Áudio: Trem Intercidades seguirá até Americana e RC fica de fora, confirma secretário estadual de SP

O projeto para retomada do uso da linha férrea estadual para deslocamento de passageiros também foi comentado pelo secretário do Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, em entrevista de ontem (20) à Rádio Jovem Pan News Rio Claro, do Grupo JC de Comunicação. O programa Trem Intercidades, lançado pelo Governo de São Paulo, deve ter um investimento de R$ 1,4 bilhão.

Na última semana, o secretário estadual da Fazenda, Henrique Meirelles, havia citado que o trajeto seguiria até Campinas. No entanto, Vinholi ressaltou nessa terça-feira que, numa última e futura fase, o Trem Intercidades deverá sim ir até a cidade de Americana, conforme antes estava sendo previsto. Apesar da articulação de lideranças de Rio Claro, o município não será contemplado no projeto.

Uma consulta pública sobre o projeto em geral está aberta e deve ser concluída até o final do primeiro bimestre de 2021. “Os estudos técnicos seguem até Americana, sendo a primeira fase de Francisco Morato até Jundiaí, depois de Jundiaí até Campinas e Campinas até Americana”, declarou. A entrevista está no www.youtube.com/jcrioclaro.

O projeto faz parte do programa Retomada 21/22 para promover o crescimento econômico por meio da atração do investimento privado em concessões e PPPs (parcerias público-privadas) de projetos que envolvem trens, metrô, rodovias, etc.

blank

Polícia Federal combate em São Paulo adulteração de combustíveis

AGÊNCIA BRASIL

A Polícia Federal deflagrou hoje (21) a Operação Arinna, que investiga uma quadrilha especializada na adulteração de combustíveis e do composto Arla 32, reagente usado para garantir maior rendimento com menor poluição ambiental em motores a diesel de veículos fabricados a partir de 2012. blankblank

Em trabalho articulado com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), são cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão nos estados de  São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Rondônia e Rio Grande do Sul. A operação também conta com o apoio da Receita Federal.

Ao investigar o grupo criminoso, as autoridades policiais descobriram que o reagente tem sido fabricado com ureia, componente normalmente usado para a fabricação de adubos e fertilizantes. Conforme esclarece o MPSP em nota, a utilização do Arla 32 tem a função de reduzir um dos poluentes mais nocivos ao meio ambiente, o óxido de nitrogênio. 

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997), descumprir os parâmetros de emissão configura infração grave, que pode ser punida até mesmo com a retenção do veículo. Ainda segundo o MPSP, além de caracterizar uma violação, o abastecimento de caminhões com o combustível adulterado pode comprometer a engrenagem dos motores. 

Há indícios, ainda, de que a quadrilha tenha adquirido nafta, um derivado de petróleo para misturar com gasolina. O pretexto apresentado seria o de que aproveitaria o composto para fabricar tintas e verniz. 

Somente para a obtenção da nafta, a quadrilha teria sonegado R$ 270 milhões em impostos, valor que considera também as multas aduaneiras que deixaram de ser pagas. O MPSP finaliza a nota destacando que o nome a operação é uma referência à deusa do Sol da civilização hitita.

Ladeira Porto Geral, na região da 25 de Março, ganha puxadinho para pedestres

ALINE MAZZO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Conhecida por estar sempre cheia de pedestres dividindo espaço com veículos, a ladeira Porto Geral, famosa rua de compras na região da 25 de Março, no centro da capital paulista, vai ter a área para circulação de pessoas ampliada.

A calçada do lado direito da via ganhou um puxadinho, com uma faixa pintada no asfalto. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, a medida tem objetivo de aumentar o distanciamento social, reduzindo a aglomeração de pessoas, tão comum na época das compras para festas de fim de ano.

Quem passa pelo local já pode ver a faixa colorida, com flores e folhas, pintada no local em que antes era permitido parar veículos. A arte foi uma proposta das ONGs ligadas à mobilidade parceiras do projeto, como SampaPé, Cidadeapé e Instituto Aro MeiaZero. A pintura, que começou a ser feita no último domingo (18), ainda traz mensagens lembrando a importância de manter distância entre as pessoas nesse período de pandemia do novo coronavírus.

O espaço para os pedestres tem 110 m de comprimento, 2,2 m de largura, quase metade dos 5 m totais da via. No horário comercial, passam por hora na via cerca de 13 mil pedestres e aproximadamente 170 veículos, segundo a secretaria.

Segundo a secretaria, a exclusividade para pedestres na faixa já está valendo. Nesta terça-feira, no entanto, muitos veículos invadiam o espaço. Até ambulantes exibiam seus produtos no asfalto. A pasta informou que vai reforçar a orientação no local, para que motoristas e pedestres respeitem a nova sinalização.

Os impactos da ação serão monitorados na região, segundo a secretaria, e sua continuidade ou ampliação dependerá da avaliação dos resultados observados.

As medidas para facilitar a circulação de pedestres foram discutidas em oficinas virtuais, com entidades ligadas à mobilidade e representantes do poder público, realizadas em agosto. Além de estudos técnicos, os primeiros endereços que devem receber intervenções levaram em conta “fluxo de pedestres, vias com concentração de comércio e serviços, bem como a proximidade de estações de metrô, terminais de ônibus e hospitais”, segundo a secretaria.

A avenida Kumaki Aoki, no Jardim Helena, extremo da zona leste de SP, foi a primeira via a receber obras para ampliação de calçadas durante a pandemia, para evitar aglomeração de pedestres.

Vídeo: Polícia Rodoviária apreende 33kg de cocaína na SP-310

Policias rodoviários do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) localizou no final da tarde de terça-feira (20) diversos tijolos de pasta passe de cocaína que estavam escondidos em um fundo falso de um veículo Saveiro, pela Rodovia Washington Luis (SP-310), no km 172+300 metros, próximo a base da Polícia Rodoviária em Rio Claro.

Segundo informações do boletim de ocorrência, a equipe realizava patrulhamento pela rodovia durante a Operação Interior Mais Seguro, quando avistaram dois veículos em atitude suspeita e efetuaram a abordagem.

Realizado consulta dos veículos, foi identificado que eram do estado do Mato Grosso/MT, e que o condutor do veículo Saveiro de placas NGO-4767 apresentava um certo nervosismo. Efetuado buscas veicular e encontrado um fundo falso na parte inferior da carroceria.

Foi solicitado apoio do Canil da Guarda Municipal de Rio Claro/SP sendo que o cão apontou indícios de entorpecente no interior da caçamba do veículo, e com o apoio do Corpo de Bombeiros realizaram a abertura da carroceria do veículo e localizado a quantia de 32 (trinta e dois) tabletes aparentemente de pasta base de cocaína.

O condutor foi detido em flagrante e apresentado no plantão Policial, onde o delegado ratificou a voz de prisão e o encaminhando a carceragem local e a droga permaneceu apreendida.

No Plantão Policial foi realizado a pesagem da droga, totalizando a quantia de 33,055kg de cocaína.

blank

Covid: Exército promove limpeza nos Correios

O Exército Brasileiro, através do 28º Batalhão de Infantaria Leve, de Campinas, realizou nessa terça-feira (20) uma ação de desinfecção e limpeza nos prédios dos Correios em Rio Claro. O procedimento, que chamou a atenção dos munícipes, também tem ocorrido em diversas outras cidades da região administrativa de Campinas há alguns meses.

O trabalho no município contou com nove oficiais e praças da corporação e tem como objetivo deixar os espaços públicos da estatal limpos como forma de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Além de água e sabão, também foi utilizado álcool em todas as dependências dos Correios.

A agência localizada na Rua 1, no Centro, defronte ao terminal de ônibus urbano na antiga Estação Ferroviária, foi a última a receber a ação ontem, isto porque, como o local tem realizado o atendimento presencial, precisou-se esperar o término do expediente para que os militares trabalhassem.

Nesta quarta-feira (21), os Correios já atendem normalmente a população. Este é um dos trabalhos que a equipe do Exército Brasileiro vem realizando recentemente no combate à Covid-19. Ações solidárias também foram realizadas em cidades do interior paulista, como entrega de alimentos.

Rio Claro tem 22 pacientes internados por coronavírus

Com nove novos casos positivos, Rio Claro chega a 4.942 confirmações de Covid-19, conforme boletim divulgado na terça-feira (20) pela Secretaria Municipal de Saúde. O município tem 143 óbitos provocados pela doença e nenhuma morte em investigação.

Vinte e duas pessoas estão hospitalizadas por conta de coronavírus, incluindo casos suspeitos, sendo dez em unidades de terapia intensiva. Há 16 pacientes em leitos públicos e seis na rede particular.

Até o momento, em Rio Claro, 4.757 pessoas se recuperaram da Covid-19.

blank

Cocaína, maconha e revólver são apreendidos em flagrante da PM no Jd. Novo I

A atitude de um indivíduo que saiu correndo quando viu policiais da ROCAM em patrulhamento pela Rua 11 no Jardim Novo I, levou a uma abordagem e à apreensão de drogas e arma de fogo.

Na residência onde ele mora também foi abordada a namorada e ambos confessaram que no local realizam o refino e embalo de drogas. Foram apreendidos 33 mil eppendorfs vazios, 2624 pinos com cocaína, duas porções brutas de cocaína, 35 porções de maconha, R$ 661,00, um revólver calibre 38 e munições.

Diante do flagrante o casal foi levado ao plantão para o registro da ocorrência. A mulher foi ouvida e liberada e o traficante ficou a disposição da Justiça.

Corpo encontrado em carroça na região da cracolândia é de PM do interior de SP

ALFREDO HENRIQUE – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O corpo encontrado em uma carroça, por volta das 8h50 de sábado (17), na região central da capital paulista, é do soldado Daniel Alves de Lima, 32, segundo a polícia. O PM foi encontrado morto e sem roupas, quando seu corpo era transportado por quatro homens, perto da cracolândia. O policial militar havia desaparecido no dia anterior. Ele estaria realizando trabalho de evangelização naquela região.

Policiais militares faziam ronda pelo viaduto Orlando Gurgel, no bairro Campos Elíseos (centro), quando avistaram, por volta das 8h50 de sábado, um cozinheiro, de 35 anos, e três homens, de 26, 32 e 37 anos, empurrando uma carroça, geralmente usada por coletores de materiais recicláveis. Os quatro foram abordados em seguida.

O quarteto, segundo a PM, primeiro afirmou transportar entulho na carroça. Após os policiais pedirem para ver o que era levado, o cozinheiro teria ficado nervoso. A reação do suspeito foi justificada após os PMs encontrarem, entre cobertores, o corpo do soldado Lima.

O policial estava sem roupas, com ferimentos na região da cabeça, nariz, costas e braços, que também estavam amarrados, da mesma forma que as pernas e o pescoço, segundo a polícia. A reportagem apurou que na testa do PM morto havia uma marca de sola de sapato, feita, provavelmente, enquanto o policial era supostamente agredido. Segundo o Instituto Médico Legal, a causa da morte de Lima foi asfixia mecânica, por constrição e politraumatismo. Ao constatar o corpo na carroça, até aquele momento não identificado, os PMs prenderam os quatro suspeitos, levados na sequência ao 2º DP (Bom Retiro).

Na delegacia, o quarteto teria alegado desconhecer que transportava um corpo na carroça. Os argumentos, no entanto, não convenceram o delegado Luiz Renato Gardenal Monaco, que indiciou os quatro em flagrante, por homicídio qualificado (meio cruel).

As prisões em flagrante foram convertidas para preventivas, ou seja, por tempo indeterminado, de acordo com o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Ainda no distrito policial, foi constatado que três dos presos contam com passagens criminais anteriores por furto, roubo e tráfico de drogas. A motivação para o assassinato ainda é investigada pela Polícia Civil.

CÂMERAS

Após a prisão dos suspeitos, investigadores localizaram câmeras, nas quais é possível ver a carroça sendo empurrada pelos homens que foram presos.

De acordo com as imagens, três dos criminosos empurram a carroça, às 8h11 do sábado, pela alameda Barão de Piracicaba, também na região central. Um quarto suspeito aparece alguns metros atrás, como se desse cobertura ao trio. “Ressalte-se que a referida alameda trata-se de uma das vias que serve de percurso para os indivíduos que deixam a região conhecida como cracolândia [ponto de venda e consumo de drogas]”, diz trecho de boletim de ocorrência.

Além disso, ainda de acordo com a polícia, o soldado teria sido morto instantes antes de seu corpo ser encontrado na carroça. “Registre-se ainda que inexistia rigor cadavérico, sugerindo que a morte teria ocorrido recentemente”, diz outro trecho do documento policial.

Nas redes sociais, o policial militar divulgada ações evangelizadoras, realizadas por ele em dias de folga. O soldado trabalhava no 18º Batalhão da PM de Presidente Prudente (558 km de SP).

Em uma postagem do último dia 10, o PM afirma ter saído de um templo para abordar pessoas na rua, especificamente na região da praça da Sé, no centro da capital paulista. “Só quem já pregou aqui [Sé] sabe o que é ministrar em meio às legiões de demônios, drogados, alcoólatras, prostitutas etc”, escreveu o policial. Ele, porém, afirma em seguida ver ali “um cenário para falar de Jesus Cristo”, além de acrescentar “ter nascido para evangelizar.”

A PM afirmou que o soldado Lima “possivelmente” fazia evangelização na região da cracolândia na véspera do encontro de seu corpo. “O caso está em investigação na Polícia Civil, com o apoio da Polícia Militar”, afirma trecho de nota.

O corpo do PM começou a ser velado, às 10h desta terça-feira (20) na sede da Igreja Assembleia de Deus, em Presidente Prudente. Ele seria sepultado no cemitério São João Batista, na mesma cidade.

PMS MORTOS

No primeiro semestre deste ano, cinco policiais militares morreram, fora de serviço, na capital paulista. Já no estado, durante o mesmo período, foram 12 mortes do tipo. Os dados são da SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB).

Considerando o mesmo período do ano passado, quando foram mortos na capital seis PMs de folga, além de outros sete em todo o estado, houve, respectivamente, queda de 16,6% e alta de 71%.

Letalidade menor da Covid-19 eleva dúvidas sobre confinamentos, diz epidemiologista

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO – BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS)

Ainda há perguntas importantes sem resposta sobre a Covid-19, mas já avançamos o suficiente para evitar medidas de restrição social o máximo possível, afirma John Ioannidis, professor de epidemiologia na Universidade Stanford (EUA).

Ele acaba de publicar um trabalho em que calcula uma taxa de letalidade por infecção por coronavírus muito menor que os cerca de 4% previstos anteriormente. Na média, morrem 0,23% dos que contraem Sars-Cov-2, mostram os cálculos de Ioannidis, com grande variação em relação à idade: para os menores de 70 anos, a letalidade é de 0,05% dos que foram infectados.

Se o número potencial de mortes é menor, cresce o ceticismo sobre restrições drásticas, diz ele, “porque há menos a ganhar, comparado aos custos sociais, econômicos e de saúde dessas medidas”.

Especializado em epidemiologia de doenças infecciosas e referência global sobre como práticas, desenhos e métodos de pesquisa podem otimizar a qualidade, confiabilidade e a utilidade das informações científicas, ele tem dedicado boa parte de seu tempo a projetos sobre Covid-19.

“Era a combinação perfeita de interesses: um problema emergente importantíssimo, exigindo os melhores dados possíveis para responder a ele.”

De Atenas, onde está em visita a sua mãe, Ioannidis falou por telefone com a reportagem sobre o que ainda falta pesquisar nessa pandemia e que lições ela deixa para o futuro.

PERGUNTA – Desde os primeiros meses da pandemia, o sr. alertou que decisões estavam sendo tomadas sem dados confiáveis. Governos poderiam ter agido de forma diferente?

JOHN IOANNIDIS – Sem informação para avaliar a melhor opção, é preciso prever o cenário mais pessimista. Os dados que tínhamos sobre a China, e alguns da Itália, pareciam muito desanimadores. Víamos um vírus muito agressivo, se espalhando muito rapidamente e com uma taxa de fatalidade por infecção muito alta, porque víamos poucos assintomáticos.

Como o risco de morrer parecia na média muito alto, era justo tomar decisões draconianas, como lockdowns agressivos. Mas era também essencial levantar informações confiáveis rapidamente, porque confinamentos têm consequências tremendas para a saúde, a economia e a sociedade.

P – Para quais questões já temos respostas satisfatórias?

JI – Temos uma boa noção de que esse é um vírus que se espalha rapidamente e infecta um segmento muito grande da população. E agora temos melhores dados sobre a fatalidade. Para as pessoas na média, a taxa de fatalidade por infecção é bem baixa comparada com o que se acreditava antes, 0,23%, com tremenda variabilidade.

A diferença de letalidade entre uma criança e alguém de 90 anos é da ordem de mil vezes. Sabemos que é um completo desastre se alguém fica infectado em um asilo. A letalidade pode chegar a 25%, um em cada quatro infectados morrem.

P-O que falta responder?

JI – Ainda não sabemos qual a proporção de pessoas que precisam ser infectadas para que a pandemia ceda.

Vimos que a taxa de infecção pode chegar a 55% em favelas de Mumbai (Índia) e da Argentina e provavelmente em áreas densamente povoadas do Brasil. Isso chega bastante perto do cálculo teórico de 60% para a chamada imunidade de rebanho.

Em alguns lugares não densamente povoados, porém, a epidemia parece ceder em porcentagens muito menores. Na Suécia a prevalência não está nem perto de 60%, mas não houve recrudescimento forte nos casos, e modelos sugerem que a imunidade pode acontecer em porcentagens muito menores porque as pessoas não estão encontrando ninguém, não se misturam umas com as outras.

Uma questão em que já há dados, mas seria preciso aprofundar, é a de condições pré-existentes que afetem a imunidade, como a exposição a outros coronavírus. Há porcentagens diferentes de imunidade pré-existente em diversos países, e isso deve também contribuir para que não seja necessário um número tão alto para a imunidade coletiva. Mas ainda não temos certeza.

Outra fronteira é a das medidas de restrição: fechar locais de trabalho, fechar escolas, trabalhar de casa. Algumas são mais disruptivas que outras, e estão sendo usadas em diferentes combinações, sendo adotadas a partir de indicadores diferentes – número de casos, internações hospitalares, outros aspectos.

É uma prioridade avaliar as medidas-chave que estamos oferecendo como soluções.

P – A preocupação é com o impacto negativo dessas restrições?

JI – Temos que ser honestos e dizer que não sabemos se elas podem fazer diferença numa direção positiva, pois essa pandemia provavelmente não terá sumido na próxima semana.

Não tenho motivo para testar medidas de higiene, lavar as mãos, evitar lugares congestionados, manter distância, usar máscaras se não puder ficar longe. Já sabemos que tudo isso funciona. Mas confinamentos, fechamento de escolas e de empresas, isso é algo que precisa ser muito mais bem estudado, comparado com o que sabemos hoje.

P – Sem dados, o que deveria ser levado em conta para tomar decisões?

JI – A incerteza. Sabemos bastante, muito mais do que sabíamos quando a pandemia começou. E muito do que conhecemos hoje é mais otimista, comparado com o que achávamos que seria antes. Mas ainda é um problema sério. Precisamos admitir que não sabemos se é necessário fechar tudo, ou por quanto tempo, e fazer estudos para compreender se o saldo disso é positivo.

P – Já há pesquisas sobre o impacto das restrições?

JI – Há alguns estudos. Na Noruega, não se notou diferença significativa, em termos de número de infectados entre reabrir academias de ginástica ou mantê-las fechadas. Escolas felizmente já abriram em muitos lugares, mas há pesquisas para entender como mantê-las abertas e evitar novos fechamentos.

Isso requer uma mentalidade diferente das pessoas. Em vez de ficar esperando que o governo ou os cientistas tenham resposta para tudo, deveríamos estar prontos para aceitar que isso é o que sabemos e isso é o que não sabemos e queremos saber. Para isso, é preciso testar.

P – Seu trabalho mostra uma letalidade por infecção menor que a estimada antes. Isso é mais um argumento contra as medidas drásticas?

JI – Uma taxa de letalidade mais baixa é boa notícia, mas cria também mais ceticismo sobre restrições agressivas. Há menos a ganhar.

Não é preciso olhar também os números absolutos? Se a transmissão está muito acelerada, não pode haver muitas mortes, mesmo com taxa baixa de letalidade?

Sim, e esse número de quantas serão as pessoas infectadas até que a epidemia perca força é uma das informações sobre as quais ainda temos incerteza. Até que saibamos mais sobre isso, medidas não muito disruptivas são importantes.

Há outras variáveis. Não sabemos quando haverá uma vacina viável, mas o raciocínio sobre que medidas mudar será diferente se e quando ela estiver disponível. O mesmo acontece com melhores tratamentos para a Covid-19.

P – O que esta pandemia ensina a cientistas e tomadores de decisão?

JI – A principal lição é que temos que estar preparados. Precisamos de mais investimento nos sistemas de saúde, principalmente na atenção básica, porque esta é uma doença que realmente pode ser tratada na atenção básica.

Testes também são importantes. Países que foram agressivos em testes logo cedo, como Taiwan, Singapura e Islândia, sufocaram a epidemia antes que ela se transformasse numa grande onda.

Não é possível fazer planos específicos, pois não sabemos quando ou se virá uma nova pandemia, que tipo de patógeno será, qual a letalidade, a capacidade de infecção, o risco. Mas, se tivermos o sistema de saúde preparado e também um plano para coletar logo no começo as informações que sabemos ser as mais importantes, essas sobre as quais falamos, podemos evitar erros.

RAIO-X

John Ioannidis, 55, é professor de medicina, epidemiologia e estatística da Universidade Stanford e codiretor do Metrics (centro de inovação em pesquisa), da mesma instituição. Nascido em Nova York, cresceu na Grécia, fez graduação e doutorado em medicina na Universidade Nacional de Atenas e residência no hospital da faculdade de medicina da Universidade Harvard

Jornal Cidade RC
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.