Morreu nessa quarta-feira (8), aos 89 anos, o desenhista Percy de Oliveira, o conhecido ‘Percy dos sapinhos’. Por anos, publicou no Jornal Cidade charges de humor refinado e crítica social com os diálogos entre dois sapos. Além de seu legado no meio editorial, Percy deixa um precioso acervo de desenhos de antigos casarões e outras edificações históricas locais.

O artista plástico foi, ainda, conselheiro do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro de 2011 a 2019. Em nota, a autarquia emitiu nota de pesar sobre o seu falecimento. “Percy era um artista primoroso e sensível. Sempre atento e comprometido com o setor cultural de nossa cidade (…) é dele o fantástico trabalho paleográfico de transcrição das Atas da Câmara Municipal de Rio Claro desde 1845 até o século XX, as pranchas a bico de pena que retratam prédios históricos de nossa cidade e dezenas de outros trabalhos”, diz a nota.

Em seu currículo, conforme relembra o Arquivo, estão o desenvolvimento de atividades artísticas profissionais como desenhista na TV Tupi, como arte-finalista da Zaé Jr. Produções e da Serimatic, em São Paulo. Trabalhou como chargista nos jornais Gazeta de Santo Amaro e Jornal do Brooklin. Classificou-se em diversos Salões de Artes no Brasil e no exterior. “Percy fará muita falta para Rio Claro e para o ambiente cultural da Cidade Azul”, completa.

Quem, também, enaltece o histórico de Percy de Oliveira é a escritora, consultora em produção e revisão de textos, Sandra Baldessin. Para a profissional, a maior característica do artista e chargista foi sua paixão pela Arte. “Essa paixão extravasou em suas obras como artista plástico, pesquisador histórico e escritor. Quem conviveu com ele sabe de seu amor por Rio Claro, cidade que elegeu para viver e retratar em seus desenhos”, destaca Sandra.

Percy publicou dois livros que exprimem perfeitamente o seu jeito de estar no mundo: ‘Iepê’, que desvela a nostalgia da infância e o valor das histórias pessoais; e a obra de ficção ‘Os Qontos dos Infernos’, marcada pela fina ironia de um homem que sabia olhar com bom humor para as misérias dos seus semelhantes. “Seu legado permanecerá vivo em nossas memórias”, conclui a escritora.

O seu sepultamento aconteceu nesta quinta-feira (9), às 15h30, no Parque das Palmeiras.