O que a PF quer saber do presidente

Estadão Conteúdo 

As 82 perguntas da Polícia Federal ao presidente sob suspeita de corrupção e obstrução da justiça.

1. Qual a relação de Vossa Excelência com Rodrigo da Rocha Loures?

2. Desde quando o conhece? Já o teve como componente de sua equipe de trabalho? Quais os cargos ocupados por ele, diretamente vinculados ao de Vossa Excelência?

3. Rodrigo da Rocha Loures é pessoa da estrita confiança de Vossa Excelência?

4. Vossa Excelência confirma ter realizado contribuição financeira à campanha de Rodrigo da Rocha Loures à Câmara dos Deputados, nas eleições de 2014, no valor de R$ 200.650,30? Quais os motivos dessa doação?

5. Vossa Excelência realizou contribuições a outros candidatos nessa mesma eleição? Se a resposta for afirmativa, discriminar beneficiários e valores.

6. Vossa Excelência gravou um vídeo de apoio à candidatura de Rodrigo da Rocha Loures à Càmara dos Deputados, em 2014. Fez algo semelhante em prol de outro candidato? Quais?

7. Rodrigo da Rocha Loures, mesmo após ter assumido vaga na Cêmara dos Deputados, manteve relação próxima com Vossa Excelência e com o Gabinete Presidencial?

8. Vossa Excelência confirma ter estado com Joesley Batista, Presidente do Grupo J&F Investimentos S/A, em 7 de março de 2017 no Palácio do Jaburu, em Brasília, conforme referido por ele em depoimento de fls. 42/51 dos autos do Inquérito no 4483?

9. Qual o objeto do encontro e quem o solicitou a Vossa Excelência?

10. Rodrigo da Rocha Loures teve prévio conhecimento da realização desse encontro?

11. Por qual motivo a reunião em questão não estava inserida nos compromissos oficiais de Vossa Excelência?

12. Vossa Excelência tem por hábito receber empresários em horários noturnos e sem prévio registro em agenda oficial? Se sim, cite ao menos três empresários com quem manteve encontros em circunstâncias análogas ao de Joesley Batista, após ter assumido a Presidência da República.

13. Vossa Excelência já havia encontrado Joesley Batista fora da agenda oficial? Quando, onde e qual o propósito do(s) encontro (s)?

14. Em pronunciamento público acerca do ocorrido, Vossa Excelência mencionou que considerava Joesley Batista um ‘conhecido falastrão’. Qual o motivo, então, para tê-lo recebido em sua residência, em horário, prima facie, não usual, em compromisso extraoficial e sem que o empresário tivesse sido devidamente cadastrado quando ingressou às instalações do Palácio do Jaburu (segundo as declarações do próprio Joesley Batista)?

15. Vossa Excelência aventou a possibilidade de realizar viagem a Nova York, no período de 13 a 17 de maio de 2017? Rodrigo da Rocha Loures chegou a comentar com Vossa Excelência sobre o interesse de Joesley Batista de encontrá-lo na sede da JBS, naquela cidade?

16. Vossa Excelência sabe se o ex-ministro Geddel Vieira Lima mantinha encontros ou contatos com o empresário Joesley Batista, segundo referido por este às fls 42/51? Se sim, esclarecer a finalidade desses encontros?

17. Vossa Excelência tem conhecimento se o ministro Eliseu Padilha mantinha encontros ou contatos com o empresário Joesley Batista segundo referido por este às fls 42/51? Se sim, esclarecer a finalidade desses encontros?

18. No mesmo depoimento de fls. 42/51, Joesley Batista disse ter informado Vossa Excelência, no encontro, sobre a cessação de pagamentos de propina a Eduardo Cunha e da manutenção de mensalidades destinadas a Lúcio Bolonha Funaro, ao que Vossa Excelência teria sugerido o prosseguimento dessa prática. Em seguida, o empresário afirmou ‘que sempre recebeu sinais claros de que era importante manter financeiramente ambos e as famílias, inicialmente por Geddel Vieira Lima e depois por Michel Temer para que eles ficassem ‘calmos’ e não falassem em colaboração premiada’. Vossa Excelência confirma ter recebido de Joesley Batista, na conversa havida no Palácio do Jaburu, a informação de que ele estaria prestando suporte financeiro às famílias de Lúcio Funaro e de Eduardo Cunha, como forma de mantê-los em silêncio? Em caso de resposta negativa, esclareceu a Joesley Batista, na ocasião, que não tinha qualquer receio de eventual acordo de colaboração de Lúcio Funaro ou de Eduardo Cunha?

19. Existe algum fato objetivo que envolva a pessoa de Vossa Excelência e seja passível de ser revelado por Lúcio Bolonha Funaro ou Eduardo Cunha, em eventual acordo de colaboração?

20. Vossa Exceiência sabe de algum fato objetivo que envolva o ex-ministro Geddel Vieira Lima e que possa ser mencionado em acordo de colaboração premiada que eventualmente venha a ser firmado?

21. Vossa Excelência conhece Lúcio Bolonha Funaro? Que tipo de relação mantém ou manteve com ele? Já realizou algum negócio jurídico com Lúcio Bolonha Funaro ou com empresas controladas por ele? Quais?

22. Lúcio Bolonha Funaro já atuou na arrecadação de fundos a campanhas eleitorais promovidas por Vossa Excelência ou ao PMDB quando Vossa Excelência estava à frente da sigla? Se sim, especificar a(s) campanha (s)

23. Joesley Batista também aduziu no depoimento de fls 4251 que Vossa Excelência se dispôs a ‘ajudar’ Eduardo Cunha no Supremo Tribunal Federal através de dois Ministros que lá atuam? Vossa Excelência confirma isso? Se sim, de que forma prestaria tal ajuda? Quais eram esses dois Ministros?

24. Joesley Batista afirma, no depoimento de fls. 42/51, que Rodrigo da Rocha Loures foi indicado por Vossa Excelência, em substituição a Geddel Vieira Lima, como interlocutor ao Grupo J&F Investimentos S/A. Vossa Excelência confirma tê-lo indicado para tal função? Se sim, quais temas estavam compreendidos nessa interlocução?

25. Vossa Excelência já indicou Rodrigo da Rocha Loures para atuar como interlocutor do Governo Federal em alguma questão?

26. Vossa Excelência sabe se Rodrigo da Rocha Loures reuniu-se com Joesley Batista, após o encontro mantido entre Vossa Excelência e esse ampresário, no Palácio do Jaburu? Se sim, qual a finalidade do encontro?

27. Rodrigo da Rocha Loures reportou a Vossa Excelência algum assunto tratado com Joesley Batista? Quais?

28. Vossa Excelência esteve com Rodrigo da Rocha Loures após conversa mantida com Joesley Batista em 7 de março de 2017? Se sim, aponte, com a máxima precisão possível, quando e onde se deram tais encontros.

29. Recorda-se de Joesley Batista, na conversa mantida com Vossa Excelência no Palácio do Jaburu, ter feito comentários acerca do comando do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) assim como da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Receita Federal do Brasil? Qual o interesse manifestado pelo empresário acerca desses órgãos?

30. Vossa Excelência teve ciência, através de Rodrigo da Rocha Loures, do interesse do Grupo J & F Investimentos S/A em questão submetida ao CADE, envolvendo o setor de energia? Quais informações foram levadas a Vossa Excelência?

31. Vossa Excelência determinou a Rodrigo da Rocha Loures que interviesse junto ao CADE no sentido de atender a interesses do Grupo J & F Investimentos S/A?

32. Vossa Excelência tomou conhecimento (antes da divulgação jornalística) de encontros mantidos entre Rodrigo da Rocha Loures e Ricardo Saud, Diretor do Grupo J & F Investimentos S/A? Se sim soube do encontro antecipadamente? Qual a pauta dessas reunioes?

33. Vossa Excelência compareceu à inauguração da Casa Japão, em São Paulo, em 30 de abril de 2017. Rodrigo da Rocha Loures viajou com Vossa Excelência no avião presidencial? Se sim, Rodrigo da Rocha Loures reportou a Vossa Excelência, durante a viagem, Grupo J & F Investimentos S/A. naquela mesma semana? Se sim, em que termos foi o relato?

34 Vossa Excelência soube que Ricardo Saud, em encontros realizados em 28 de abril de 2017, expôs a Rodrigo da Rocha Loures, em detalhes, um ‘esquema’ envolvendo o pagamento de vantagens indevidas decorrente da suposta intervenção do então parlamentar junto ao CADE, em prol dos interesses do Grupo J & F Investimentos SA?

35. Em caso de resposta negativa, o que tem a dizer acerca desse episódio, mesmo que dele tenha tomado conhecimento somente por sua veiculação na imprensa?

36. Rodrigo da Rocha Loures chegou a levar ao conhecimento de Vossa Excelência a disponibilidade do Grupo J & F Investimentos em fazer pagamentos semanais que girariam entre R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e Rs 1.000.000,00 (um milhão de reais), por conta da resolução da questão que estava em trâmite no CADE?

37. Vossa Excelência soube, também por Rodrigo da Rocha Loures, que tais pagamentos semanais estavam garantidos até dezembro do corrente ano e, a depender da extensão do contrato firmado entre empresa do Grupo J & F e a Petrobras, poderiam se prolongar por até vinte e cinco anos?

38. Caso não tenha tomado conhecimento, Vossa Excelência acredita que Rodrigo da Rocha Loures possa ter participado de tais tratativas com o Grupo J & F Investimentos S/A com o intuito de obter exclusivamente para si as quantias que na hipótese da mencionada dilação contratual, chegariam pelo menos à casa dos R$ 600.000.000,00 (seiscentos milhões de reais)?

39. Vossa Excelência tomou conhecimento (antes da divulgação na imprensa) do recebimento, por Rodrigo da Rocha Loures, de R$ 500 000,00 (quinhentos mil reais) do Grupo J & F Investimentos S/A, em São Paulo, em 28 de abril de 2017? O que tem a dizer sobre tal fato (ainda que tenha tomado conhecimento do mesmo pela imprensa)?

40. Após a divulgação desses fatos pela imprensa, que demonstraram a participação inequívoca de Rodrigo da Rocha Loures em conduta aparentemente criminosa, Vossa Excelência manteve algum contato com ele, diretamente, seja por interpostas pessoas? Se sim, por qual meio e qual a finalidade do contato?

41. Ricardo Saud, em depoimento prestado na Procuradoria-Geral da República, conforme vídeo já amplamente divulgado, afirmou que tratou com Rodrigo da Rocha Loures sobre os repasses semanais já mencionados, mas ressaltou, categoricamente, que o dinheiro era direcionado a Vossa Excelência. O que Vvossa Excelência tem a dizer a respeito?

42. Vossa Excelência considera a hipótese de Rodrigo da Rocha Loures ter usado o nome de Vossa Excelência para obter valores espúrios do Grupo J & F Investimentos S/A?

43. Vossa Excelência conhece Ricardo Saud? Qual a relação que mantém com ele?

44, Vossa Excelência já esteve com Ricardo Saud em alguma ocasião? Onde e qual o motivo do encontro?

45. Já solicitou ou recebeu algum valor através de Ricardo Saud a pretexto de contribuição de campanha?

46. Recebeu alguma contribuição financeira de empresas pertencentes ao Grupo J & F Investimentos S/A? Discriminar as campanhas, os valores, quem os solicitou e como foram encaminhados (se via diretórios ou diretamente)

47. Vossa Excelência tem alguém chamado ‘EDGAR’ no universo de pessoas com quem se relaciona com certa proximidade? Se sim, identificar tal pessoa, mencionando a atividade profissional, eventual envolvimento na atividade partidária, descrevendo, ainda, a relação que com ela mantém.

48 Vossa Excelência conhece Antônio Celso Grecco, proprietário do Grupo Rodrimar, de Santos/SP? Qual relação mantém com ele?

49. Vossa Excelência já recebeu alguma contribuição financeira para fins eleitorais de Antônio Celso Grecco, da empresa Rodrimar ou de alguma outra empresa a ela vinculada? Quando e qual o valor?

50. Vossa Excelência recebeu alguma reivindicação dessa empresa, ou de outra igualmente atuante no segmento de portos, relacionada à questão do ‘pré-93’? Se sim, em que termos?

51. Vossa Excelência tem conhecimento se Rodrigo da Rocha Loures recebeu alguma reivindicação da Rodrimar ou de outra empresa igualmente atuante no segmento de portos, relacionada a esse tema?

52 Rodrigo da Rocha Loures chegou a demonstrar a Vossa Excelência interesse pela questão do ‘pré-93’?

53. Rodrigo da Rocha Loures tem alguma relação com empresas do setor portuário?

54. Vossa Excelência tem relação de proximidade com empresários atuantes no segmento portuário, especialmente de Santos/SP?

55. Vossa Excelência conhece Ricardo Mesquita vinculado à Rodrimar? Que relação mantém com tal pessoa?

56. Rodrigo da Rocha Loures mencionou a Vossa Excelência o fato de ter encontrado Ricardo Mesquita no mesmo dia (e local) em que esteve reunido com Ricardo Saud? Se sim, qual o propósito do encontro com Ricardo Mesquita?

57. Vossa Excelência conhece João Baptista Lima Filho, Coronel inativo da Polícia Militar de São Paulo? Qual relação mantém com ele?

58. João Baptista Lima Filho já teve alguma atuação em campanha eleitoral promovida por Vossa Excelência? Qual a função desempenhada por ele?

59. João Baptista Lima Filho já atuou na arrecadação de valores a eventual campanha política de Vossa Excelência ou ao PMDB de São Paulo?

60. Joesley Batista afirmou que desde a assunção de Vossa Excelência como Presidente da República, vinha mantendo contatos com o ministro Geddel Vieira Lima. Vossa Excelência tinha conhecimento de encontros? A que se destinavam?

61. O empresário referiu também que vinha ‘falando’ com o ministro Eliseu Padilha. Vossa Excelência tinha conhecimento desses contatos?

62. Quando Joesley Batista perguntou como estava a relação de Vossa Excelência com o ex-deputado Eduardo Cunha, Vossa Excelência mencionou ‘o Eduardo resolveu me fustigar’, aludindo, em seguida, a questionamentos que ele havia proposto ao juiz Sérgio Moro em seu interrogatório realizado na 13.ª Vara Federal, em Curitiba/PR. Imediatamente, Joesley Batista referiu que havia ‘zerado as pendências’ (presumivelmente em relação a Eduardo Cunha) e que perdera o contato com Geddel, ‘o único companheiro dele’, não mais podendo encontrá-lo, ao que Vossa Excelência fez o comentário ‘é complicado’. A quais pendências se referiu Joesley Batista?

63. Geddel Vieira Lima efetivamente mantinha relação próxima a Eduardo Cunha?

64 Vossa Excelência via algum inconveniente na realização de encontros entre Joesley Batista e Geddel Vieira Lima? Qual o motivo de ter classificado a situação exposta como ‘complicada’?

65. Em seguida, Joesley Batista, em outros termos, mencionou que investigações envolvendo Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima haviam tangenciado o Grupo J & F Investimentos SIA, afirmando, com conotação de prevenção que estava de bem com Eduardo, ao que Vossa Excelência interveio com a colocação ‘tem que manter isso, viu?’, tendo o empresário complementado dizendo ‘todo mês’.

66. Termos ‘tem que manter isso’

67. Uma das interpretações possíveis a essa passagem do diálogo é de que Joesley Batista, ao afirmar que ‘estava de bem’, tenha se referido a pagamentos mensais que vinha efetuando a Eduardo Cunha com o propósito de não se ver implicado em eventuais revelações que pudessem partir do ex-parlamentar. Vossa Excelência sequer considerou essa hipótese?

68. Vossa Excelência tem conhecimento de alguma ilegalidade cometida por Eduardo Cunha? Quais?

69. Avançando no diálogo, Joesley Batista, ao mencionar a sua condição de investigado, afirmou ‘aqui, eu dei conta, de um lado, do juiz dar uma segurada… do outro lado, um juiz substituto, ao que Vossa Excelência complementou: ‘que tá segurando, os dois…’, o que foi confirmado por Joesley, ‘os dois’. Logo em seguida, o empresário adicionou a informação ‘consegui um procurador dentro da força-tarefa que tá me dando informação’. Adiante, o empresário complementa que estava agindo (sem explicar como) para trocar um Procurador da República que estava ‘atrás dele’, fazendo menção, ao que o contexto indica, à atuação de um membro do Ministério Público Federal em alguma investigação. Vossa Excelência, inclusive, se certifica indagando ‘o que tá em cima de você?’, o que é confirmado pelo empresário. Vossa Excelência percebeu alguma ilicitude nas informações que lhe estavam sendo transmitidas por Joesley Batista?

70. Ao fazer o breve comentário ‘segurando os dois’ Vossa Excelência aparenta compreender a alusão do empresário à suposta intervenção nas investigações instauradas em seu desfavor (de Joesley Batista). O que tem a dizer sobre isso? Caso tenha feito interpretação diversa, a exponha.

71. Se, no entanto, Vossa Excelência confirma ter entendido, naquele momento, o imediato sentido que emana das expressões usadas pelo empresário, explique o porquê de não ter advertido Joesley Batista quanto à gravidade daquela revelação e, também, por qual razão não levou ao conhecimento de autoridades a ilícita ingerência na prestação jurisdicional e na atuação do Ministério Público que lhe fora narrada por Joesley Batista?

72. Mais à frente, em contexto diverso, Joesley Batista aparentemente procurou estabelecer (ou restabelecer) um canal de contato com Vossa Excelência: ‘queria falar como é que é, pra falar contigo, qual melhor maneira? Porque eu vinha falando através do Geddel, eu não vou lhe incomodar, evidentemente’, Vossa Excelência confirma ter mencionado Rodrigo da Rocha Loures nesse momento?

73. Qual a função que ele deveria efetivamente exercer?

74. Joesley Batista já conhecia Rodrigo da Rocha Loures?

75. No tocante às menções feitas pelo empresário à nomeação de presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) Vossa Excelência assegurou que tal nomeação já havia ocorrido. Vossa Excelência sugeriu a Joesley Batista que procurasse o novo Presidente do CADE para ter uma ‘conversa franca’ com ele? Qual o exato significado dessa orientação?

76. Vossa Excelência, naquele momento, tinha conhecimendo de algum interesse específico de Joesley Batista no âmbito do CADE?

77. Joesley Batista mencionou também que o Presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estava por ser ‘trocado’ e que se tratava de ‘lugar fundamental’. Vossa Excelencia, então, orientou o empresário para que falasse com ‘ele’. A quem Vossa Excelência se referiu?

78. Qual a legitimidade de Joesley Batista para interceder (ou tentar, ao menos) na nomeação do novo presidente da CVM?

79. Em seguida, Joesley Batista referiu a importância de um ‘alinhamento’ com o Ministro Henrique Meirelles, ao que Vossa Excelência manifestou concordância. Qual o sentido da expressão ‘alinhamento’?

80. Vossa Excelência autorizou que Joesley Batista apresentasse pontos de interesse ao Ministro Henrique Meirellesw? Quais? Vossa Excelência tem conhecimento se isso realmente ocorreu?

81. Joesley Batista também mencionou determinada operação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que tinha dado certo, sendo que Vossa Excelência manifestou ter conhecimento do tema, mencionando, inclusive, que havia falado com ‘ela’ a respeito. Qual operação referida pelo empresário?

82. A pessoa aludida por Vossa Excelência no contexto é Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente do BNDES? O que solicitou a ela?

Homicídio: homem é assassinado em Santa Gertrudes

Da Redação

Um homem foi morto a tiros nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (6), em Santa Gertrudes. Marcelo de Jesus Dutra é o nome da vítima, que ainda não teve idade divulgada.

Segundo informações preliminares, o crime ocorreu na Rodovia Constante Peruchi (SP-316), próximo da antiga Estação Ferroviária do município vizinho.

A Guarda Civil Municipal atende a ocorrência neste momento e aguarda a perícia da Polícia Civil. Mais informações na edição impressa do JC nesta quarta-feira (7).

Vale lembrar que na noite dessa segunda-feira (5), um homem foi morto a tiros no bairro Parque São Jorge, em Rio Claro. No fim de semana, um adolescente de 16 anos também foi assassinado no município.

Rio Claro tem selo comemorativo aos seus 190 anos

Divulgação 

Para comemorar seus 190 anos, Rio Claro ganhou selo e carimbo especiais, lançados pela prefeitura, em parceria com os Correios, na tarde de segunda-feira (5). A cidade celebra aniversário no próximo dia 24.

“Este lançamento marca o início das festividades de Rio Claro, que tem no seu povo sua maior riqueza”, destacou o prefeito João Teixeira Junior, o Juninho da Padaria. “Esta parceria com os Correios permitiu que ganhássemos um selo que irá divulgar positivamente o nome de Rio Claro”, finalizou o prefeito.

“Por meio do selo e carimbo a memória de Rio Claro ficará registrada e as correspondências em que forem utilizados levarão aos destinatários um pouco da história do município”, ressaltou Juliana Muller Santos, gerente regional de vendas dos Correios, que representou o diretor dos Correios, Wilson Abadio de Oliveira.

André Godoy, presidente da Câmara de Vereadores falou da importância de seguir trabalhando para levar a cidade ao patamar que merece e o vereador Val Demarchi, que na solenidade representou o deputado estadual Aldo Demarchi, observou que a cidade deve seguir progredindo de forma digna, correta e ética. O deputado federal Luiz Lauro Filho destacou a importância dos serviços prestados pelos Correios, especialmente a dedicação dos carteiros.

O selo é uma peça filatélica que será usada pela prefeitura para personalizar suas cartas e difundir a imagem de Rio Claro. O selo não estará disponível para comercialização e seu uso será restrito apenas à Prefeitura de Rio Claro. A inspiração para criação do selo veio das águas dos rios que banham o município.

A mesma imagem do selo foi usada na confecção do carimbo que ficará na agência central dos Correios na Rua 1 por 30 dias (de 5 de junho a 4 de julho) onde será carimbado nas correspondências nacionais e internacionais que passarem pela unidade nesse período. Após esse prazo, o carimbo irá compor o acervo do Museu Nacional dos Correios onde ficará registrado, servindo de fonte de pesquisa.

Aprenda a aproveitar os alimentos com sabor e saúde

Do Portal do Governo de SP

O Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam alimento no mundo. Em meio à Semana do Meio Ambiente, ações simples que podem ser realizadas em casa, como o bom aproveitamento dos alimentos, podem contribuir para a melhoria deste cenário.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), desde a colheita até a mesa do consumidor são perdidas até 30% das frutas e hortaliças consumidas no Brasil. Em contrapartida, mais de 3 milhões de brasileiros ainda passam fome.

Para ajudar a equilibrar a situação, o livro “Diga Não ao Desperdício & Panc’s”, desenvolvido pela Codeagro (Coordenadoria de Desenvolvimento de Agronegócios), da Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado, oferece medidas simples que podem ser adotadas para que menos alimentos sejam desperdiçados e, assim, diminuir o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar.

Baixe aqui, gratuitamente, o livro Diga Não ao Desperdício & Panc’s.

Gratuito, o livro dá dicas para o aproveitamento integral dos alimentos, o que ajuda a reduzir o gasto com alimentação e amplia a variação e a qualidade nutricional do cardápio. Entre os destaques do livro estão a utilização das Panc’s, plantas alimentícias não convencionais, e receitas saborosas e saudáveis de pratos principais, doces e sucos.

Livro retrata a trajetória de José Felício Castellano, o Gijo

Adriel Arvolea

Ele nasceu no mesmo ano de importantes nomes da nossa história, como Rainha Elizabeth II e Fidel Castro. Sua vida dedicou à promoção social. É criador e idealizador de ações e projetos voltados às áreas educacional, esportiva e cultural. Homem forte, reconhecido por seus grandes feitos e detentor de um legado que se perpetuará por gerações. Ele é José Felício Castellano, o Gijo.

Aos 91 anos, receberá mais uma homenagem em vida. No segundo semestre deste ano, será lançado o livro ‘Gijo’, que retrata sua trajetória, reúne acontecimentos memoráveis e tantos outros detalhes. Idealizado pelos irmãos Luiz Felipe e Luiz Guilherme Martelli, é uma homenagem ao patrono do Centro de Atividades do Trabalhador (CAT) Sesi Rio Claro.

“Nós, ex-alunos do Sesi, idealizamos este livro para homenagear o patrono do nosso CAT, o senhor José Felício Castellano, que empresta seu nome à unidade. É um grande homem de fato, à frente do seu tempo, um exemplo de como deveríamos ser, uma história honrada que temos o prazer de editar e eternizar neste livro ilustrado para que todos nos tornemos aprendizes de sua vida”, comenta Luiz Felipe.

Dois livros - escritos por ex-alunos e amigos - são em sua homenagem (fotos: Gijo e Aliança Foto&Vídeo)
Dois livros – escritos por ex-alunos e amigos – são em sua homenagem (fotos: Gijo e Aliança Foto&Vídeo)

Com tiragem de 500 exemplares, foram necessários oito anos para concluir o projeto. “O próprio Gijo participou ativamente da concepção do trabalho, sempre acrescentando informações e novos materiais. Nesse tempo, colhemos e selecionamos o conteúdo para compor a publicação”, reforça o idealizador.

Inicialmente seriam apenas 20 páginas, mas que saltaram para 118, para poder contar sobre a vida do assessor especial da Superintendência do Sesi-SP, que também foi vereador em Rio Claro, deputado estadual por seis legislaturas, 1º-secretário de Estado da Promoção Social, entre outros cargos.

Para o próprio homenageado, trata-se de uma expressiva retribuição por parte daqueles que um dia fizeram parte do Sesi. “É algo muito significativo para mim. Uma homenagem de quem um dia utilizou os serviços do Sesi e, agora, retribui desta forma”, avalia Gijo.

Luiz Gonzaga Renosto, diretor do Sesi Rio Claro, acredita que o livro “representa a história de uma pessoa que trabalhou imensamente por Rio Claro e merece ser contada”.

Prefeitura e Santa Casa fazem acordo para reabrir seis leitos

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Seis leitos hospitalares serão reabertos em Rio Claro, permitindo a melhora nas condições de internação na área de urgência e emergência do município. O anúncio foi feito pelo prefeito João Teixeira Junior, o Juninho da Padaria, na segunda-feira (5), em reunião com vereadores e o secretário de Saúde, Djair Francisco. “É mais um passo nesse ainda longo caminho para que a saúde pública de Rio Claro seja aquela que todos queremos”, comenta Juninho.

De acordo com o secretário da Saúde, a melhoria será possível a partir do entendimento entre a Santa Casa e a administração municipal, que renegociou pagamento atrasado de subvenção referente a 2016, pendência deixada pelo governo anterior. “Já liberamos parte dos recursos e, em contrapartida, a Santa Casa reabrirá em breve os seis leitos”, explica Djair Francisco.

O presidente da Câmara de Vereadores, André Godoy, participou da reunião e ressaltou que “a administração municipal dá mais uma demonstração prática de que Rio Claro vive um novo momento na gestão pública e que a saúde é prioridade neste trabalho”. Ao elogiar a reabertura dos leitos, Júlio Lopes observou que se trata de leitos regionais e que a participação financeira de outros municípios atendidos pela rede de saúde de Rio Claro precisa ser mais bem discutida. Os vereadores Geraldo Voluntário, Seron e Val Demarchi destacaram a importância de cada ação do município na luta pela redução da fila de espera na saúde e lembraram que essa luta também é da Câmara Municipal, que esteve ainda representada na reunião pelos vereadores Maria do Carmo Guilherme, Rafael Andreeta e Yves Carbinatti. O coordenador do AME e médico da Fundação Municipal de Saúde, Glaucos Ricardo Paraluppi, também esteve presente.

Segundo Djair Francisco, o município está redobrando esforços para reduzir a fila de espera na saúde, situação herdada pela atual administração municipal. Desde janeiro o governo municipal implantou a Farmácia Todo Dia, que oferece medicamentos inclusive nos finais de semana e feriados. O município publicou chamamento público para que hospitais privados também possam oferecer serviços na rede pública. Em outro chamamento, a Fundação de Saúde vai implantar unidades hospitalares móveis para reduzir a fila dos procedimentos de saúde. O consultório odontológico móvel, que ficou abandonado por dois anos, já foi reformado para atendimento nos bairros.

Defesa Civil fez 360 atendimentos de janeiro a maio

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Vistoria em imóveis para verificar possíveis danos estruturais foi a principal demanda da Defesa Civil de Rio Claro nos primeiros cinco meses deste ano. Dos 360 atendimentos e ações de rotina realizados pelo departamento de janeiro a maio, 117 foram vistorias em imóveis.

As outras ações que mais mobilizaram a Defesa Civil rio-clarense nesse período foram monitoramento em áreas de alagamento (80 atendimentos) e monitoramento em área de risco (46). Somente as três atividades mais frequentes responderam por 67,5% de todo o trabalho realizado até o momento neste ano pela entidade, vinculada à prefeitura por meio da Secretaria de Segurança, Defesa Civil e Mobilidade Urbana.

“No caso de monitoramento em áreas de alagamento o que chama a atenção é que em maio houve mais mobilização da Defesa Civil do que em fevereiro, março e abril somados”, comenta o diretor da Defesa Civil de Rio Claro Wagner Martins Araújo, lembrando que os três primeiros meses do ano geralmente representam o período de chuvas mais fortes. Em janeiro deste ano foram 33 atendimentos do tipo, em fevereiro quatro, em março oito, em abril nove e em maio 26.

Queda de fios (cinco atendimentos), incêndios (oito), ocorrência com árvores (21), orientação ao público (18) e queda de poste (um) foram algumas das outras ações realizadas pela Defesa Civil de Rio Claro nesses cinco primeiros meses.

Segundo o secretário municipal de Segurança, Defesa Civil e Mobilidade Urbana, Marco Antonio Bellagamba, o foco da Defesa Civil de Rio Claro é a prevenção. “Para isso, a Defesa Civil está desenvolvendo trabalho articulado com outros setores da prefeitura e da sociedade”, explica, observando que o objetivo é que o município tenha mais capacidade de resiliência, ou seja, de superar situações adversas como deslizamentos, alagamentos e outros desastres do tipo.

ÁUDIO: homicídio é registrado no Parque São Jorge

Laura Tesseti

A Polícia Militar de Rio Claro registrou, no início da noite de segunda-feira (5), o nono homicídio de 2017. O crime aconteceu por volta das 18h30 na Avenida M-33, entre as ruas 9 e 10, no bairro Parque São Jorge.

A vítima, Diego Juliano da Silva, de 35 anos, foi alvejado por dois tiros e faleceu ainda no local, um estabelecimento particular que, segundo moradores da região, não abre constantemente.

Mais informações no player abaixo com o colaborador Gilson Santullo, da Rádio Excelsior Jovem Pan News.

Daae: prefeitura de Rio Claro descarta riscos em bairro

Lucas Calore

Durante a última semana, um rumor envolvendo a estrutura do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae), em sua Estação de Tratamento localizada no bairro Cidade Nova, deixou a população daquela região em alerta.

Inundação?

Segundo consta da informação repassada por munícipes, um suposto problema poderia fazer com que os mecanismos se rompessem e ocasionassem uma grande inundação no bairro, podendo danificar as residências do seu entorno.

A vereadora Maria do Carmo Guilherme confirmou que há o conhecimento sobre a questão junto ao poder público. “A ETA 1 começou a ser construída em 1947 e nunca houve manutenção. Há um projeto de patologia do concreto orçado em milhões, mas a parte emergencial da estrutura está em R$ 750 mil”, detalha.

ESCLARECIMENTO

A reportagem do Jornal Cidade procurou o prefeito municipal João Teixeira Junior, o Juninho da Padaria, que comentou o caso. “Desde que assumiu a autarquia, o novo superintendente levou o problema, que é herdado de administrações passadas, para nosso conhecimento. Ele não omitiu e o assunto foi discutido em audiência pública com a Câmara Municipal. Não é novidade para ninguém como encontramos o Daae, então não iremos esconder essa dificuldade, assim como não escondemos problemas com a Saúde. O superintendente está levantando estudos e laudos. A questão é tratada como prioridade no Daae. Vamos dar total atenção. Não há riscos para os moradores daquela região nos próximos anos. De imediato, estamos tentando viabilizar o valor da obra emergencial, que pode vir como contrapartida.”, garantiu.

A autarquia, em nota, ressalva que por meio de empresa especializada fez inspeção em todas as instalações da ETA 1, constatando alguns problemas na estrutura dos reservatórios de floculação e decantação, os quais, no entanto, não provocam danos a nenhum imóvel do seu entorno. “O Daae esclarece também que o projeto de recuperação dos reservatórios já está pronto e que, até a execução da obra, são feitos monitoramentos para evitar possíveis problemas”, concluiu.

Rachaduras

Faz anos que a vizinhança da Avenida 6-A está preocupada. Residências daquela região enfrentam problemas com rachaduras há bastante tempo. A dona Lurdes Fuzaro começou a ter danos na estrutura da casa há cerca de 20 anos.

Pilares e paredes começaram a rachar e o risco era grande. Um acordo de indenização foi feito com o Daae, que pagou parte de uma das reformas. Recentemente, novas rachaduras apareceram na cozinha, quarto e sala. “Tivemos que fazer brocas, consertar paredes, trocar pisos”, diz.

Já na casa da vizinha Cleide Alberton o problema é mais recente. Há 10 meses que a estrutura rachou e a Defesa Civil de Rio Claro precisou ser acionada. “Percebemos que aconteceu depois de um tremor da turbina, durante a noite, que fez mexer a terra. Hoje convivemos com medo”, relata. Foi protocolado um pedido de atendimento para o Daae pela dona da residência, mas até o momento não houve nenhuma conversa oficial.

Pizzaria Domino’s anuncia boicote a produtos da JBS

Estadão Conteúdo 

A pizzaria norte-americana Domino’s, a maior rede de entrega de pizzas do mundo, anunciou na última sexta-feira, 2, que não irá mais utilizar nenhum produto da marca JBS, envolvida em denúncias de corrupção. A empresa tem mais de 180 lojas no Brasil e mais de 10 mil estabelecimentos pelo mundo.

“Prezamos muito pela transparência e ética com todos os apaixonados pelo Domino’s, e compartilhamos do mesmo sentimento de revolta quando estes valores não são levados em consideração”, afirmou a empresa em sua página no Facebook. “Por isso, queremos esclarecer que não utilizamos mais nenhum produto da marca JBS.”

A pizzaria não é a primeira marca a fazer boicote contra a JBS. O restaurante do tradicional Hotel Toriba, em Campos do Jordão (SP), passou a oferecer no cardápio desde o dia 25 de maio, uma semana após as delações de Joesley Batista, um filé acompanhado de risoto de cogumelos batizado de Friboi Free. O prato foi criado especialmente para reforçar o protesto do empresário Aref Farkouh, sócio do hotel, contra o grupo JBS, dono do frigorífico Friboi.

Outro estabelecimento que aderiu ao boicote foi a churrascaria Devons, uma das mais tradicionais de Curitiba. No dia 24 de maio, foi colocada uma faixa no local anunciando que o restaurantes não trabalharia mais com produtos da JBS “em respeito ao Brasil, à sociedade e aos trabalhadores deste país”. A mensagem também foi postada nas redes sociais da Devons.

Em nota, a J&F, controladora da JBS, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo” que “a companhia e todos os sete envolvidos seguem em seu firme propósito de continuar colaborando com a Justiça brasileira no combate à corrupção no país”.

“A J&F, sua empresas e marcas mantêm a regularidade de suas operações e o foco na oferta de produtos e serviços da mais alta qualidade, prezando a parceria com seus clientes e fornecedores, e apoiando os seus mais de 235 mil colaboradores em todo o mundo”, diz o texto.

Sete em cada dez homicídios no Brasil foram com armas de fogo em 2015

Agência Brasil 

As armas de fogo são “um personagem central” nos números sobre homicídios no Brasil, avaliou hoje (5) o pesquisador Daniel Cerqueira, durante o lançamento do Atlas da Violência 2017. No estudo, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisam dados de 2015 e informam que 71,9% dos 59 mil homicídios registrados no país naquele ano foram cometidos com armas de fogo.

“O personagem central desse enredo é a arma de fogo”, disse Daniel Cerqueira, acrescentando que elas estão relacionadas a acidentes domésticos, suicídios e crimes decorrentes de conflitos interpessoais. “Existe uma ideia de que o cidadão angustiado com a violência vai se armar e ficar mais seguro, mas é ledo engano. A arma de fogo dentro de casa contribui para aumentar as probabilidades de alguém sofrer homicídio dentro daquela residência.”

O pesquisador afirma que a difusão do porte legal de armas também contribui para que mais armas cheguem ao mercado ilegal, seja via roubos ou vendas ilegais. Com o aumento dessa oferta no mercado ilegal, o preço dessas armas cai e mais “criminosos desorganizados”, como assaltantes, têm acesso a elas. “Cerca de 40% das armas apreendidas em crimes são de procedência nacional e foram registradas”, diz ele.

Se nacionalmente 71,9% dos homicídios se dão com armas de fogo, os estados em que a violência mais têm crescido nos últimos dez anos têm taxas bem maiores. Em Alagoas, 84,4% dos homicídios foram feitos com armas de fogo; no Ceará, foram 81,5%; na Paraíba, 83,1%; e em Sergipe, 85,1%.

Em números absolutos, as armas de fogo foram usadas em 41.817 casos de homicídio no país em 2015. O número de casos é 25,1% maior que em 2005.

Diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, comparou o número de mortes no Brasil em 2015 com outras tragédias. Segundo ela, houve mais de 1 milhão de assassinatos no país entre 1995 e 2015, intervalo de tempo equivalente ao que a Guerra do Vietnã deixou 1,1 milhão de civis mortos.

“É como se um Boing 737 caísse com 161 passageiros todo dia. Agora imagine que nesse Boing a maior parte dos passageiros seja de adolescentes e jovens de até 29 anos”, destacou ela. “Isso tem um custo econômico para o Estado. As perdas anuais em decorrência da mortalidade desse jovem representam 1,5% do Produto Interno Bruto. E isso é o que a gente gasta com politicas públicas de segurança.”

De cada 100 mortos, 71 são negros

Os pesquisadores apontam ainda que a população negra é a principal vítima dos homicídios. A cada 100 assassinatos no país em 2015, 71 tiveram negros como vítimas.

Tanto homens quanto mulheres negras sofrem mais com a incidência da violência letal e, segundo a pesquisa, um negro tem 23,5% mais chances de morrer que um branco que vive no mesmo bairro, com a mesma escolaridade e o mesmo estado civil.

“A violência tem cor também. Os negros são a população que está mais vulnerável à violência letal”, lamentou Samira Bueno.

Jornal Cidade RC
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