Crise do novo coronavírus pode ficar pior, alerta OMS

Agência Brasil

A pandemia de coronavírus pode piorar muito se os países não aderirem às precauções básicas de saúde, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nessa segunda-feira (13).

“Deixe-me ser franco, muitos países estão indo na direção errada, o vírus continua sendo o inimigo público número um”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em entrevista online da sede da organização, em Genebra. “Se o básico não for seguido, o único caminho dessa pandemia será ficar cada vez pior e pior e pior.”

As infecções superaram a marca de 13 milhões em todo o mundo nessa segunda-feira, de acordo com contagem da Reuters, aumentando 1 milhão em apenas cinco dias, em uma pandemia que matou mais de meio milhão de pessoas.

Tedros, cuja liderança tem sido criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que de 230 mil novos casos no domingo, 80% eram de dez países e 50% de apenas dois.

“Não haverá retorno ao antigo normal no futuro próximo. Há muito com o que se preocupar”, acrescentou, em um de seus comentários mais fortes nas últimas semanas.

Os Estados Unidos e o Brasil são os países mais afetados.

Ele disse que a OMS ainda não recebeu uma notificação formal da saída dos EUA da organização, anunciada por Trump. O presidente norte-americano diz que a OMS se alinhou à China, onde a covid-19 foi detectada pela primeira vez, no início da crise.

Trump, que usou uma máscara protetora em público pela primeira vez no fim de semana, foi acusado por adversários políticos de não levar o novo coronavírus a sério o suficiente, o que ele nega.

Uma equipe da OMS foi à China para investigar as origens do novo coronavírus, descoberto pela primeira vez na cidade de Wuhan. Os membros da equipe ficaram em quarentena, de acordo com o procedimento padrão, antes de começar a trabalhar com cientistas chineses, disse Mike Ryan, chefe do Programa de Emergências da OMS.

Saque de auxílio emergencial é liberado para beneficiários do 3º lote

Agência Brasil

Beneficiários do auxílio emergencial contemplados no terceiro lote podem sacar hoje (14) os recursos da primeira parcela. O saque está liberado para os nascidos entre outubro e dezembro. O auxílio foi criado pelo governo para reduzir os efeitos da pandemia na economia brasileira. blank

A Caixa antecipou o calendário de saque em dinheiro aos beneficiários com direito a receber a primeira parcela do auxílio emergencial por terem sido aprovados no início do mês de junho. 

Essas pessoas, que pertencem ao terceiro lote que a Caixa recebeu da Dataprev, teriam originalmente a liberação do saque em espécie concluída em 18 de julho. O calendário de saque em dinheiro teve início no dia 6 de julho, de forma escalonada pelo mês de nascimento.

Os beneficiários nascidos entre julho e setembro puderam sacar ontem. Os nascidos em junho tiveram o saque liberado no último sábado (11).

Nos dias 16 e 17 de junho, os valores de R$ 600 e R$ 1.200 (no caso de mães solteiras) já haviam sido depositados para esse público na conta poupança social digital da Caixa, de maneira escalonada conforme a data de aniversário do beneficiário.

Nas datas disponíveis para saque, havendo saldo, o valor será transferido automaticamente para a conta que o beneficiário indicou, sendo poupança da Caixa ou conta em outro banco.

Cartão de débito virtual

A Caixa informou que o beneficiário não precisa sacar o auxílio para transacionar o dinheiro. O aplicativo Caixa Tem possibilita que o cidadão faça transferências bancárias e ainda pague contas, como água, luz e telefone. 

Além disso, o aplicativo disponibiliza gratuitamente o cartão de débito virtual. Com ele, é possível fazer compras pela internet, aplicativos e sites de qualquer um dos estabelecimentos credenciados. O cartão também é aceito em diversas lojas físicas.

O banco explica que, para utilizar o cartão virtual, o beneficiário precisa gerá-lo. Para isso, o primeiro passo é atualizar o Caixa Tem. Depois, entrar no aplicativo e acessar o ícone Cartão de Débito Virtual.

Feito isso, o usuário deverá digitar a senha do Caixa Tem. Em seguida, aparecerão os seguintes dados: nome do cidadão, número e validade do cartão, além do código de segurança. Ao lado do código, é preciso clicar em “gerar”. Pronto. O cartão está disponível. O código de segurança vale para uma compra ou por alguns minutos. Para realizar uma nova compra é preciso gerar um novo código.

QR Code

Além da possibilidade de uso do cartão de débito virtual, disponível para compras online, o Caixa Tem também oferece a opção “pague na maquininha”, forma de pagamento digital que pode ser utilizada nos estabelecimentos físicos habilitados. 

É uma funcionalidade por leitura de QR Code gerado pelas maquininhas dos estabelecimentos e que pode ser facilmente escaneado pela maioria dos telefones celulares equipados com câmera. Quando o cliente seleciona a opção Pague na maquininha, no aplicativo, automaticamente a câmera do celular é aberta. O usuário deve apontar o celular para leitura do QR Code gerado na “maquininha” do estabelecimento.

Inscrições para o Prouni começam hoje, com quase 170 mil bolsas

Agência Brasil

As inscrições para o processo seletivo do Programa Universidade para Todos (Prouni) abrem hoje (13) e vão até a sexta-feira (17). A iniciativa do governo federal oferece bolsas de estudo em instituições de ensino superior privadas.blank

Os interessados devem acessar o portal do Prouni e consultar as bolsas e cursos disponíveis. No site é possível buscar por instituição, município ou área de estudo.

De acordo com o Ministério da Educação, neste segundo processo seletivo foram disponibilizadas 167.780 bolsas em 1.061 faculdades particulares. Destas, 60.551 são bolsas integrais e 107.229, parciais.

Para inscrição, é preciso ter uma conta no portal de serviços do governo federal.

Pelo Prouni, é possível obter bolsas integrais ou parciais, que custeiem todo o curso ou metade do valor.  As integrais são destinadas aos estudantes com renda familiar por pessoa de até 1,2 salário-mínimo. Já as parciais contemplam alunos cujas famílias possuem renda familiar por pessoa de até três salários mínimos.

O Ministério da Educação estabelece como requisitos também o aluno ter conseguido nota de pelo menos 450 pontos de média no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e não ter diploma de ensino superior.

O cronograma prevê, após o fim das inscrições, a divulgação do resultado da 1ª chamada no dia 21 de julho, a comprovação de informações da 1ª chamada até o dia 28 deste mês e o resultado da 2ª chamada no dia 4 de agosto.

PM surpreende baloeiros na área rural de Rio Claro e apreende diversos materiais

Policiais da Patrulha Rural de Rio Claro surpreenderam um grupo no final da tarde desta segunda-feira (13) em um sítio. A movimentação no local chamou a atenção da equipe que ao verificar do que se tratava descobriu uma fábrica clandestina de balões.

blank
Balões eram fabricados em sítio na área rural de Rio Claro

Pelo local inúmeros materiais foram apreendidos e cinco indivíduos, quatro homens e uma mulher, encaminhados para a delegacia. A ocorrência está em andamento.

blank
Policiais realizavam patrulhamento pela região quando desconfiaram da movimentação

Fabricar, transportar, soltar ou vender balão é crime ambiental. A pena pode chegar a três anos de prisão, além de multa. Quem tiver informações sobre grupos que soltam balões é só ligar para o telefone 153 da Guarda Civil Municipal, 190 da Polícia Militar ou para o Disque-denúncia no número 181.

Vereador Hernani Leonhardt testa positivo para Covid-19

O vereador e ouvidor parlamentar da Câmara Municipal, Hernani Leonhardt (MDB), testou positivo para Covid-19 nesta segunda-feira (13). O político informou à reportagem que está e em isolamento social em sua residência.

“Aos meus familiares, amigos e seguidores informo que na data de hoje testei positivo para Covid-19. Apesar da tosse insistente, meu quadro é estável. Já estou resguardado em minha casa, conforme as orientações médicas e epidemiológicas. Saliento que permaneço a disposição no meu WhatsApp e redes sociais e meu gabinete continuará funcionando”, informou através de nota oficial.

É o quarto vereador do Poder Legislativo de Rio Claro a testar positivo para o novo coronavírus. Primeiro foi o vereador Rogério Guedes (PSL), em seguida Adriano La Torre (PP) e na última semana Seron do Proerd (DEM). Nesta segunda-feira a sessão ordinária ocorreu de forma retoma, virtual, uma vez que além dos vereadores alguns servidores da Casa também positivaram recentemente.

Trechos do Jardim Claret, Centro e Vila Aparecida ficam interditados na 3ª-feira

Na terça-feira, 14, haverá interdições de trânsito para implantação de lombadas nos bairros Jardim Claret, Centro e Vila Aparecida, em Rio Claro. As interrupções começam às 8h30.

Os trechos interditados ficam na Avenida 7 com Rua 20 (Jardim Claret), Avenida 6 com Rua 7 (Centro) e Avenida 24 com Rua 1-A (Vila Aparecida). Os motoristas devem redobrar atenção ao trafegarem pelas imediações.

A prefeitura está implantando 70 lombadas em vários trechos da cidade. O objetivo é deixar pontos movimentados mais seguros para motoristas e pedestres.

Proximidades de escolas e unidades de saúde também estão recebendo as lombadas, que obedecem aos padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito.

Para que ações como essa tenham pleno resultado, a prefeitura reforça a importância dos condutores respeitarem as leis e sinalização de trânsito.

Rio Claro tem mais duas mortes por coronavírus

Boletim divulgado na segunda-feira (13) pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde aponta 1.649 casos positivos da Covid-19 em Rio Claro, com 22 casos a mais do que no domingo (12). O município também confirmou mais dois óbitos por coronavírus, sendo as vítimas duas idosas que estavam hospitalizadas.

blank

O número de pessoas internadas por coronavírus, incluindo casos suspeitos, é 72, sendo 29 em hospitais públicos e 43 em hospitais particulares. São 27 pessoas em UTI , com 18 no Sistema Único de Saúde (SUS) e nove na rede privada.

Dos novos casos positivos, dois pacientes estão hospitalizados e 20 em isolamento domiciliar. Até o momento 898 pessoas se recuperaram da doença no município. Há dois óbitos em investigação.  

Sessão tem discussão acalorada entre Rafael Andreeta e André Godoy

Durante a sessão ordinária virtual da Câmara Municipal nessa segunda-feira (13), o vereador Rafael Andreeta (PTB) levantou discussão contra o presidente André Godoy (DEM). Andreeta reclamou que a Casa de Leis está fechada e Godoy ressaltou que as sessões passaram a ser remotas após casos de Covid-19 entre vereadores e servidores.

Rio Claro segue na “Fase Vermelha”

O prefeito de Rio Claro, Juninho da Padaria, acaba de anunciar que a cidade vai prosseguir na chamada Fase 1 , ou Fase Vermelha do Plano SP no período de 15 a 26 de julho.

O governador João Doria autorizou o retorno da região de Piracicaba, a qual Rio Claro pertence, a evoluir à Fase 2, ou Fase Laranja, mas o prefeito Juninho informou que diante do número de ocupação de leitos nos hospitais, o município segue com comércio fechado.

Além disso, nesta nova etapa, Juninho também anunciou que os bares devem permanecer fechados.

Santa Gertrudes retorna para Fase Laranja

De acordo com a atualização do Governo do Estado, que aconteceu na sexta-feira (10), Santa Gertrudes foi reclassificada dentro do Plano de Flexibilização e retorna à Fase 2, de acordo com informações divulgadas na página oficial do Facebook da Prefeitura do município.
A Fase Laranja é considerada de “atenção” e, segue regras do Decreto Estadual, que dispõe de medidas para a retomada gradual da economia no Estado de São Paulo.
Ainda de acordo com a publicação, um dos quesitos de reclassificação é a média da taxa de ocupação de leitos de UTI, números de novas internações e óbitos pela Covid-19.

Curva da Covid sugere imunidade maior e 2ª onda menos provável

FERNANDO CANZIAN – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Em praticamente todas as regiões do mundo mais duramente afetadas pelo coronavírus e que retomaram as atividades há queda sustentada no número de mortes e infecções.

A tendência é a mesma na Europa e nos estados brasileiros e norte-americanos mais contaminados. Nos que vinham sendo poupados, os casos estão subindo, elevando a média geral tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Na Europa, onde a epidemia chegou antes, ela está em declínio, apesar de muitos países terem voltado a funcionar quase normalmente.

Nos EUA, cidades mais afetadas e que tiveram ondas de protestos de rua contra o racismo após a morte de George Floyd, em 25 de maio, também não tiveram novos surtos.

Já estados como Califórnia e Texas, alheios à irrupção inicial, são os novos focos.

No Brasil, cidades como São Paulo, Manaus, Rio e Recife, já fortemente afetadas, estão reabrindo até agora sem repiques. Mas a epidemia se alastra no interior, assim como nas regiões Sul e Centro Oeste, até então poupadas.

Epidemiologistas e novos estudos sugerem que a chamada imunidade coletiva necessária para conter a expansão da Covid-19 pode ter sido superestimada ou estar sendo calculada de forma imprecisa.

Isso explicaria a não ocorrência de uma segunda onda de infecções até agora. Mesmo que, nos locais inicialmente mais afetados e reabertos, menos de 20% da população tenha desenvolvido anticorpos para o novo coronavírus.

Há alguns meses, estimava-se que até 70% das pessoas deveriam contrair o vírus antes que ele não encontrasse hospedeiros para se propagar.
O motivo pode ter relação com ao menos dois fatores:

1) Muito mais pessoas pegaram o vírus e desenvolveram anticorpos que diminuem com o tempo, resultando depois em testes negativos; ou elas se curaram mesmo sem a criação de anticorpos;
2) O principal vetor de transmissão do vírus seriam os adultos jovens, que circulam mais pelas cidades, sobretudo em transportes coletivos.
Tome-se o caso de Manaus, considerada por epidemiologistas como um campo de provas para a livre evolução da epidemia devido ao baixíssimo isolamento social que resultou no colapso dos sistemas de saúde e funerário.

Segundo a Epicovid19, maior mapeamento do coronavírus do país conduzindo pela Universidade Federal de Pelotas, o máximo de prevalência de anticorpos na população da capital do Amazonas foi encontrado entre os dias 4 e 7 de junho: 14,6%.

Na rodada seguinte de testes, entre 21 e 24 de junho, a pesquisa encontrou só 8% dos manauaras com anticorpos.

Junho foi o mês em que os sepultamentos e cremações em Manaus se reaproximaram das taxas pré epidemia; e julho vem sendo marcado pela desmobilização de parte do aparato para a Covid-19.

Na cidade de São Paulo, com mais isolamento e menos mortes que Manaus, proporcionalmente, o máximo de prevalência de anticorpos encontrada na população foi de 3,3%, entre 14 e 21 de maio.

Mesmo assim, e apesar da reabertura gradual, a capital registra queda sustentada de novos casos, a ponto de oferecer leitos a cidades onde a epidemia agora avança.

Segundo imunologistas, é provável que o Sars-CoV-2 possa estar sendo combatido em duas frentes: pelos linfócitos (células) B, que produzem anticorpos, na resposta imune denominada humoral; e pelos linfócitos T, que não fazem isso, mas que também combatem o vírus eliminando células infectadas –nesse caso, por resposta citotóxica.

Como a ação dos linfócitos T não produz anticorpos, muitas pessoas teriam defesa contra o vírus sem que a maioria dos testes hoje aplicados (não celulares) detecte isso.

Outro ponto é que os anticorpos produzidos pela ação dos linfócitos B podem diminuir com o tempo, mas sem que se perca a imunidade.

Isso explicaria a redução da prevalência, com o tempo, de anticorpos detectados na população nos testes em Manaus e em outras cidades monitoradas pela Epicovid19 –e sem que haja novos surtos.

Para Julio Croda, infectologista da Fiocruz, a imunização contra o coronavírus pode estar se dando de forma “cruzada”: pela suscetibilidade individual (com linfócitos B e T) e por outros fatores genéticos combinados às políticas de distanciamento social e o uso de máscaras.

“Sem o distanciamento e a máscara, o percentual de infectados e mortos na população teria de ser muito maior para chegarmos à imunidade comunitária”, afirma.

Por discordar do presidente Jair Bolsonaro na questão do isolamento social, Croda deixou a direção do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde no final de março.

Para Natalia Pasternak, doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência, o ataque ao vírus pelos dois tipos de linfócitos (B e T) e o fato de os anticorpos poderem cair abaixo do detectável, sem prejudicar a imunização, tornam difícil aferir o tamanho da população ainda suscetível ao vírus.

“Ela talvez já não seja tão grande, mas não sabemos. O que não podemos é tratar isso de forma que dê a impressão de um liberou geral [onde o vírus já fez muito estrago].”

Pasternak afirma que a imunidade total só pode ser obtida com um número muito elevado de mortes ou com uma vacina –as principais em elaboração hoje tentam emular os dois caminhos (humoral e citotóxico) para a destruição do novo coronavírus.

Para Daniel Soranz, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o número elevado de mortes em algumas cidades do Brasil ajudaria a explicar a inexistência de uma segunda onda de infecções, apesar da reabertura desses locais.

“Isso ocorre às custas de muitas mortes. Pois se fossemos desenhar um cenário ruim, não poderíamos criar nada pior do que o que vimos em algumas cidades do Brasil, sobretudo nas comunidades mais pobres, como as daqui do Rio”, afirma Soranz.

Agora, sem nenhuma fila e com cerca de mil pacientes em leitos de UTI no Sistema Único de Saúde, em menos de 20 dias a capital fluminense poderá zerar as internações –a um ritmo de 50 saídas ao dia, por alta hospitalar ou morte.

Esper Kallás, infectologista e professor da USP, suspeita que tenham sido justamente os moradores das comunidades menos ricas, sobretudo os adultos jovens, os maiores responsáveis pela disseminação do coronavírus e da obtenção de uma imunidade comunitária maior nas cidades mais afetadas até agora.

Mesmo que não detectada totalmente nas pesquisas de prevalência imunológica, como as da Universidade Federal de Pelotas, essa imunidade maior impediria agora uma segunda onda de infecções.

“Os adultos jovens, que se locomovem muito mais em transporte público, e que não apresentam sintomas importantes, parecem ter sido os grandes disseminadores do vírus e os responsáveis, neste segundo momento, pela contenção de sua propagação.”

Kallás afirma que, no caso da gripe comum, a imunidade comunitária é atingida com 33% a 44% da população infectada. Em se tratando da Covid-19, a taxa necessária para que isso ainda é incerta, mas ele suspeita que seja menor.

Sergio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), alerta, porém, para os cuidados que devem ser tomados onde as atividades vem sendo retomadas.

“Estamos longe de qualquer sinal de uma segunda onda, apesar da flexibilização em muitos locais. O que é certo é que o risco aumenta quando existem aglomerações.”

Para a professora e infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, a dinâmica da pandemia do novo coronavírus tem sido um aprendizado –e ele ainda não teria terminado.

“O Brasil foi o único país que iniciou a flexibilização na subida da curva. Quem fez isso próximo do platô, parece ainda estar em situação adequada. Já o interior, que tentou flexibilizar antes, acabou se dando muito mal”, afirma.

Agora, com a epidemia avançando mais no Sul, no Centro Oeste e no interior, esse conjunto de decisões estaduais e municipais, combinado ao enorme grau de desorganização do governo federal, ainda provoca cerca de 40 mil infecções e mais de 1.000 mortes no Brasil todos os dias.

Campanha incentiva o uso de oxímetros e tratamento precoce

Diante da interiorização da epidemia e da prevalência de infecções pela Covid-19 nas áreas mais pobres, o Instituto Estáter e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) lançam nesta segunda (13) o Projeto Alert(ar), uma campanha nacional para estimular o uso de oxímetros no combate precoce ao coronavírus.

A iniciativa tem a parceria de entidades médicas, empresas e lideranças comunitárias, além de prefeituras.

A campanha surge da constatação de que as chances de recuperação são muito maiores quando os doentes são tratados antes de terem os pulmões severamente comprometidos pela Covid-19 –daí a necessidade de medir frequentemente, com oxímetros, a taxa de oxigênio no sangue.

Apesar de não sentirem dificuldade para respirar, muitos infectados apresentam queda perigosa do nível de oxigenação. No jargão médico, a chamada hipóxia silenciosa pode tornar irreversível, e em pouco tempo, o quadro pulmonar.

O presidente do Instituto Estáter, Percio de Souza, considera fundamental ampliar a conscientização e o uso de oxímetros para tentar diminuir a taxa de óbitos no país.

“A interiorização da epidemia torna mais crítica a necessidade do acompanhamento da oxigenação e o tratamento inicial, especialmente para os mais vulneráveis e idosos, que não têm meios de correr sozinhos aos locais onde há leitos de UTI”, diz Souza.

No Brasil, só 6% das cidades têm leitos de UTI; e embora as 27 capitais agrupem menos de um quarto da população, elas detêm quase a metade das vagas.

Já os leitos no interior estão concentrados em cerca de 300 municípios, deixando quase 100 milhões de brasileiros longe das UTIs. Com as distâncias e sem atendimento inicial, há cada vez mais mortes nas pequenas cidades.

O Projeto Alert(ar) prevê conscientizar a população sobre o uso frequente do oxímetro em casos suspeitos e pretende disponibilizar milhares de aparelhos no país a pessoas treinadas que possam monitor conjuntos populacionais.

Basicamente, a infecção pelo coronavírus se dá na sua ligação às enzimas conversoras da angiotensina 2 (ECA2). Abundantes no bulbo carotídeo, esse órgão responsável por alertar o cérebro para que o doente respire com força quando o ar falta entra em pane –e o indivíduo não percebe a queda de oxigênio em seu organismo.

A mucosa nasal também tem muitos receptores das enzimas ECA2 –e a mesma pane explicaria a perda de olfato relatada por muitos infectados.
Embora haja queda de oxigênio, na infecção pelo coronavírus os doentes também não retêm gás carbônico, e não sentem muita falta de ar.

Os dados de algumas cidades monitoradas pelo projeto revelam que cerca de 40% dos doentes que morrem o fazem em casa ou nas primeiras 24 horas de internação –e que outros 40% chegam direto às UTIs, sem que tenham passado por nenhum outro tipo de atendimento.

Já entre os pacientes atendidos em enfermarias (com oxigênio, corticoides e anticoagulantes), apenas 20% acabam precisando de UTI. Na maioria das vezes, não necessitam sequer de ventilação mecânica; só de oxigênio de alto fluxo –e ficam internados por um tempo bem menor.

Segundo Clóvis Arns da Cunha, presidente da SBI, a falta de oxigenação no sangue começa por volta do sétimo dia. Daí a necessidade de monitorar casos suspeitos com os oxímetros e encaminhá-los a unidades de saúde sempre que a taxa de oxigenação cair abaixo de 95%.

“A iniciativa vai nessa direção, de alerta e de conscientização”, afirma.
O Instituto Estáter e a SBI terão o apoio técnico da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que representa médicos atuando em 47,7 mil equipes de atenção básica, e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

A Central Única das Favelas (Cufa), com representação em vários estados, dará capilaridade à divulgação, e empresas como Boticário, Embraer, Klabin, Gol, Grupo Ultra e o banco Voiter entrarão com apoio institucional.
Segundo Denize Ornelas, diretora da SBMFC, uma das maiores falhas dos gestores da saúde pública no Brasil nessa epidemia foi não ter disponibilizado oxímetros para as esquipes de atenção básica.

Com a exceção das cidades maiores, poucas equipes têm o aparelho –que pode ser comprado pela internet ao preço médio de R$ 200.

Baseando-se nas curvas de infecções no Brasil e em outros países, Percio de Souza, do Estáter, também não enxerga até agora indícios de uma segunda onda que possa interromper novamente a atividade econômica.

“Mas isso não justifica abandonarmos as políticas públicas para conscientizar a população e buscar meios técnicos para combater essa fase da epidemia. É preciso evitar que medidas tomadas sem embasamento acabem prejudicando ainda mais a sociedade pela via econômica.”

Jornal Cidade RC
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.