Novo governo terá 11 ministérios comandados por mulheres

Por Paula Laboissière (Repórter da Agência Brasil, Brasília) – O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva concluiu esta semana a composição da Esplanada dos Ministérios de seu próximo governo. De um total de 37 pastas, 11 serão comandadas por mulheres. Quando ainda estava em campanha, Lula já havia se comprometido a aumentar a participação feminina no governo.

As seis primeiras ministras foram anunciadas pelo presidente eleito ao longo das duas últimas semanas: Luciana Santos vai chefiar Ciência e Tecnologia; Nísia Trindade, a Saúde; Margareth Menezes, a Cultura; Cida Gonçalves, o Ministério da Mulher; Anielle Franco, a Igualdade Racial; e Esther Dweck, o Ministério da Gestão.

Outras cinco ministras foram oficializadas por Lula nesta quinta-feira (29): Simone Tebet assume o Planejamento; Marina Silva, o Meio Ambiente; Sônia Guajajara, o Ministério dos Povos Indígenas; Ana Moser, o Esporte; e Daniela do Waguinho, o Turismo. Todas devem assumir seus postos no próximo domingo (1º).

Perfis

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, durante anúncio de novos ministros que comporão o governo.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos. – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Luciana Santos, nova ministra da Ciência e Tecnologia, é presidente nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco.

Engenheira eletricista formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente e, como deputada federal, integrou a Comissão de Ciência e Tecnologia. Será a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Ciência e Tecnologia.

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, lança a exposição interativa e acessível Vida e saúde: relações (in)visíveis, no Museu da Vida, em Manguinhos.

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade – Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Nísia Trindade é presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desde 2017. Doutora em sociologia e mestre em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, ela é graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Nísia liderou as ações da Fiocruz no enfrentamento da pandemia de covid-19 no Brasil e, no novo governo, assume o Ministério da Saúde.

A cantora Margareth Menezes da Purificação, fala à imprensa no CCBB Brasília

A cantora Margareth Menezes é a nova ministra da Cultura – Antonio

Nova ministra da Cultura, Margareth Menezes é cantora e compositora. Começou sua carreira musical em 1986. Em 2002, representou o Brasil na festa de comemoração da independência do Timor Leste, que reuniu cantores de língua lusófana.

Em 2003, criou a Associação Fábrica Cultural, no intuito de contribuir para a construção coletiva do reconhecimento cultural baiano. 

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Mulher, Cida Gonçalves, durante anúncio de novos ministros que comporão o governo.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Mulher, Cida Gonçalves,. – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cida Gonçalves é ativista dos direitos das mulheres e especialista em gênero e em violência contra a mulher.

Natural de Campo Grande (MS), é formada em publicidade e propaganda e trabalha como consultora em políticas públicas em gênero e violência contra a mulher. Nos governos Lula e Dilma, foi secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Na nova gestão, ela assume o Ministério da Mulher.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante anúncio de novos ministros que comporão o governo.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Anielle Franco é educadora, jornalista e escritora. Diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, é irmã da ex-vereadora do Rio de Janeiro que dá nome à instituição e que foi morta a tiros em 2018.

Ativista, encabeça o instituto que tem como proposta inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, pessoas LGBTQIA+ e periféricas. Vai comandar o Ministério da Igualdade Racial.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Gestão, Esther Dweck, durante anúncio de novos ministros que comporão o governo.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a futura ministra da Gestão, Esther Dweck. – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Esther Dweck é economista, escritora e professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Entre junho de 2011 e março de 2016, atuou no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nos cargos de chefe da Assessoria Econômica e secretária de Orçamento Federal.

Assume o recém-criado Ministério da Gestão, fruto da divisão do atual Ministério da Economia.

Simone Tebet participa de sabatina do Estadão/Faap

Simone Tebet assumirá o Ministério do Planejamento – Simone Tebet / redes sociais

Nova ministra do Planejamento, Simone Tebet é advogada, professora e política brasileira filiada ao MDB. Atualmente, é senadora pelo estado de Mato Grosso do Sul, do qual também foi deputada estadual, secretária de governo e vice-governadora. Foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (biênio 2019-2020), considerada uma das mais importantes da Casa. 

O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva,  concede entrevista à imprensa, ao lado da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora, Marina Silva

Marina Silva volta a chefiar o Ministério do Meio Ambiente – Reprodução/YouTube

Marina Silva é historiadora, professora, psicopedagoga, ambientalista e política brasileira filiada à Rede.  Ao longo de sua carreira política, foi senadora pelo Acre e ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008. Candidatou-se à Presidência da República em 2010, 2014 e 2018. Em 1996, recebeu o prêmio Goldman de Meio Ambiente. Volta a comandar a pasta do Meio Ambiente.

Sônia Guajajara

Sônia Guajajara chefiará a recém-criada pasta dos Povos Indígenas – REUTERS/Amanda Perobelli/Direitos Reservados

Sônia Guajajara é líder indigenista brasileira da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão. Formada em letras e em enfermagem, pós-graduada em educação especial e deputada federal, foi coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e candidata a vice-presidente em 2018 pelo PSOL.

É a primeira mulher indígena do país a assumir o cargo de ministra. Ela chefiará a recém-criada pasta dos Povos Indígenas.

Brasília - A ex-atleta Ana Moser participa de sessão solene da Câmara dos Deputados pela educação pública de qualidade (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A ex-atleta Ana Moser será a nova ministra do Esporte  – Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo Agência Brasil

Ana Moser é ex-atleta, medalhista olímpica de vôlei e empreendedora social. Há 20 anos, preside o Instituto Esporte e Educação, organização da sociedade civil que tem como objetivo implementar a metodologia do esporte educacional em comunidades de baixa renda. Integrou a equipe de transição do governo eleito e vai comandar o até então extinto Ministério dos Esportes.

Daniela do Waguinho

Daniela do Waguinho assume o Ministério do Turismo – José Cruz/Agência Brasil

Daniela Moté de Souza Carneiro, conhecida como Daniela do Waguinho, é pedagoga e deputada federal reeleita pelo Rio de Janeiro como a mais votada do estado. Filiada ao União Brasil e casada com o prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Wagner dos Santos Carneiro, conhecido como Waguinho, foi secretária municipal de Assistência Social e Cidadania. Vai comandar o Ministério do Turismo.

Outras mulheres

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta sexta-feira (30) duas mulheres para presidir os principais bancos públicos brasileiros. 

Tarciana Medeiros assume o Banco do Brasil e Maria Rita Serrano, a Caixa Econômica. Ambas são funcionárias de carreira das instituições que irão presidir.

Tarciana Medeiros têm 22 anos de carreira no Banco do Brasil. Agora, torna-se a primeira mulher a presidir o banco em mais de 200 anos de história da instituição, que foi fundada ainda na época do Império, em 1808. Atualmente, possui cargo de gerente executiva na diretoria de Clientes. Antes, foi superintendente comercial da BB Seguridade, subsidiária do banco. Formada em administração de empresas, é pós-graduada em gestão, marketing, liderança e inovação.

Rita Serrano tem 33 anos de Caixa Econômica Federal, sendo a atual representante dos empregados eleita para o Conselho de Administração do banco estatal, cargo que ocupa desde 2014. Entre diversas funções, foi, de 2006 a 2012, presidente do Sindicato dos Bancários do ABC Paulista. Atualmente, é uma das líderes do movimento de defesa das empresas públicas.

Edição: Lílian Beraldo

Andrew Kwemoi vence e coloca Uganda na lista de campeões da São Silvestre

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Assim como na prova feminina, a corrida masculina da São Silvestre de 2022 teve um campeão africano. O vencedor foi Andrew Kwemoi, de 22 anos, ganhador pela primeira vez no tradicional circuito brasileiro e primeiro representante de Uganda no lugar mais alto do pódio na competição.

A 97ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre foi disputada neste sábado (31), em São Paulo.
Joseph Panga, da Tanzânia, cruzou a linha de chegada na segunda colocação, e o também ugandense Maxwell Rotich completou o pódio. Fábio Jesus Ferreira foi o melhor brasileiro na categoria e terminou na quarta posição.

A última vitória brasileira na prova masculina da São Silvestre aconteceu em 2010, com Marílson Gomes dos Santos.

Desde então, houve dez ganhadores africanos, além do etíope Dawit Fikadu Admasu, que venceu em 2017 já como representante do Bahrein, país asiático pelo qual se naturalizou após a sua primeira conquista na prova brasileira, em 2014.

Com a vitória de Kwemoi, Uganda entra pela primeira vez na lista de títulos masculinos na São Silvestre. O Quênia lidera esse ranking com 15 vitórias, e o Brasil aparece em segundo lugar, com 11.

A 97ª edição da São Silvestre marcou o retorno da normalidade no evento após a pandemia da Covid-19. Depois de ter sido suspensa em 2020 por conta das restrições provocadas pelo coronavírus, a edição do ano passado havia sido realizada com limite de inscritos (22 mil).

Desta vez, sem limitação, a prova contou com 32 mil participantes, de acordo com os organizadores.
A principal corrida de rua da América Latina tem um percurso de ao todo 15 km por ruas e avenidas da cidade de São Paulo. Tanto a largada quanto a chegada acontecem na Avenida Paulista.

O trajeto também passa por pontos conhecidos da cidade, como o estádio Pacaembu, a Praça da República e a esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São João.

Catherine Reline vence e mantém hegemonia queniana na São Silvestre

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O domínio queniano está mantido por mais um ano na prova feminina da Corrida Internacional de São Silvestre. Catherine Reline, de 20 anos, foi a vencedora da categoria na 97ª edição da competição de rua, disputada neste sábado (31), em São Paulo.

A jovem atleta vinha de vitória na Meia Maratona da Itália nesta temporada e já era apontada como um dos destaques da elite feminina.

Catherine se manteve na liderança desde a primeira parte da prova, na altura do Estádio do Pacaembu, e cruzou a linha de chegada com um tempo de 49min43s. O recorde pertence a outra corredora do Quênia: Jemima Sumgong, com 48min35, em 2016.

No ano passado, o primeiro lugar do pódio havia ficado com a também queniana Sandrafelis Tuei, com 50min06.

Completaram o pódio as etíopes Wude Ayalew Yimer e Kebebush Yisma Ewoldemariam. A melhor brasileira foi Jenifer do Nascimento Silva, que cruzou a linha de chegada na quarta colocação.

A corrida deste ano marcou a despedida da brasileira Maria Zeferina Baldaia, aos 50 anos, depois de 21 participações na São Silvestre. Ela foi a terceira vencedora do país nesta corrida, em 2001, depois de Carmen de Oliveira, em 1995, e Roseli Machado, em 1996.

Desde a vitória de Lucélia Peres, em 2006, a prova feminina da São Silvestre tem sido dominada pelas quenianas. Nas 15 corridas desde então, atletas do país venceram 12 vezes, sendo as últimas seis de maneira consecutiva. A única a conseguir quebrar essa hegemonia foi Yimer Wude Ayalew, da Etiópia, ganhadora em 2008, 2014 e 2015.

Neste século, apenas quatro ganhadoras da prova feminina não eram representantes do continente africano. São elas as brasileiras Maria Zeferina Baldaia (2001) e Marizete de Paula Rezende (2002), além da própria Lucélia Peres e da sérvia Olivera Jevtić (2005).

Nenhum país tem tantas vitórias na São Silvestre quanto o Quênia. Entre as mulheres, são 15 vitórias de atletas quenianas. Em segundo lugar aparece Portugal, com sete títulos, seis deles da recordista Rosa Mota, campeã entre 1981 e 1986.

O Brasil tem cinco vitórias na história, com Carmem Oliveira (1995), Roseli Machado (1996), Maria Zeferina Baldaia (2001), Marizete de Paula Rezende (2002), e Lucélia Peres (2006).

A 97ª edição da São Silvestre marcou o retorno da normalidade no evento após a pandemia da Covid-19. Depois de ter sido suspensa em 2020 por conta das restrições provocadas pelo coronavírus, a edição do ano passado havia sido realizada com limite de inscritos (22 mil).

Desta vez, sem limitação, a prova contou com 32 mil participantes, de acordo com os organizadores. Um dos destaques foi justamente o aumento da participação feminina, com 35,6% de mulheres em relação ao total de inscritos, contra 29,4% no ano passado.

A principal corrida de rua da América Latina tem um percurso de ao todo 15 km por ruas e avenidas da cidade de São Paulo. Tanto a largada quanto a chegada acontecem na Avenida Paulista.
O trajeto também passa por pontos conhecidos da cidade, como o estádio Pacaembu, a Praça da República e a esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São João.

Na categoria cadeirantes, o primeiro lugar no pódio da São Silvestre de 2022 ficou com a brasileira Vanessa Cristina de Souza. Este foi o quarto título dela nesta prova.

Morre o papa emérito Bento 16 aos 95 anos, 1º a renunciar em 600 anos

JOÃO BATISTA NATALI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O papa emérito Bento 16 morreu neste sábado (31), aos 95 anos, em um monastério onde vivia no Vaticano. Sinos badalaram logo após o anúncio, em um dia ensolarado na Itália.

A Igreja Católica anunciou que o funeral será realizado a partir do dia 5 de janeiro, em cerimônia presidida pelo papa Francisco na praça São Pedro.

O alemão Bento 16 ficará marcado pela decisão surpreendente, em 11 de fevereiro de 2013, de renunciar ao papado. Desde Gregório 12, em 1415, um pontífice não deixava por conta própria a chefia da Igreja Católica.

Jornais italianos disseram, à época, que ele estava enojado com escândalos sexuais e financeiros na alta hierarquia do Vaticano. Mas a versão acabou não se confirmando, o que favoreceu a tese de que ele, enfermo, e três encíclicas depois, estava debilitado pela rotina de quase oito anos de pontificado.

Já sob o título de papa emérito, após a renúncia, Bento 16 passou a ocupar dependências modestas de um mosteiro nos terrenos do Vaticano, de onde saiu poucas vezes, como, a convite do papa Francisco, seu sucessor, para a missa de canonização de João Paulo 2º (1920-2005), a quem ele sucedera em 2005.

Difícil saber até que ponto Joseph Ratzinger, seu nome original, trabalhou para enfraquecer Francisco, bem mais aberto em questões como divórcio ou relacionamento da igreja com pessoas LGBTQIA+.

Mas um dos consensos biográficos atribui a Ratzinger erudição e preparo teológico excepcionais. Como papa, quis marcar sua presença pelo combate à relativização dos valores religiosos ou morais.

É provável, no entanto, que passe para a história da Igreja Católica pela gestão marcada por denúncias de pedofilia na instituição, uma bomba de efeito retardado que recebeu dos pontificados anteriores.

Reservado e pouco carismático, Ratzinger, ao sair com a mitra papal do conclave de abril de 2005, sucedeu João Paulo 2º, homem que, em mais de 26 anos de pontificado e viagens a 129 países e regiões autônomas, virou uma estrela pop do catolicismo. Bento 16 visivelmente perdia nessa comparação.

Karol Wojtyla, nome original de João Paulo 2º, polonês discriminado pelo comunismo, dedicou parte de suas energias a minar a legitimidade dos regimes políticos na esfera soviética. E, no embalo, neutralizou o crescimento do pensamento de esquerda dentro da igreja. Para essa tarefa, teve como braço direito o cardeal Ratzinger, seu prefeito da Congregação da Doutrina da Fé (ex-Inquisição).

Com o adversário interno neutralizado -bispos progressistas não se tornaram cardeais, como o brasileiro Helder Câmara-, o jogo político, por assim dizer, automaticamente perdeu importância.

A plataforma de Ratzinger, já como papa, tornou-se mais abstrata para a grande massa de católicos.
Bento 16 procurou se contrapor à secularização e à perda do conteúdo espiritual no século 21. Ou, de modo mais radical, disse valorizar a oração à militância, o que os vaticanistas apontaram como ideia bastante conservadora, a exemplo, aliás, das que prevaleceram nas últimas décadas na alta hierarquia da igreja. O último que escapou delas foi João 23, o papa do Concílio Vaticano 2º, que morreu em 1963.

Dentro da mais absoluta ortodoxia, Bento 16 não fez concessões aos preservativos como instrumento de combate à Aids. A eles contrapunha a abstinência, a fidelidade conjugal e ações contra a pobreza.

Não abriu mão da proibição de ordenação de mulheres -um tópico já meio envelhecido entre as feministas católicas- e criticou os homossexuais. Mesmo se opondo ao preconceito homofóbico, afirmou em 2008 que a relativização da diferença entre homens e mulheres era uma “violação da ordem natural” e que a igreja deveria “proteger a humanidade de sua autodestruição”.

Mas as acusações de pedofilia contra religiosos eclipsaram esses outros aspectos. Os primeiros sintomas de um grande problema cresceram em 1991, quando Ratzinger sugeriu a João Paulo que tirasse das dioceses e centralizasse no Vaticano as apurações, na alçada da Congregação da Doutrina da Fé.

Ele queria agilizar a punição de padres faltosos. Um deles, o mexicano Marcial Degollado, fundador da conservadora Legião de Cristo, teve seus privilégios suspensos só em 2010. No último ano do pontificado de João Paulo 2º, um relatório da conferência episcopal americana citava mais de 10 mil denúncias contra 4.300 padres, que em 81% dos casos vitimaram adolescentes do sexo masculino.

Já sob Bento 16, escândalos eclodiam nos EUA, no Canadá, na Irlanda, na Bélgica e na Alemanha, gerando ações criminais em tribunais civis e processos de indenização. Nenhum vaticanista acusaria Ratzinger de omissão. O que eles insinuam, porém, é que o papa emérito, quando cardeal, tinha outras prioridades, sobretudo o enquadramento de teólogos e padres seduzidos pela teologia da libertação.

Bento 16 também acreditava não precisar se pautar pela mídia. Com os casos de pedofilia nas manchetes dos jornais, suas respostas foram sempre morosas e esparsas, levando a uma impressão de inatividade.

Nascido em 1927 na cidadezinha bávara de Marktl, Ratzinger era filho de um policial bastante católico. Aos 14 anos foi inscrito na Juventude de Hitler, conforme determinava uma lei de 1939.

Seus biógrafos mencionam sua reação de horror quando um primo dele, com síndrome de Down, foi preso e morto, em nome da “purificação da raça”. Recrutado para os grupos de defesa antiaérea, chegou a ser prisioneiro de guerra, antes de voltar ao seminário e concluir sua formação. Foi ordenado padre em junho de 1951. Permaneceu apenas alguns meses como titular de uma paróquia. Estimulado por uma igreja que valorizava quadros intelectualizados, exerceu sua vocação para a vida acadêmica.

Lecionou teologia nas universidades de Bonn, Tübingen -na qual se aproximou do teólogo de esquerda Hans Küng, de quem se afastou no final dos anos 1960- e Regensburgo. Em 1977, já como bispo, foi nomeado por Paulo 6º arcebispo de Munique e, no mesmo ano, cardeal. Ao se tornar o 256º papa, aos 78 anos, já era o mais antigo cardeal da Cúria Romana, com 24 anos como auxiliar direto de seu predecessor.

QUEM SÃO ALGUNS DOS OUTROS PONTÍFICES QUE RENUNCIARAM

Clemente 1º (92-101): Um dos primeiros papas, teria sido o primeiro a renunciar, por razões que não são claras;

Ponciano (230-235): Renunciou durante a perseguição aos cristãos pelo imperador Maximino;

Marcelino (296-304): Não está certo se abdicou ou se foi deposto após cumprir ordem do imperador Diocleciano de oferecer sacrifícios a deuses pagãos;

Bento 5º (964): Aceitou ser deposto por Otto 1º, imperador do Sacro Império Romano, depois de apenas um mês no posto;

Bento 9º (1032-1045): Deixou o posto após vender o papado a Gregório 6º;

Celestino 5º (1294): Ficou apenas cinco meses no papado e emitiu decreto que permitia a renúncia; foi preso e morreu na prisão;

Gregório 12 (1406-1415): Renunciou para encerrar o Grande Cisma;

Bento 16 (2005-2013): Alegando falta de ‘vigor tanto do corpo como do espírito’ aos 85 anos, surpreendeu ao ser o primeiro papa a abdicar em quase 600 anos; com 95 anos hoje, ainda vive no Vaticano.

Homem de 62 é morto a facadas na noite desta sexta em Rio Claro

A Polícia Militar de Rio Claro atendeu ocorrência de homicídio à facadas ocorrido às 19h55 desta sexta-feira (30), penúltimo dia do ano. O fato ocorreu na Rua M-7, no Cervezão. A vítima, Roberto Aparecido Nicoletti, de 62 anos, foi encontrado morto na rua com quatro perfurações.

Roberto Aparecido Nicoletti, de 62 anos.

Segundo informações de populares, teria ocorrido uma discussão entre ele e outro homem. O suspeito da autoria do crime fugiu utilizando uma bicicleta. O corpo foi encaminhado ao IML de Rio Claro para exame do legista. Com mais esse, Rio Claro chega a 33 homicídios em 2022.

Espaço Livre terá festa de Réveillon gratuita na noite deste sábado (31)

Festividade começa a partir das 19 horas. Várias atrações estão programadas.

A Secretaria Municipal de Turismo promove neste sábado (31) a primeira festa de Réveillon de Rio Claro. O evento, com acesso gratuito para toda população, terá início a partir das 19 horas no Espaço Livre da Avenida Visconde. Haverá praça de alimentação coberta, espaço kids gratuito, food trucks para venda de alimentos de diversos tipos, telão de LED com contagem regressiva, e soltura de efeitos especiais com luzes e papel picado, além de pirotecnia sem estampidos, como chuva de prata.

Programação completa da festa da Virada do Ano no local.

A programação musical contempla vários estilos. Apresentam-se o DJ Hashtag, a banda Fênix (pop rock), a banda Tem Fuzuê (samba e pagode) e a banda Balaio de Gato (vários estilos). Não será permitida a entrada de bebidas e cooler no local, conforme orientação da Prefeitura Municipal.

Haverá revista dupla para todos os munícipes que comparecerem ao evento. A Guarda Civil Municipal, Defesa Civil, Vigilância Patrimonial e a Polícia Militar farão o serviço de fiscalização na festa e arredores, além de mais de 30 seguranças particulares, bem como instalação de cerco de metal. Segundo o secretário municipal de Turismo, Guilherme Pizzirani, é uma oportunidade para todas famílias que residem em Rio Claro e região se divertirem e aproveitarem preços populares na alimentação e bebidas, além da segurança.

GCM fiscaliza venda de fogos de artifício com estampidos; comércio e soltura são proibidos

Quem for flagrado vendendo ou soltando os fogos pode ser multado em até quase R$ 18 mil.

A Guarda Civil Municipal fiscalizou nessa quinta-feira (29) estabelecimentos comerciais que vendem fogos de artifício em Rio Claro. Pela Lei Municipal nº 5.314, de autoria do vereador Julinho Lopes (PP), é proibida a venda e soltura dos dispositivos que geram estampidos/barulho. A iniciativa visa amenizar a perturbação de sossego de moradores nas festividades da virada do ano mediante denúncias. No momento não houve apreensão de insumo nas lojas da Rua 14, no Claret, e na Rua 6, no São Caetano, uma vez que estavam dentro da lei.

Os valores das multas para quem descumprir as regras estabelecidas pela lei são de R$ 7.260,53 e R$ 17.937,78, para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente, e serão dobrados em caso de reincidência. Os recursos arrecadados serão revertidos para o Fundo de Proteção Animal. A Guarda Civil Municipal está responsável pela fiscalização e qualquer denúncia pode ser feita pelos telefones 153 ou 0800-771-1532.

O secretário municipal de Segurança, Rogério Guedes, em entrevista ao Jornal Cidade, destacou que a corporação também vai fiscalizar, ao longo deste fim de semana, ocorrências de uso de motocicletas com escapamentos adulterados e veículos com som alto, mediante a Lei do Pancadão. Nesta semana, o vereador Alessandro Almeida (Podemos) também solicitou a fiscalização devido à perturbação do barulho aos animais.

Fundação Municipal de Saúde vai contratar mais de 300 cirurgias eletivas

Procedimentos cirúrgicos que não são realizados pelo SUS serão contratados pela Fundação Municipal de Saúde para atender à demanda de pacientes

A Fundação Municipal de Saúde publicou edital de licitação visando à contratação de mais de 300 cirurgias eletivas de ginecologia e pediatria para atender à demanda de pacientes de Rio Claro. O pregão eletrônico está agendado para ocorrer no próximo dia 13 de janeiro. A necessidade de se ‘terceirizarem’ os procedimentos acontece, segundo a autarquia, pelo motivo de o Sistema Único de Saúde (SUS) não ofertar tais cirurgias. Poderão participar do certame empresas hospitalares que ficam em um raio de até 100 km do município.

Não se trata de um “mutirão”. Isso porque o edital prevê um prazo de 12 meses de serviços contratados, conforme a necessidade apontada pelo poder público. Na justificativa, a presidente da FMS, Giulia Puttomatti, alega que diante da necessidade observada no município através de encaminhamentos médicos, bem como o efeito ocasionado pela pandemia da Covid-19, o impacto na fila para procedimentos de cirurgias eletivas foi negativo, causando longos atrasos em suas realizações.

“Essa demanda reprimida pode gerar atraso para realização de condutas terapêuticas, agravamento de condições preexistentes, piora do prognóstico do paciente, e maior impacto financeiro para os sistemas de saúde. Como é sabido, é dever do Estado contribuir para manutenção da saúde dos cidadãos, inclusive prestando assistência farmacêutica aos necessitados. Justifica-se, ainda, pelo fato de que o município não possui equipe médica e equipamentos necessários para realização dos procedimentos, sendo assim incapaz de atender munícipes, deve-se considerar a alta demanda deste tipo de serviço”, informa.

O edital não indica o valor que será investido na contratação, no entanto, prevê que a empresa a ser contratada será aquela que ofertar o menor preço por cada cirurgia. Entre os previstos na pediatria estão 68 procedimentos cirúrgicos para hérnia inguinal unilateral, 78 cirurgias para hérnia umbilical, 12 para hipospadia, 27 para postectomia, 19 para tratamento de hidrocele, entre outros. Já para cirurgias no âmbito da ginecologia estão tratamentos para cistocele, histerectomia total, colpoperineoplastia anterior e posterior, entre outros.

Passeios em cachoeiras exigem cuidados com “cabeças d’água”

Aumento repentino do volume de água coloca em risco a vida dos visitantes.

O verão e as férias são um convite para conhecer novos locais, como praias e parques, porém é preciso ficar atento a alguns detalhes antes de se aventurar em meio à natureza. Em épocas de chuvas, um dos principais riscos em passeios a cachoeiras e rios são as cabeças d’água. Esse fenômeno meteorológico é o aumento repentino do volume das águas de cachoeiras, rios e lagos, quando chove muito rio acima. A correnteza se torna muito forte e dificulta a saída dos banhistas.

Entre as medidas preventivas estão: ficar de olho em alterações no volume e velocidade da água; ficar de olho na mudança de coloração e presença de detritos na água; ficar de ouvidos atentos ao aumento no ruído da cachoeira; sempre escolher com cuidado o local onde permanecerá; buscar um local mais alto para refúgio; não tentar atravessar rios caudalosos, aguardar socorro; entrar em contato com os serviços de resgate; sempre levar consigo água e algum alimento; sempre avisar aos seus familiares onde está indo e quando pretende voltar e utilizar roupas e equipamentos compatíveis com a atividade que pretende realizar.

Ex-zagueiro do Santos relembra conquistas e amizade com Pelé

Os atletas que tiveram o privilégio de jogar ao lado do Rei do Futebol Pelé guardam com carinho as lembranças e memorias junto ao Atleta do Século. É o caso do ex-zagueiro Emerson Marçal, 78 anos, que além de ter atuado com o Rei no Santos FC construiu em seis anos de Peixe um laço e amizade com Pelé.

Senador Jean Paul Prates será o novo presidente da Petrobras

MARIANNA HOLANDA, RENATO MACHADO, NATHALIA GARCIA, DANIELLE BRANT E VICTORIA AZEVEDO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O senador Jean Paul Prates (PT-RN) será o novo presidente da Petrobras no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O nome já era ventilado há semanas para o cargo. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (30), após reunião com a presença de Lula, no hotel em que o petista está hospedado em Brasília.

A escolha é vista como uma sinalização de que o futuro governo petista vai manter uma política mais ativa para evitar flutuações nos preços dos combustíveis. Durante a atuação no gabinete de transição, o parlamentar declarou que a política de preços dos combustíveis cabe ao governo, e não à estatal.

Jean Paul integrou o gabinete de transição e foi um dos coordenadores do grupo técnico de Minas e Energia. Ele chegou a ser apontado como um dos candidatos a ministro da pasta, que acabou depois destinada para o PSD -o indicado foi o senador Alexandre Silveira (PSD-MG).

O parlamentar petista é considerado um técnico da área e foi relator do Senado de projetos de lei votados para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis. Ele defende a criação de uma conta de estabilização, cujos recursos seriam usados para amenizar o impacto de oscilações nos preços. As possíveis fontes de recursos para essa conta seriam os royalties de petróleo e impostos sobre exportação, entre outros.

Jean Paul assumiu seu mandato em 2019, como suplente de Fátima Bezerra (PT-RN), que foi eleita governadora de seu estado. Ele tem 54 anos e é advogado e economista, com experiência de mais de três décadas atuando nas áreas de petróleo, gás natural, biocombustíveis, energia renovável e recursos naturais.

Foi membro da assessoria jurídica da Braspetro (Petrobras internacional) e secretário de Estado de Energia do Rio Grande do Norte.

Durante a atuação do gabinete de transição, algumas falas de Prates provocaram a reação do mercado, por sugerir que o governo teria uma política mais intervencionista nos preços dos combustíveis.

“Quem define política de preço de qualquer coisa no país, se vai intervir ou não, se vai ser livre ou não, se vai ser internacional ou não, é o governo. O que está errado e a gente tem que desfazer de uma vez por todas é dizer que a Petrobras define política de preços de combustível. Não vai ser assim. Vai seguir a política do governo? Claro”, afirmou.

Prates também disse que o novo conselho da Petrobras deve rever a política de distribuição de dividendos.

Integrantes do PT dizem que não há impedimento legal para que ele ocupe o posto -ou seja, não seriam necessárias alterações na Lei das Estatais para que a nomeação fosse realizada.

O estatuto da Petrobras inclui a restrição a integrantes de campanhas políticas. Como mostrou a Folha de S.Paulo, especialistas e conselheiros da estatal ainda não têm avaliação sobre possíveis restrições ao nome de Prates.

O senador buscou se afastar formalmente da campanha de Lula e não assumiu funções de coordenação no processo. Ele ajudou nas discussões a respeito de políticas para a área durante a formulação do plano de governo.

Rio Claro FC irá manter os valores dos ingressos para a A-2 de 2023

Dentre as partidas em casa, o Galo Azul terá o dérbi rio-clarense contra o Velo Clube.

A diretoria do Rio Claro FC confirmou através do seu gestor Clayton Vieira que irá manter para 2023 os valores cobrados nos ingressos no estadual deste ano. O torcedor do Azulão que quiser acompanhar as oito partidas do clube no Paulistão A-2 de 2023 pagará R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia-entrada na arquibancada coberta e R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia na arquibancada descoberta.

No Schmidtão, o Rio Claro enfrentará no dia 18 de janeiro a Portuguesa Santista às 15h, dia 28 às 15h30 o Lemense, dia 11 de fevereiro o clássico contra o Velo Clube às 15h, dia 18 contra o XV de Piracicaba às 15h, dia 25 contra o São Caetano às 15h e dia 11 de março às 15h diante do Comercial de Ribeirão Preto.

Jornal Cidade RC
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