do estado. “Foi uma invenção nossa. Uma infeliz invenção ” No quercismo, o ex-governador permaneceria até 1996. Ingressou então com outros emedebistas no PSDB.

Em 1990, voltou a se candidatar e a ser eleito deputado federal. No governo Itamar Franco (1992-1995), tornou-se ministro dos Transportes. Como tucano, elegeu-se deputado ainda em 1998 e 2002. Em 2006, elegeu-se vice-governador na chapa de José Serra (PSDB), assumindo o governo do Estado em 2010 após a renúncia do colega, que se candidatou à presidência.

“Quando saí do governo em 2011, decidi pagar minhas dívidas com os filhos e netos. Nesses 40 anos de política não os vi crescerem. Um dos meus filhos é traumatizado com a política. Não deixava meus netos falarem em política.” O menino assistia à televisão nos anos 1970 e ouviu o nome do pai. Era um militar que o acusava Goldman de subversão. “Meu filho me perguntou: ‘Pai, você é comunista?’ Hoje ele tem 50 anos. Ficou traumatizado.”

Levava os netos ao cinema. Tornou-se vice-presidente do PSDB e um dos principais adversários do atual governador João Doria, que lutou pela sua expulsão do partido. Bem-humorado, gostava de fustigar o adversário. Na segunda-feira, dia 19 de agosto, foi internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Passou por uma cirurgia no cérebro e teve um sangramento. “Minha vida política foi mais do que fazer proselitismo. Foi minha forma de contribuir com o País.”

Governo de São Paulo decreta luto oficial

O governador João Doria decretou na tarde deste domingo, 1, luto oficial de três dias no Estado de São Paulo por conta da morte do ex-governador Alberto Goldman, que morreu na Capital aos 81 anos. O governo de São Paulo ofereceu o Palácio dos Bandeirantes como espaço para abrigar o velório de Goldman. A família do ex-governador optou por realizar o velório no Palácio 9 de julho na Assembleia Legislativa do Estado.


AVCB: trabalho preventivo faz até 70 vistorias/mês

Distantes de combates a incêndio, busca e salvamento, atendimento pré-hospitalar ou resgate como também é chamado, o JC foi acompanhar nesta última semana um trabalho que entre todos esses foi o último ou o mais recente atribuído ao Corpo de Bombeiros: a análise de projetos, vistorias e certificações de edificações comerciais, concentração de público e multifamiliares.

Em Rio Claro são realizadas até 70 visitas por mês para a emissão do laudo Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, o AVCB: “É um trabalho muito importante e essencial para evitar ocorrências como tivemos nos edifícios Joelma e Andraus nas últimas décadas e que deixaram um rastro de memórias trágicas com a morte de pessoas. Em Rio Claro, destas 70 vistorias que realizamos, a média por mês, em torno de cinco a sete são reprovadas apenas, o que mostra a conscientização por parte do responsáveis em manter tudo de acordo com o estipulado. E o mais importante: estes que são reprovados procuram rapidamente se adequar para obter o AVCB, requisito imprescindível para a regularidade junto à prefeitura, que é o Habite-se”, afirma o tenente Fabio Giovani, que é comandante do Corpo de Bombeiros de Rio Claro e um dos profissionais responsáveis por esse trabalho.

Para a técnica de segurança do Centro Médico Ocupacional Angela Maria Caparroti, que atua na empresa que produz tanques estacionários e que foi vistoriada durante esta semana, é fundamental este alinhamento entre aqueles que precisam do laudo e o Corpo de Bombeiros: “Caso aconteça alguma ocorrência como por exemplo um incêndio, estamos aptos e equipados a combater. Por isso temos essa preocupação em estarmos atentos a datas de vencimento de vistorias, em acatarmos as exigências determinadas. Medidas de segurança devem ser prioridade em qualquer lugar”.

Responsabilidade

Desde abril deste ano vigora o Decreto 63.911, que tornou o Corpo de Bombeiros um órgão fiscalizador e que permitiu aos profissionais fazerem uma vistoria preventiva. Um dos casos aplicados é a denúncia de realização de festas irregulares.

Morre motociclista que teve as pernas amputadas em acidente

Veio a óbito na manhã deste domingo (1º) o motociclista José Elenildo Vieira da Silva de 43 anos que sofreu um acidente no dia 23 de julho em uma rotatória do Distrito Industrial. A morte foi confirmada pela filha Vitória Silva à reportagem do Jornal Cidade: “Ele se recuperava super bem porém recentemente teve um problema no funcionamento dos rins e bexiga e precisou passar por uma cirurgia. Infelizmente depois disso pegou uma infecção generalizada e não resistiu vindo a morrer esta manhã”, disse a filha mais velha muito abalada.

O velório está marcado para ter início por volta das 17h deste domingo (1º) e o sepultamento será nesta segunda (2) no Cemitério Municipal.

O caso

José estava em uma motoneta e, ao tentar uma ultrapassagem, colidiu com um caminhão betoneira que se preparava para entrar em uma rotatória. Na batida, o motociclista caiu embaixo da roda do veículo e foi arrastado por aproximadamente 10 metros. Ele teve os membros inferiores prensados por uma das rodas da betoneira, que estava carregada com aproximadamente 24 toneladas. Ele foi socorrido pelo SAMU até o PSMI da Avenida 15 e, ao dar entrada, foi encaminhado diretamente para a Santa Casa, onde passou por cirurgia.

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Jornal Cidade RC
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