Cidade de SP deve ter feriadão de 6 dias a partir de quarta para aumentar isolamento

ARTUR RODRIGUES – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O governador, João Doria (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciaram que serão votados projetos para antecipação de feriados, que podem criar um megaferiado de seis dias na cidade de São Paulo a partir de quarta-feira (20).

O anúncio foi feito durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo. As medidas ainda serão votadas pelo Legislativo, mas as ações propostas na pandemia têm sido aprovada com facilidade.

A medida foi tomada devido ao fato de que os índices de isolamento social costumam sem maiores em feriados e finais de semana. No sábado (16), a capital teve uma taxa de 52% e o estado, de 50%. No domingo, a capital atingiu 56% e o estado, 54%

A Câmara Municipal de São Paulo votará nesta segunda a antecipação do Corpus Christi e Consciência Negra, para quarta e quinta (21). A sexta (22) será ponto facultativo.

Doria também mandará à Assembleia Legislativa projeto para antecipar o feriado de 9 de Julho para segunda-feira (25).

Com a aprovação dos projetos, o feriadão começaria na quarta e terminaria na segunda.

Doria iniciou a coletiva fazendo um discurso em que tenta desconstruir a tese de que a quarentena é o que afeta a economia. “Para vencer a crise, temos que vencer o coronavírus. O inimigo da economia não é quarentena, é a pandemia”, disse.

Covid-19: estudo medirá propagação nas cidades

O Ministério da Saúde está financiando o estudo ‘Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19’, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas que vai analisar a evolução de casos da Covid-19 na população brasileira. Ao todo, 99.750 pessoas de 133 municípios de todas as regiões do país serão submetidas ao teste rápido (sorologia), que detecta se a pessoa já teve a doença. Foram enviados 150 mil testes rápidos para viabilizar a ação.

A ideia é identificar de que forma o vírus está se propagando em todo o Brasil e criar políticas públicas mais eficientes sobre o comportamento do coronavírus no território brasileiro. Essas “cidades sentinelas” foram escolhidas por serem municípios-sede de cada sub-região intermediária do país, de acordo com critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa será feita em três fases, com entrevistas que ocorrerão a cada duas semanas por meio de visitas domiciliares, conduzidas por equipes do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE). A primeira fase teve início no dia 14 de maio e se estenderá até este domingo (17), com previsão de realização de entrevistas e testes rápidos em 33.250 participantes (250 em cada uma das 133 cidades). As Secretarias Estaduais de Saúde receberam ofício do Ministério da Saúde sobre a pesquisa.

‘The Politician’ e ‘Umbrella Academy’ ganham datas de estreia da 2ª temporada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

As séries “The Politician” e “The Umbrella Academy” tiveram as datas de suas segundas temporadas reveladas nesta segunda-feira (18) pela Netflix.
A produção de Ryan Murphy, que narra a história de Payton Hobart (Ben Platt), volta em 19 de junho, enquanto a história dos irmãos com super-poderes retorna em 31 de julho.
A trama da 2ª temporada de “The Politician” acompanha Payton e sua equipe tentando vencer a eleição para um assento no senado de Nova York, e buscando decidir que tipo de político o jovem quer ser.
Já a continuação de “The Umbrella Academy” deve focar na relação de Vanya (Ellen Page) com seus irmãos, ao descobrir que tem poderes como eles, diferente do que ela acreditou a vida inteira.

Multas do Procon-SP ultrapassam R$ 3 mi

Passados dois meses desde que a Covid-19 foi reconhecida como calamidade pública pela Organização Mundial da Saúde, a Secretaria Extraordinária de Defesa do Consumidor e o Procon-SP já aplicaram mais de R$ 3 milhões em multas por práticas abusivas através do Código de Defesa do Consumidor.

As fiscalizações continuam diariamente a fim de garantir que a legislação seja respeitada e que a população do Estado de São Paulo não seja prejudicada. Os setores que mais sofreram autuações foram as farmácias, com multas em torno de R$ 2,3 milhões, e os supermercados, multados em cerca de R$ 800 mil. Foram no total 12 supermercados, 12 farmácias, 8 revendedores de gás e mais dois estabelecimentos comerciais, totalizando 34 fornecedores até agora.

“O trabalho do Procon não vai parar. A fiscalização e aplicação de multas são essenciais para garantir as boas práticas no mercado de consumo. A população tem que ser protegida de aumentos abusivos de itens essenciais neste momento de pandemia”, assegura Fernando Capez, secretário de Defesa do Consumidor.

Crise do Coronavírus: 75,5% do empresariado de RC e região já sente impacto da pandemia

Pesquisa elaborada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Rio Claro, com 77 representantes de indústrias, comércios e serviços do município, aponta que 75,5% do empresariado da cidade e região já sente o impacto da pandemia do novo coronavírus nas empresas. A cidade enfrenta a crise desde o mês de março através de distanciamento social e a decretação da quarentena, determinada pelo Governo Estadual, em que somente atividades essenciais podem continuar funcionando abertamente ao público. Rio Claro registrava, até esse sábado (16), 48 casos positivos da Covid-19.

O levantamento do Ciesp tem como objetivo ampliar e entender melhor a situação das empresas e da economia neste período. De acordo como diretor Anselmo Quinelato “com essa pesquisa poderemos identificar as demandas do setor produtivo e direcionar esforços para ajudar os nossos associados e a nossa comunidade a superar este momento difícil. Acreditamos com isso estar dando a nossa contribuição para a saída de uma crise sem precedentes na nossa história”, informa.

João Zaine, gerente regional, diz que os números mostram que a crise já afetou de maneira muito acentuada praticamente todos os setores da economia, com raras exceções, e que a retomada será lenta. “Também podemos observar que existe uma dificuldade para as empresas terem acesso prático às medidas e produtos anunciados pelo Governo Federal”, acrescenta à reportagem do JC. O material, que teve colaboração da Associação Comercial e Industrial de Rio Claro (Acirc), traz panorama de Rio Claro, Santa Gertrudes, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Araras e Leme.

Resultados

A pesquisa aponta que numa escala em que “1” é o melhor cenário e “10” o pior, 27,3% do empresariado estima que o pior cenário da pandemia atingirá o seu negócio. Outros 23,4% responderam o cenário “8”, enquanto 9,1% apontaram um nível “9” de impacto. Quando questionados em quanto tempo acontecerá este impacto, 75,5% do empresariado afirma que já sente os efeitos negativos da crise. Já para 20,8% dos entrevistados os resultados devem aparecer entre um e três meses.

Diante da paralisação na maioria dos setores, as vendas são diretamente atingidas. Para 24,1% do empresariado nenhum tipo de serviço/produto está sendo vendido até o momento, enquanto para 21,5% as vendas estão de 61% a 70% piores. Entre os problemas que as empresas estão enfrentando nesta pandemia está o cancelamento ou suspensão de vendas para 18,1%, já a prorrogação de prazos de recebimento ocorre para outros 16,6%.

Do total de entrevistados, 21,8% optou pelo regime de trabalho home office, 17,8% concedeu férias para parte dos empregados e 12,6% reduziu a carga horária. Para 31,9% do empresariado estima-se que em seis meses seus negócios voltarão à normalidade. Para 11,1% em 10 meses e 9,7% em oito meses ou mais de um ano.

Confira o resultado da pesquisa na íntegra:

Metodologia

Com a intenção de ter uma visão geral da economia da regional, a pesquisa do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) incluiu não só as indústrias, mas também o setor de comércio e serviços de toda a região de Rio Claro de 23 de abril a 7 de maio.

Segunda parcela do auxílio de R$ 600 começa a ser paga nesta segunda

CRISTIANE GERCINA – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Caixa Econômica Federal começa a pagar nesta segunda-feira (18) a segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600.

O dinheiro será liberado para beneficiários do Bolsa Família cujo final do NIS (Número de Inscrição Social) seja 1. Ao todo, 1,9 milhão terá os valores hoje.

Os pagamentos seguirão até o dia 29 deste mês para quem faz parte do programa do governo federal.

Já os trabalhadores informais que se inscreveram por meio do aplicativo Caixa | Auxílio Emergencial ou pelo site auxilio.caixa.gov.br e os inscritos no CadÚnico que tiveram a primeira parcela do benefício liberada até 30 de abril recebem os valores a partir do dia 20 de maio, quando a grana começa a ser depositada nas contas.

Os saques em dinheiro para esses cidadãos só serão possíveis a partir do dia 30. O valor será liberado conforme o mês de nascimento do beneficiário.

A cada dia, será pago um mês diferente. O calendário começa com nascidos em janeiro e termina no dia 13 de junho, com o pagamento de quem faz aniversário em dezembro.

Segunda parcela

Nesta terça (19), será feita ainda a liberação da grana para um novo lote de beneficiários inscritos para receber a primeira parcela. Ao todo, são 8,3 milhões.

Boa parte destes trabalhadores se inscreveu nos primeiros dias, mas teve que passar por uma reanálise de dados por parte da Dataprev (empresa de tecnologia do governo federal)

O calendário de liberação destes valores também será por mês de aniversário do cidadão. Começa nesta segunda, para nascidos em janeiro, e vai até 29 de maio, para quem faz aniversário no mês de dezembro.

De acordo com a Caixa, até agora, 50,4 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial, liberado pelo Congresso para compor a renda de famílias carentes na pandemia do coronavírus.

Aprovado em 30 de março no Senado Federal, após passar pela Câmara, o auxílio emergencial só foi oficialmente lançado pelo governo em 7 de abril, quando começaram as inscrições.

Para receber, o trabalhador deve ter mais de 18 anos, não ter renda formal e fazer parte de família com renda, por pessoa, de R$ 522,50 ou renda total de R$ 3.135.

Fifa organizará partida para arrecadar fundos para o combate ao coronavírus

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Fifa anunciou nesta segunda-feira (18) que organizará uma partida de futebol beneficente para arrecadar fundos para o programa “Access to covid-19 Tools” (ACT), iniciativa colaborativa global criada pela OMS para atuar no combate à pandemia do novo coronavírus.

“É nossa responsabilidade demonstrar solidariedade e continuar a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para participar e apoiar os esforços no combate à pandemia”, disse o presidente da entidade, Gianni Infantino.

“Temos participado ativamente da conscientização por meio de várias outras campanhas, e a Fifa também contribuiu financeiramente para essa causa, mas agora nos comprometemos a organizar esse evento global de captação de recursos quando a situação da saúde permitir, mesmo que seja apenas em alguns meses”, acrescentou.

A “Access to covid-19 Tools”, também conhecida como “ACT Accelerator”, foi anunciada no final de abril e visa acelerar o desenvolvimento, produção, acesso e uso de medicamentos, testes e vacinas seguros contra o novo coronavírus.

Com a iniciativa, a Fundação Fifa pretende aproveitar a oportunidade de sediar a partida para ampliar o alcance do futebol “para além da rede esportiva tradicional e para a sociedade em geral para ajudar e apoiar os esforços no combate ao coronavírus”, diz o comunicado oficial da entidade.

Local, data, participantes e formato ainda não foram anunciados pela entidade. Youri Djorkaeff, CEO da Fundação Fifa, disse que mais detalhes serão revelados “no devido tempo”.

‘Fomos atingidos por um meteoro que impacta o equilíbrio fiscal’, diz secretário da Fazenda

LARISSA GARCIA – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) 

O secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse neste domingo (17) que o país foi atingido “por um meteoro que impacta a trajetória de equilíbrio fiscal”, em referência aos efeitos da pandemia do novo coronavírus nas contas públicas.

A equipe econômica pressiona o Palácio do Planalto a vetar pontos do projeto de lei de auxílio a estados e municípios, aprovado pelo Congresso e que aguarda a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O secretário afirma que dois trechos precisariam ser vetados. Um deles amplia o número de carreiras que fica de fora do congelamento de reajuste salarial para servidores até o fim de 2021.

Caso o presidente não vete o trecho, o governo deixará de economizar R$ 88 bilhões -o impacto da medida passaria de R$ 130 bilhões para R$ 42 bilhões.
Entre as carreiras que ficam de fora do congelamento, estão militares, policiais, profissionais de limpeza urbana, de serviços funerários, de assistência social, da educação pública e da saúde.

“Vamos fazer uma pausa, cuidar da saúde, dos mais vulneráveis, mas depois temos que voltar às diretrizes anteriores”, afirmou Rodrigues.

O secretário enfatizou que os vetos são essenciais para assegurar a saúde fiscal do país depois da pandemia. “Enviamos notas técnicas à Presidência, e os argumentos são muito defensáveis. É muito importante pensar também no pós-crise”, frisou.

Rodrigues destacou que ainda há incertezas sobre a duração da crise. “Temos que saber como a sociedade como um todo estará após o coronavírus, não sabemos qual será a extensão da crise, trabalhamos com a temporalidade em 2020, mas pode ultrapassar para 2021. Será necessário diálogo”, ponderou.

Ele não descartou, no pós-crise, que os servidores sejam chamados a dar uma cota de sacrifício por meio da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) em tramitação no Senado que prevê corte de 25% no salário do servidor público.

O texto estabelece que a redução seja acompanhada por diminuição proporcional de jornada, em situações de desajuste fiscal, cenário esperado nos próximos meses em razão da crise gerada pela pandemia.

O texto foi batizado de PEC do pacto federativo. “Está na PEC 188, item que será analisado à frente. O impacto dela [da medida] para a união de até R$ 10,5 bi, pode ser menor porque o corte seria de até 25%, tem que ser analisada”, explicou.

Outro veto recomendado pela equipe é aquele que impede a União de executar as garantias contratuais no caso de estados e municípios não pagarem empréstimos firmados com bancos e organismos multilaterais internacionais.

“A União arcaria com os empréstimos, mas os governos regionais seriam negativados e perderiam acesso a essas linhas, que são as mais baratas do mercado”, explicou.

Nos cálculos do ministério, o custo com o trecho poderá variar entre R$ 9 bilhões e R$ 22,8 bilhões. No início do mês, o Senado aprovou a ajuda aos entes federados de R$ 125 bilhões durante a crise da Covid-19. Com isso, a União terá de repassar diretamente (distribuído de forma proporcional) R$ 60,15 bilhões aos estados e municípios.

O restante do socorro será por meio de renegociação de dívidas com a União, com bancos públicos, com organismos internacionais e com a suspensão de pagamento de dívidas previdenciárias.

“A operacionalização do repasse leva um tempo e já estamos providenciando enquanto há o debate sobre os vetos. Na próxima semana já estaremos aptos a fazer o pagamento”, adiantou o secretário.

Dois dias depois da aprovação do projeto de socorro aos estados, que teve o aval de Bolsonaro, o presidente voltou atrás e afirmou que iria vetar o trecho da lei que libera reajustes salariais a servidores públicos.

“Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na Economia. Não é de maneira cega, é de maneira consciente e com razão. Se ele [Guedes] acha que deve ser vetado esse dispositivo, assim será feito”, disse Bolsonaro na ocasião.

O presidente fez o anúncio do veto à iniciativa do Senado e da Câmara após uma visita surpresa ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, em 7 de maio. Ele estava acompanhado do ministro Paulo Guedes (Economia) e empresários.

Na última semana, no entanto, Bolsonaro novamente levantou a possibilidade de garantir os reajustes ao funcionalismo e disse que o assunto precisará ser discutido com o Congresso e os governadores.

Na sexta (15), Guedes fez um apelo a prefeitos, governadores e, em especial ao Congresso, para que não haja reajuste dos salários do funcionalismo. Ele disse que se valer do momento de crise para elevar custos é fazer palanque político em cima de cadáveres.

As recomendações da equipe econômica já foram enviadas ao presidente, que tem até 27 de maio para sancionar a lei.

Bolsonaro muda tom e vai a ato com ministros militares

Por Fabrício de Castro, Jussara Soares e Julia Lindner

Pressionado pela crise na área de saúde e ameaçado de impeachment, o presidente da República, Jair Bolsonaro, participou neste domingo de um ato de apoio ao seu governo, em Brasília. Da rampa do Palácio do Planalto, Bolsonaro posou para fotos com 11 de seus 22 ministros, cantou o hino nacional e adotou um discurso ameno em uma transmissão ao vivo do ato. “Nenhuma faixa, nenhuma bandeira que atente contra nossa Constituição, contra o Estado de Direito”, disse o presidente, em relação aos manifestantes.

O comentário marca uma diferença em relação à postura adotada em atos anteriores, como o do dia 19 de abril, quando Bolsonaro participou de manifestação contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, em frente ao quartel-general do Exército. Outra diferença foi a presença de ministros militares, como o general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), que é da ativa, o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), coronel da Aeronáutica.

Estadão apurou que o presidente fez chegar aos líderes do ato de apoio ao seu governo um pedido para que evitassem faixas e palavras de ordem contra o STF e o Congresso. Bolsonaro, segundo um auxiliar direto, fez o pedido pessoalmente, justificando que a insurgência contra os demais poderes não o estava ajudando. Organizadores da manifestação foram incumbidos de pedir aos apoiadores que recolhessem as faixas. Apesar disso, alguns cartazes permaneceram.

Faixas

Em frente ao palácio, centenas de pessoas empunhavam bandeiras do Brasil e faixas de apoio ao presidente. Mas algumas delas também traziam provocações, como “Nossa bandeira jamais será vermelha”, em referência aos partidos de esquerda, e “Cloroquina já”, em defesa do uso do medicamento no tratamento de infectados com a covid-19.

Havia ainda um caixão com o nome do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. Uma faixa dizia: “Soldados Especialistas da Aeronáutica apoiam Bolsonaro”. O Ministério da Defesa não se manifestou a respeito.

Bolsonaro chegou à rampa acompanhado dos ministros e de um dos filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) também apareceu depois no local. Ele cobrava a participação dos ministros de origem militar no apoio mais ostensivo ao governo do pai. Para inflamar os manifestantes, Carlos ergueu os braços de vários ministros, como se os estivesse apresentando ao público pela primeira vez. “Deixa ver se você tem moral”, chegou a dizer o presidente a um ministro antes de apresentá-lo.

Entre os ministros, estava a da Agricultura, Teresa Cristina, que entrou recentemente na lista de autoridades com cargos ameaçados, assim como Marcos Pontes. Em Brasília, especula-se que Pontes pode dar lugar a um representante do Centrão, que se aproximou recentemente do presidente. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, não participou do ato.

Na rampa, Bolsonaro chegou a ficar por cerca de 4 minutos em silêncio, apenas observando os manifestantes. Eles cantaram o hino nacional e entoaram gritos de apoio. Após fazer transmissão ao vivo em suas redes sociais, Bolsonaro pegou no colo uma criança vestida com roupa do Batalhão de Choque da PM de Minas Gerais.

Com a criança, desceu a rampa e andou próximo à grade do palácio, mais perto do público. Ao contrário do visto em episódio anterior, no entanto, Bolsonaro não deu as mãos aos apoiadores, mantendo distância. Ele estava de máscara, assim como os ministros.

Jornalista agredida

Uma apoiadora do presidente Jair Bolsonaro bateu com o mastro de uma bandeira do Brasil na cabeça de uma jornalista da Band News TV que esperava para entrar ao vivo pela emissora durante manifestação em apoio ao governo, na capital federal. O episódio ocorreu pouco antes da participação de Bolsonaro no ato.

Depois da agressão, a repórter Clarissa Oliveira relatou que o tom dos manifestantes foi “bastante agressivo” em relação à imprensa. A responsável pela agressão, de acordo com ela, circulava com a bandeira do Brasil chamando profissionais da imprensa de “lixo”. Após acertar com a bandeira na cabeça da profissional, a mulher riu da situação e pediu desculpas, ainda aos risos. Em nota, a direção de jornalismo da Band lamentou “mais essa prova de desrespeito ao trabalho da imprensa”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Saída de Guedes é o maior temor do mercado financeiro

Por Mateus Apud e Thiago Lasco

O pedido de demissão de Nelson Teich do cargo de ministro da Saúde, na manhã da última sexta-feira, 15, não chegou a ser uma surpresa. Ele não se mostrou disposto a ceder à pressão do presidente Jair Bolsonaro em dois aspectos importantes envolvendo a pandemia do coronavírus: o uso da cloroquina no tratamento de pacientes com a covid-19 e o relaxamento das medidas de isolamento social, que tentam conter a disseminação do vírus.

“O mercado financeiro já tomou isso como dado: o próximo ministro da Saúde será alinhado à visão de Bolsonaro, que ignora completamente a ciência”, afirma Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos. “E isso vem no pior momento da pandemia no País, com expectativa de que o número de mortos suba muito nos próximos dias.”

Na opinião de Rafael Panonko, chefe de análises da Toro Investimentos, a instabilidade política é ainda mais preocupante para o mercado do que a posição adotada pelo próximo ministro da Saúde. Ele critica a falta de alinhamento e comunicação do presidente com seus ministros, o Legislativo, os Estados e municípios. “Isso atrasa a recuperação, as coisas ficam para o ano que vem. E isso tem um custo. O crescimento torna-se pífio, muito abaixo do esperado”, comenta ele.

Como consequência, o investidor reage com desconfiança – sendo que o estrangeiro passa a preferir direcionar o seu dinheiro para outros países – e a Bolsa entra no que Panonko chama de “zona de congestão”.

A saída de Teich marca a nona baixa de um ministro no governo Bolsonaro e a terceira após o início da pandemia do coronavírus. Antes dele, Luiz Henrique Mandetta, que também ocupava a cadeira da Saúde, e Sérgio Moro, que estava no Ministério da Justiça e da Segurança Pública, divergiram do presidente e deixaram o cargo.

Agora, o que continua preocupando os principais agentes do mercado financeiro é o futuro de Paulo Guedes, ministro da Economia.

“Não existe hoje outra pessoa ou entidade que possa fazer o trabalho dele: alguém do Congresso mais alinhado com o presidente, ou um cara forte no Senado que puxasse votos para a aprovação das reformas. Quem pode manter as reformas em pauta é apenas o Paulo Guedes”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo. “Sem ele, Bolsonaro pode querer dar uma guinada populista para tentar se reeleger.”

Fernando Borges, gestor de ações da Garde Investimentos, compartilha a mesma opinião. “Bolsonaro está vivendo aquele ‘momento Dilma’, quando ela se viu obrigada a mudar o rumo do governo para permanecer no poder”, compara ele. “Que ele faça um ajuste em menor escala, então. Mas não vá em direção à expansão fiscal.”

Na cabeça do gestor

Para sentir os temores dos principais gestores do País, o Bradesco BBI tem feito periódicas consultas neste período de pandemia. Durante os dias 4 e 5 de maio, 101 representantes das principais casas de gestão de recursos do Brasil avaliaram as perspectivas para os mercados e a economia do País. Esse foi o terceiro levantamento da instituição desde que a pandemia começou. Os anteriores foram feitos em março e abril.

Nesta nova pesquisa, o Bradesco BBI verificou que a saída de Paulo Guedes do governo é o principal risco que o País corre, na visão dos agentes do mercado financeiro. Além disso, houve uma nítida piora na avaliação sobre o tempo necessário para a volta à normalidade e, consequentemente, sobre o desempenho esperado da economia.

A reportagem listou as principais conclusões que o Bradesco BBI fez com base nas respostas das gestoras:

Principal risco

Segundo o levantamento, o principal risco que os gestores enxergam para o País no momento é o ministro da Economia sair do governo (40,6%). Em seguida, estão a segunda onda da covid-19 (34,7%) e a falência das empresas brasileiras (14,9%). Sobre a probabilidade de Guedes deixar o cargo, 41,6% acreditam que há entre 10% e 30% de chances. Outros 24,8% responderam que essa possibilidade está entre 30% e 50%, enquanto 14,9% apontaram entre 50% e 70%.

Demora na retomada

Há também uma nova avaliação sobre a retomada da economia. No levantamento feito há um mês, 16% dos consultados acreditavam que as atividades voltariam ao normal até o fim de maio e 56% somente de julho em diante. Agora, ninguém espera que isso ocorra até o fim de maio: 68% creem que ocorra no terceiro trimestre do ano e 24% somente depois de setembro.

Dólar alto

Na primeira enquete, 30,7% dos gestores acreditavam que o valor da moeda americana no final do ano seria entre R$ 4,91 e R$ 5,10 ou acima de R$ 5,10. Agora, 40% deles acreditam que a cotação será acima de R$ 5,30 no final deste ano, 27% entre R$ 5,10 e R$ 5,30 e 23% entre R$ 4,91 e R$ 5,10. Há um mês, o valor esperado para a moeda americana era de R$ 5 no final de 2020. A cotação atual é de R$ 5,86.

Varejo em alta

Segundo dados da enquete de abril, o top 3 de setores que os gestores comprariam para adicionar ao seu portfólio seriam o elétrico (20,2%), o de bancos (20,2%) e o do varejo (16%). Na pesquisa do mês de maio, o top 3 continua o mesmo, mas em ordem diferente. Segundo os dados, agora os gestores têm preferência para adicionar ao seus portfólios ações de empresas do setor de varejo (20,2%), bancos (18,2%) e elétrico (15,2%).

Fugindo do risco

Os dados do segundo levantamento mostraram que 65,3% dos gestores responderam “não” quando perguntados se pretendiam aumentar o beta (maior risco para buscar mais retorno) do seu portfólio nos próximos dez dias. Já na terceiro, 80,08% responderam que “não” têm a intenção de aumentar o beta do seu portfólio nos próximos 30 dias.

Ofertas secundárias

Perguntados na pesquisa do Bradesco BBI se teriam interesse em participar de ofertas secundárias de ações e de quais setores, 40% dos gestores responderam que estão de portas abertas para a área da saúde. Na sequência, 37,9% indicaram preferência pelo varejo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Jornal Cidade RC
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